Um tsunami político para Temer que pode provocar "caos" no Congresso

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • ​Economista e jesuíta francês ministra videoconferência nesta terça-feira, 28-04-2026, em evento promovido pela Comissão para Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com Instituto Humanitas Unisinos – IHU

    Gaël Giraud no IHU: Reabilitar os bens comuns é uma resposta política, social, jurídica e espiritual às crises ecológicas e das democracias

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Junho 2016

Aliados de Michel Temer entendem que os pedidos de prisão dos caciques do PMDB, feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderiam gerar um caos parlamentar e seriam uma catástrofe para a gestão interina, caso sejam aceitos pelo Supremo Tribunal Federal. Os pedidos não só atingem o coração do partido do presidente interino, mas também colocariam o Senado Federal, ainda que interinamente, sob o comando de um petista, o senador Jorge Viana, do Acre, no momento em que os senadores se preparam para julgar o impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff - Viana é o atual primeiro-vice-presidente da Casa. Ter um opositor no comando do Congresso Nacional significa ainda enfrentar dificuldades no trânsito de projetos de lei que o Executivo considera importantes.

A reportagem é de Afonso Benites, publicada por El País, 08-06-2016.

Eis a avaliação de dois auxiliares de Temer sobre o que tem sido chamado pelo Governo de “tsunami”: 1) A eventual prisão domiciliar de José Sarney seria um simbolismo que o PMDB não quer ter para si por ele ser um ex-presidente da República e o presidente de honra da legenda; 2) Se Jucá for detido, haverá um prejuízo a imagem da gestão Temer, já que o ex-ministro do Planejamento foi um dos principais articuladores do Governo e ainda tem um bom trânsito no Congresso; 3) As possíveis (ainda que nem tão prováveis) detenções de Calheiros e Cunha representariam mais uma forte interferência do Judiciário no Legislativo reforçando a tese da “democracia de toga”, que tem sido propalada principalmente por parte dos que temem ser pegos pela Operação Lava Jato.

No caso de Cunha, o Governo imagina que possa ainda haver mais dois problemas, o das negociações com o centrão (grupo de partidos ainda sob a influência dele) e uma interferência no processo de impeachment, já que foi esse deputado quem conduziu o processo na Câmara e, com ele preso, a tese de impeachment por vingança volta a ganhar força. O julgamento de Dilma Rousseff só deve ser concluído pelo Senado em agosto. Na ocasião, os senadores votarão se ela cometeu ou não o crime de responsabilidade fiscal ao assinar seis decretos de suplementação orçamentária e por fazer pedaladas fiscais.

Mesmo diante de tantas informações negativas (nesta semana outros dois ministros quase caíram), Temer tenta dar um caráter de normalidade à sua gestão. Nos próximos dias, deve se reunir com cerca de 150 empresários para buscar uma reaproximação com o setor. Na próxima semana, fará três viagens oficiais para Alagoas, Pernambuco e Rio de Janeiro.