O novo método do Papa Francisco

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30 Setembro 2015

Um dos objetivos da viagem de Francisco aos Estados Unidos foi alcançado: não ser catalogado nas rígidas categorias que dominam a política norte-americana, a direita, que esperava ouvir algumas palavras a mais contra o aborto, e a ala liberal, que não gostou muito da visita às Irmãzinhas dos Pobres, em Washington, há anos na luta contra o governo Obama, réu de ter imposto até às instituições religiosas a oferta do acesso gratuito a anticoncepcionais e a serviços de aborto aos funcionários.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 29-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sobre esse ponto, Francisco voltou a falar nessa segunda-feira, com palavras claras, durante a viagem de retorno para Roma: "A objeção de consciência é um direito humano, e se, a uma pessoa é negada a objeção de consciência, lhe é negado um direito. Em toda estrutura judicial – acrescentou – deve entrar a objeção de consciência".

O papa não citou Kim Davis, a funcionária pública do Kentucky incriminada por não ter querido colocar a sua própria assinatura nos certificados de casamento para casais do mesmo sexo, mas a referência é evidente quando ele ressaltou que, "se um funcionário do governo é uma pessoa humana, ela tem um direito".

Uma posição que confirma o sentido da denúncia de Francisco em relação às "diversas formas de tirania moderna", que "procuram suprimir a liberdade religiosa ou procuram reduzi-la a uma subcultura, sem o direito de expressão na esfera pública", passo central do discurso sobre a liberdade religiosa no Independence Mall, na Filadélfia.

O terreno mais escorregadio para Francisco era o Congresso, onde o risco de ser enjaulado nas tramas da dialética política era elevado. Isso não aconteceu, até porque o papa optou por se dirigir diretamente ao povo "da terra dos livres", lendo um discurso que – entre as citações dos símbolos Abraham Lincoln, Martin Luther King, Dorothy Day e Thomas Merton – foi definido como "mild" (conciliador, manso) pelos próprios observadores norte-americanos que acompanhavam o pontífice ao falar no Capitólio.

Nenhum desafio lançado aos pés dos representantes e dos senadores, mas nem o ocultamento debaixo do tapete das questões cruciais que há anos veem a Igreja norte-americana comprometida.

Francisco reconheceu a existência dos problemas causados pelo império da secularização – "muitas vezes é hostil o campo onde vocês semeiam", dissera ele aos bispos reunidos na Catedral de São Mateus em Washington –, reconhecendo as respostas identificadas e implementadas pelo episcopado local, em cerca de 30 anos de batalha pela conquista e pela defesa de um espaço público para se expressar.

Mas, ao mesmo tempo, ele pediu para dar mais um passo, atualizar os seus próprios planos de ação. Não por acaso, saudando os bispos da Pensilvânia, o pontífice perguntou se seria o caso de "condenar os nossos jovens por terem crescido nesta sociedade? Eles devem escutar dos seus pastores frases como: 'Tudo o que passou foi melhor', 'O mundo é um desastre e, se continuar assim, não sabemos aonde vamos parar'? Não, não acho que esse seja o caminho".

O caminho, ao contrário, é o indicado no discurso diante dos prelados locais, aos quais pediu para se converterem "à humildade e à mansidão", advertindo-os sobre o risco de fazer "da Cruz um estandarte de lutas mundanas".

Não é possível "fechar-se no recinto dos medos, para lamber as próprias feridas, lamentando um tempo que não volta e preparando respostas duras às já ásperas resistências". O método indicado é novo e é o "do diálogo", abrindo mão da "pregação de doutrinas complexas" e tendo sempre em mente que "a linguagem dura e belicosa da divisão não combina com os lábios do pastor".

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