Argentina: neto 119 é recuperado pelas Avós da Praça de Maio; é 1º caso em que mãe ainda está viva

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02 Dezembro 2015

As Avós da Praça de Maio anunciaram, nesta segunda-feira (30/11), a recuperação de mais um neto sequestrado durante a ditadura militar do país (1976 a 1983). Trata-se do 119º encontro e é a primeira vez que a mãe biológica ainda está viva.

A reportagem foi publicada por Opera Mundi, 30-11-2015.

Mãe e filho se encontrarão pela primeira vez nesta terça-feira (01/12) em Buenos Aires, quando serão oferecidos mais detalhes sobre o caso, em uma entrevista coletiva de imprensa na sede das Avós da Praça de Maio.

“Felizmente outro homem conheceu a verdade sobre sua origem e os convidamos a compartilhar a feliz notícia conosco”, manifestou a organização de direitos humanos no país por meio de um comunicado.

De acordo com a imprensa argentina, trata-se de Mario Bravo, que hoje vive em Santa Fé. Ele nasceu em cativeiro em Tucumán em 1977.

Primeiro contato

“Não há registros de que filhos e mães tenham se encontrado nesses casos de desaparecimento forçados durante a ditadura”, disse Bravo, em entrevista concedida à rádio Renacer Regional de Santa Fé.

O primeiro contato entre mãe e filho foi realizado por telefone, contou. Nas conversas, a mãe, cuja identidade ainda não foi revelada, lembrou “momentos muito difíceis que sofreu” durante a prisão.

Após o nascimento de Mario, sua mãe ficou dois anos presa “sempre ameaçada e com o agravante de que depois esteve no governo de Tucumán o repressor Antonio Domingo Bussi (1995-1999)”.

Assim, ela começou a busca por ele em 2007, quando se cadastrou no Banco de Dados Genéticos. Ele foi comunicado do resultado há dez dias.

“Hoje escuto sua voz, quando nasceu apenas escutei seu choro, não sabia se era menino ou menina, porque estava de olhos vendados”, contou Bravo em referência às declarações da mãe.

Em sua conta no Twitter, Ignacio Montoya Carlotto, neto de Estela Carlotto, comemorou o encontro: “como sempre a grata e maravilhosa notícia de encontrar outro neto. O 119!”.

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