O Papa encontrará uma Igreja africana em alta, mas açoitada pelo extremismo

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Por: André | 24 Novembro 2015

O Papa Paulo VI é o primeiro pontífice moderno a visitar a África em 1969 e declarou o continente a “nova pátria” de Jesus Cristo. Durante o seu papado de um quarto de século, São João Paulo II visitou 42 países africanos e ganhou o apelido de “Africano”. O Papa Bento XVI disse que esse era o continente da esperança.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 22-11-2015. A tradução é de André Langer.

Nesta semana, o Papa Francisco seguirá os passos de seus antecessores e visitará uma região em que os católicos estão em franco crescimento e são vistos como o baluarte de uma Igreja que busca ampliar seu atrativo diante dos desafios do laicismo, da disputa de outras denominações cristãs e do extremismo violento. Esta última ameaça, encarnada nos ataques de 13 de novembro em Paris – assumida pelo grupo Estado Islâmico – e da sexta-feira no Mali, será um tema crucial no giro de Francisco pelo Quênia, Uganda e a República Centroafricana, de 25 a 30 de novembro, e entranha um perigo para a segurança do próprio Papa.

Cada um dos três países tem sua própria faceta de divisionismos étnicos e sectários. No Quênia, a primeira escala de sua peregrinação, Francisco tem a previsão de oferecer palavras de alento aos cristãos ainda afetados pelo ataque que o grupo al-Shabab perpetrou em abril e no qual morreram quase 150 pessoas em uma universidade queniana, cujos estudantes são em sua maioria cristãos.

Francisco estenderá a mão a “pessoas que vivem com medo, que foram aterrorizadas, que enfrentaram numerosas revistas em reténs de segurança e todas essas coisas”, disse o Pe. Stephen Okello, padre católico queniano que também recordou a explosão de violência étnica após as eleições de 2007 e que deixou mais de mil pessoas mortas.

“Os quenianos realmente necessitam dessa reconciliação”, disse Okello, um dos organizadores da visita papal. Diante de outras explosões de violência no continente, a visita “poderia ser uma mensagem positiva para toda a África”, acrescentou. Com efeito, extremistas islâmicos irromperam na sexta-feira no Hotel Radisson Blue em Mali e mataram pelo menos 20 pessoas. O Boko Haram, um grupo extremista islâmico, ensaiou durante anos uma insurgência na Nigéria.

E numa preocupação mais imediata para o Vaticano, a violência entre muçulmanos e cristãos na República Centroafricana suscitou inquietação em torno da segurança no giro de Francisco. O desafio para o Papa, que descreveu os fatos de violência em Paris e outros lugares do mundo como parte de uma “Terceira Guerra Mundial” que se está travando de maneira gradual, será exortar as pessoas para que “se elevem acima de suas tendências humanas” mediante sua resistência à tentação de endurecer suas atitudes, disse Jo-Renee Formicola, uma especialista papal e professora de Ciências Políticas na Universidade Seton Hall, nos Estados Unidos.

“Como pode alguém reconciliar a misericórdia e a guerra?”, perguntou Formicola. Além dos conflitos que assolam o continente, previsivelmente Francisco tocará em temas próximos ao seu coração que também são de grande importância para a África: a pobreza e o meio ambiente, assim como a necessidade de um diálogo entre cristãos e muçulmanos.

Não obstante os desafios, a África é terra promissora para a Igreja católica, que perdeu terreno na Europa e no continente americano devido ao aumento do laicismo e do proselitismo das Igrejas evangélicas e protestantes. A proporção de católicos africanos na população mundial católica aumentou de 7% para 16% de 1980 a 2012, segundo um relatório divulgado este ano pelo Centro de Pesquisa Aplicada ao Apostolado, um centro ligado à Universidade Georgetown, nos Estados Unidos.

Devido ao crescimento da população e ao aumento da longevidade, os católicos no continente duplicarão seu número para 460,4 milhões em 2040, acrescentou. Okello, um dos organizadores da visita do Papa ao Quênia, e que fez o mesmo durante a visita de São João Paulo II em 1995, manifestou sua confiança em que Francisco fomente a harmonia apesar dos temas muitas vezes polêmicos que assolam a África. “Sabemos que o seu estilo não é o de condenar; ele é uma pessoa com muita compaixão”, declarou Okello. “Ele quer que as pessoas compreendam como não fazer coisas ao não fazê-las ele”.