"Imagem de Fidel com a família é uma ruptura revolucionária"

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22 Setembro 2015

Foto: Alex Castro

"A imagem da família de Fidel Castro na presença do Papa Francisco é uma ruptura revolucionária. Podemos dizer que Fidel depõe a divisa e veste a roupa da família".

A afirmação é do presidente emérito da Câmera dos Deputados da Itália, Fausto Bertinotti, ao participar de um programa da Tv2000, por ocasião da viagem do Papa Francisco a Cuba e aos EUA.

A informação é publicada por Tv2000, 21-09-2015. A  tradução é de IHU On-Line.

Fausto Bertinotti foi sindicalista italiano, CGIL, e secretário do Partido da Refundação Comunista - PRC - de 1994 a 2006.

"A mulher de Fidel - acrescentou Bertinotti - que hoje está por detrás e se vê, ontem estava por detrás do comandante mas não se via. Esta aparição da mulher e dos familiares são uma ruptura revolucionária. Fidel recebe a mensagem do Papa e está na presença dele como pessoa".

O outro elemento de ruptura revolucionária de Fidel é "a deposição dos sinais de poder e vestir os da fragilidade. Ante o Papa está um homem velho com a dignidade da pessoa. Fidel deixou a cátedra e a autoridadde e hoje se apresenta nu na sua humanidade na presença do Pontífice".

"Esta sua humanidade, no entanto - explicou Bertinotti - é uma mensagem política. É como se Fidel dissesse: "Ressuscitaremos. Eu voltei a estar nu para anunciar que o mundo em que eu ascendi foi derrotado mas não acabou". Esta é a mensagem. É o mudno das igualdades interpretado pela revolução".

O encontro entre Bergoglio e Fidel Castro é "emocionante" porque "o Pontífice confirma o fascínio, a grande capacidade de atração, a enorme curiosidade pela pessoa", enquanto "que da parte de Fidel há um traço de grandíssima novidade: a lembrança que temos de Fidel Castro é vestido com trajes verde oliva, em pleno campanha miliar (um guerrilheiro, não um homem do exército), que desce as escadarias para ir até a Praça da Revolução e ser festejado por seu imensa multidão popular. Uma imagem de potência que era a projeção da revolução. Um homem com todas as maiúsculas".

Do encontro com Papa Francisco emerge "um homem todas as minúsculas. Nos foi dado observar a sua família: a característica do comandante em chefe é de ser um homem só, um líder totalmente político onde não há espaço para sentimentos, afetos, emoções, como se fosse revestido de uma couraça requerida pelo seu papel público, expressão não da humanidade mas da revolução. É o homem que com a sua presença física representa a revolução a caminho".

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