Lesbos, a grande fuga dos paquistaneses e a expectativa pela chegada do papa

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08 Abril 2016

A máquina de rejeições das ilhas gregas na Turquia já entrou em pane. Nem nessa teça, nem nessa manhã, os refugiados paquistaneses bloqueados nos centros de detenção de Lesbos, Chios e Kos – os primeiros a serem transferidos no dia 4 de abril, por serem considerados migrantes econômicos não "habilitados" a obter o asilo por questões humanitárias – foram forçados pela polícia grega a subir nos pequenos barcos de bandeira turca.

A reportagem é de Roberta Zunini, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 06-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Talvez, as transferências vão ser retomadas na sexta-feira, mas ninguém pode confirmar isso, porque os oficiais gregos encarregados de preparar os documentos para a expulsão não foram capazes de concluir os procedimentos", diz uma fonte do Ministério da Imigração, que pede anonimato.

Enquanto a burocracia caminha lentamente, um grupo de paquistaneses, aproveitando-se da escuridão e da sonolência das forças da ordem (encarregadas de supervisionar o perímetro de Moria), escava velozmente com mãos e pás um buraco debaixo da cerca na área mais remota do campo.

"Devemos fugir, senão vão nos mandar de volta para a Turquia, mas não queremos voltar para lá, porque não há trabalho, e os turcos nos tratam mal. Queremos ir para a Alemanha, onde sabemos que muitos encontraram uma forma de viver decentemente", sussurra o único jovem do grupo capaz de se expressar bem em inglês.

"No porto, vamos tentar nos enfiar por baixo ou dentro dos caminhões que embarcam nos navios para Atenas. Uma vez lá, vamos nos esconder na área da Praça Vitória, onde já vivem alguns dos nossos amigos ilegais. Em vez de ficar na Turquia ou voltar para o Paquistão, é melhor viver em Atenas como ratos. E, mais cedo ou mais tarde, tenho certeza disso, vou conseguir chegar em Berlim."

Depois de terem se esmagado um por um dentro do buraco, despreocupados com os cortes e as escoriações provocadas pelo atrito com as malhas rompidas da rede metálica, os seis rapazes fogem no meio das oliveiras. De madrugada, os mais de 3.000 refugiados dentro do centro já estão prontos para iniciar os protestos, sabendo que a imprensa internacional ainda está na ilha esperando para ver esses desesperados subirem nos barcos para as costas turcas.

Do lado de fora, vemo-los escreverem em pedaços de papelão: No Turkey. Ao meio-dia, debaixo de um sol escaldante, eles começam a gritar gritos de guerra em favor das dezenas de câmeras alinhadas a poucos metros da entrada na estrada de Moria. Os policiais gregos não permitem que os meios de comunicação se aproximem mais para fazer perguntas para os reclusos.

Enquanto isso, espalha-se o boato de que alguns deles tentaram o suicídio, seja em Moria, seja nos campos de refugiados gregos, onde o primeiro e único grupo até agora rejeitado foi colocado. Mas são rumores impossíveis de verificar, porque a imprensa foi proibida de entrar nos principais focos de Lesbos e das outras ilhas gregas, assim como no centro de recolocação turca.

No entanto, é certo que 13 migrantes, incluindo aqueles que foram expulsos na segunda-feira de Chios, tinham o direito de ficar, porque os seus pedidos de asilo não tinham sido avaliados completamente. Talvez "só a mão de Deus", como diz Samuel, a criança de Lampedusa protagonista do documentário Fuocoammare, poderá reparar essa provável injustiça.

Na expectativa da intervenção do Altíssimo, no dia 15 de abril, chegará a essa ilha o seu vigário: Papa Francisco.

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