Indonésia. Os líderes muçulmanos explicam aos cristãos o fundamentalismo islâmico

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Por: André | 28 Agosto 2014

Participaram da iniciativa promovida pela Conferência Episcopal bispos, sacerdotes, irmãs e leigos católicos e protestantes. Os oradores incluíram especialistas em antiterrorismo e estudiosos da religião e da sociedade. A injustiça social, a pobreza e a propaganda alimentam o extremismo. Necessitamos de figuras de muçulmanos moderados de primeira linha, no modelo do ex-presidente “Gus Dur”.

A reportagem é de Royani Lim e publicada no sítio AsiaNews, 25-08-2014. A tradução é de André Langer.

Na Indonésia houve um preocupante crescimento do extremismo islâmico, um fenômeno que, embora presente durante ao menos uma década, nos últimos tempos tornou-se ainda mais “radical e perigoso” com o projeto da criação de um califado. As obras da milícia do Estado Islâmico estão sendo assumidas por grupos extremistas espalhados por todo o arquipélago, enquanto o governo e as instituições estão fazendo soar o alarma por uma possível violência derivada. Diante desta situação de perigo real, a Igreja da Indonésia quis lançar uma iniciativa – que envolve três eruditos muçulmanos – com vistas a uma melhor compreensão do fenômeno jihadista e suas possíveis repercussões. No dia 22 de agosto passado, a Conferência de Bispos Católicos (KWI) realizou um seminário aberto a bispos, sacerdotes, irmãs e leigos católicos e protestantes; o evento, organizado pela Comissão Episcopal para os Leigos, foi realizado no centro de Jacarta, na sede da KWI.

Entre as personalidades muçulmanas na cátedra, estava o professor Irfan Idris, chefe do Departamento de Luta contra o Terrorismo, que se ocupa da luta contra os movimentos radicais. Aponta com o dedo para a “injustiça social, a pobreza e a vingança política” e destaca a importância de se reativar os valores fundamentais do país (a Pancasila), baseada [a Pancasila] no pluralismo e na liberdade religiosa. O especialista confirma a importância da intervenção imediata da polícia para “apagar” os rebentos de tensão sectária ainda no broto e pede a plena aplicação da lei que tira a cidadania daqueles que fazem um juramento em grupos ou autoridades estrangeiras.

Ihsan Ali-Fauzi, professor da Universidade Islâmica Paramadina de Jacarta do Sul, titular da disciplina de Religião e Democracia, adverte: os discursos que alimentam o ódio são um exemplo de como o “islã político” adquire força pelo trabalho da propaganda em mesquitas e dos radicais religiosos. Faz um apelo para melhores leis para garantir a autoridade da polícia e o poder para enfrentar a violência derivada.

Finalmente, Abdul MoQsith Ghazali, da Universidade Islâmica Syarif Hidayatullah no Sul Tangerang, província de Banten, segundo o qual o fundamentalismo no islamismo “não é” um fenômeno novo, mas que está presente desde os primeiros tempos após a morte de Maomé. Ele recorda as diversas formas do Islã “radical” – Al Qaeda, o wahabismo, o Estado Islâmico – e explica como a Indonésia importou tanto os pontos de vista extremos, como os conciliadores e dialogantes da religião muçulmana. Lamentavelmente, no entanto, esses radicais “adquiriram uma maior visibilidade” no emaranhado extremista; para combatê-lo utilizam-se figuras “carismáticas”, como o ex-presidente Abdurrahman “Gus Dur” Washid.

Ao final do seminário, entrevistado pelo AsiaNews, dom Petrus Boddeng Timang, da diocese de Banjarmasin (Kalimantan do Sul), expressou seu agradecimento pela iniciativa, que deveria ser reproduzida em cada comunidade católica. Uma opinião compartilhada por muitos leigos, estudantes e trabalhadores, presentes ao encontro.

A Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, onde os católicos são 3% do total, está emergindo nas últimas semanas como um dos principais centros de ativismo islâmico em toda a região Ásia-Pacífico. De resto, como já disse AsiaNews recentemente, movimentos fundamentalistas e líderes islâmicos locais encontraram inspiração nas façanhas dos combatentes sunitas na Síria e no Iraque e estão destinadas a apoiar a luta pelo estabelecimento do califado islâmico, estendendo-o também à Ásia.