"Para Francisco, a reforma da Igreja é um processo aberto", afirma o jesuíta Antonio Spadaro

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10 Outubro 2015

"A reforma da Igreja segundo Francisco. As raízes inacianas." Esse é o título de um longo artigo do padre Antonio Spadaro no último número da revista La Civiltà Cattolica. O diretor da revista dos jesuítas e Padre sinodal sublinha que "o Papa Francisco é um papa jesuíta, e a sua ideia da reforma da Igreja corresponde à visão inaciana".

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada no sítio da Radio Vaticana, 08-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A reforma, portanto, é "um processo realmente espiritual, que muda também as estruturas". Não por acaso, continua, "um dos grandes modelos inspiradores de Bergoglio é o jesuíta São Pedro Fabro", que Michel de Certeau define simplesmente como "o padre reformado".

"O Papa Francisco – escreve o padre Spadaro – é um fruto dos Exercícios Espirituais, e a sua visão da reforma da Igreja está enraizada na reforma da vida, que é fruto dos Exercícios". Por outro lado, continua o artigo, o reformador – como o jesuíta – para Francisco deve ser um "esvaziado", não deve estar centrado em si mesmo, mas no Senhor, é chamado a um abaixamento, a um "esvaziamento".

"A reforma para Francisco – escreve o diretor da Civiltà Cattolica – se enraíza em uma esvaziamento de si. Se não fosse assim, se fosse somente uma ideia, um projeto ideal, fruto dos próprios desejos, mesmo que bons, se tornaria mais uma ideologia da mudança."

Discernimento

O Papa Francisco, afirma-se ainda, não tem um "programa". O pontífice "avança com base em uma experiência espiritual e de oração que ele compartilha no diálogo e na consulta". Esse "modo de proceder se chama discernimento: é o discernimento da vontade de Deus na vida cotidiana". A tarefa do reformador "é, portanto, o de iniciar ou acompanhar processos históricos".

Para Bergoglio, observa o padre Spadaro, "reformar significa iniciar processos abertos e não cortar cabeças ou conquistar espaços de poder. É justamente com esse espírito de discernimento que Inácio e os primeiros companheiros enfrentaram o desafio da Reforma". No entanto, observa o diretor da revista dos jesuítas, "a estrada que pretende percorrer é, para ele, realmente aberta, não é um road map teórico: o caminho se abre caminhando. Portanto, o seu projeto, na realidade, é uma experiência espiritual vivida que ganha forma por graus, que se traduz em termos concretos, em ação".

"O pontificado bergogliano e a sua vontade de reforma – continua – não são e não serão somente de ordem administrativa, mas de início e de acompanhamento de processos: alguns, rápidos e fulgurantes; outros, extremamente lentos."

Igreja em movimento

Para Francisco, portanto, é mais importante iniciar processos do que ocupar espaços. "Exemplo notável disso – destaca o padre Spadaro – é o movimento impresso à Igreja inteira" com o duplo Sínodo sobre a família, que "foi pensado como um processo" pelo papa.

Bergoglio, continua, "vive uma constante dinâmica de discernimento, que o abre ao futuro. Também ao futuro da reforma da Igreja, que não é um projeto, mas um exercício do espírito, que não vê somente brancos e negros, como veem aqueles que sempre querem fazer batalhas".

Além disso, Francisco acredita que "também não é preciso ter medo dos conflitos, que às vezes sacodem e assustam". Para o papa jesuíta, é preciso "acariciar os conflitos", "harmonizar as contradições". Ao mesmo tempo, o Papa Francisco "está bem consciente de que a reforma da Igreja de que ele fala requer uma formação ampla e profunda, especialmente dos pastores. Nesse sentido, ele também está alinhado com a exigência profunda sempre percebida como missão por parte da Companhia de Jesus de formar o clero, de formar pastores".

Espírito e instituição

O artigo conclui observando que, para o Papa Francisco, "a reforma da Igreja vive uma forte e profícua tensão dialética entre espírito e instituição". Existe uma "tensão dialética intraeclesial no discurso que o Papa Francisco faz entre Espírito e instituição", "de modo a combater a introversão eclesial, como definira São João Paulo II, que sempre continua sendo uma grande tentação".

"É interessante notar essa tensão frutífera entre a Igreja como povo peregrino e como instituição, que reflete as duas definições de Igreja prediletas do Papa Francisco": "povo fiel de Deus a caminho" (Lumen gentium) e "Santa Mãe Igreja hierárquica" (Santo Inácio de Loyola).

"A reforma da Igreja, para Francisco – conclui Antonio Spadaro –, no fundo, é isto: fazer com que a Santa Mãe Igreja hierárquica seja sempre o povo fiel de Deus a caminho."

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