Papa Francisco sugere que fabricantes de armas não podem se dizer cristãos

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24 Junho 2015

As pessoas que produzem armas ou investem na indústria armamentícia são hipócritas se chamarem a si próprias de cristãs, disse o Papa Francisco nesse domingo (21).

A reportagem foi publicada pelo jornal The Guardian, 22-06-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Francisco fez esta crítica à indústria de armas num comício de milhares de jovens no fim do primeiro dia de sua visita à cidade italiana de Turim.

“Se confiarem apenas nos homens, terão perdido”, disse ele aos jovens em um longo e elaborado discurso sobre guerra, confiança e política, depois de ter descartado a sua fala preparada previamente.

“Isso me faz pensar em (...) pessoas, gestores e empresários que se dizem cristãos e fabricam armas. Isso leva a um tanto de desconfiança, não é?”, disse ele sob aplausos.

Francisco igualmente criticou aqueles que investem na indústria armamentícia, dizendo que a “duplicidade é moeda corrente hoje (...) Eles dizem uma coisa e fazem outra”.

Francisco também falou a respeito de comentários que fez no passado sobre eventos ocorridos nas Primeira e Segunda Guerra Mundiais. Ele discorreu sobre a “tragédia do Shoah”, usando o termo hebraico para o Holocausto.

“As grandes potências tinham fotos dos trilhos que levavam os trens aos campos de concentração, como o de Auschwitz, para matar judeus, cristãos, homossexuais, todo mundo. Por que não bombardearam [os trilhos]?”

Ao falar sobre a Primeira Guerra Mundial, Francisco falou da “grande tragédia da Armênia”, mas sem usar a palavra “genocídio”.

O pontífice causou um desconforto diplomático em abril deste ano ao chamar o massacre de 1,5 milhão de armênios há 100 anos de “o primeiro genocídio do século XX”, levando a Turquia a convocar de volta seu embaixador para o Vaticano.