Um padre-tutor para os divorciados e Eucaristia só na Páscoa: teólogos dão suas opiniões em vista do Sínodo

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23 Julho 2015

Em um livro publicado pela Santa Sé, a proposta de um caminho penitencial para os recasados. Os teólogos que participaram do seminário a portas fechadas defendem: "Não é uma concessão, mas o reconhecimento de um novo começo".

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 22-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um caminho penitencial ad-hoc, chamado de "via discretionis", que permita o acesso dos divorciados em segunda união aos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação. Essa é a proposta que surgiu durante um seminário internacional de três dias a portas fechadas convocado pelo Pontifício Conselho para a Família, em vista do próximo Sínodo dos bispos de outubro.

Três dias de trabalho, em fevereiro e março passados, cujos resultados foram publicados pela Livraria Editora Vaticana dentro de um grande volume intitulado Famiglia e Chiesa. Un legame indossolubile [Família e Igreja. Um laço indissolúvel] e organizado por Andrea Bozzolo, Maurizio Chiodi, Giampaolo Dianin, Pierangelo Sequeri e Myriam Tinti.

O seminário contou com a presença de teólogos, moralistas, juristas eclesiásticos e leigos italianos e estrangeiros, que desde sempre se dedicam aos estudos do matrimônio e da família. Nenhum bispo, portanto, mas apenas estudiosos que expressaram posições heterogêneas e, ao mesmo tempo, concretas, muitas em defesa da indissolubilidade do matrimônio e, no rastro das últimas audiências gerais de Francisco, da importância da família fundada no próprio matrimônio.

Ao mesmo tempo, também posições mais abertas, com a hipótese de um caminho que possa chegar a aliviar, na medida do possível, os sofrimentos de quem fracassou. Tudo favorecendo o que já surgiu na sessão extraordinária do Sínodo de outubro passado, quando Francisco, encerrando os trabalhos, pediu para "encontrar soluções concretas para tantas dificuldades e inumeráveis desafios que as famílias devem enfrentar".

A poucos da abertura do Sínodo, portanto, esse é o trabalho mais avançado desenvolvido dentro do Vaticano sobre as feridas da família e as suas soluções. Certamente, o trabalho desempenhado tem caráter meramente consultivo, isto é, não compromete o Sínodo em nada. Mas, apesar disso, a vontade de mostrar, ao menos por parte de alguns teólogos, que, em nível pastoral, pouco pode permanecer como está, existe inteiramente: um "novo começo" para os divorciados recasados pode ser possível, graças a um caminho penitencial, mas que seja avaliado "caso a caso".

Escrevem os teólogos: "Trata-se de uma via que não poderá senão dizer respeito àqueles que têm fortes motivações ligadas à fé e que não pode ser mal entendido como uma concessão diante da indissolubilidade do matrimônio, mas que, justamente por causa da seriedade do percurso proposto, poderia se tornar uma forte ênfase dos valores em jogo, começando pelo valor da indissolubilidade".

A "via discretionis", que essencialmente desempenha uma mediação entre os textos do teólogo Xavier Lacroix (ele abre à Eucaristia, mas não ao reconhecimento das segundas bodas) e do teólogo Paul De Clerck (que sugere o reconhecimento das novas bodas no rastro da Igreja ortodoxa), segue regras precisas.

Cada diocese deverá se dotar de um padre encarregado apenas para acompanhar esses casos. Se necessário, esse sacerdote poderá ser acompanhado por equipes de especialistas. Em seguida, serão verificadas as intenções do casal e as motivações que o levaram a pedir a readmissão à Eucaristia.

O padre avaliará sobretudo o caminho da nulidade matrimonial, enviando o casal ao tribunal eclesiástico: muitas vezes, antes das separações, há matrimônios de fato nulos. Quando a nulidade não seja viável, se levará o casal a começar um caminho penitencial. Este não será breve e seguirá algumas etapas: "Entender os motivos que levaram ao fracasso do matrimônio, tomar consciência de ter traído um mandamento do Senhor, chegar a se reconciliar com o próprio passado".

O caminho "poderia exigir o caráter público da penitência e demonstraria à consciência comum dos cristãos como a reconciliação da pessoa que fracassou no seu matrimônio não significa leveza por parte da Igreja ao interpretar o preceito evangélico, mas sim a vontade de verificar concretamente a obediência atual ao próprio preceito".

Por fim, a readmissão aos sacramentos "poderia ser plena ou também parcial". Para alguns, de fato, o acesso à Eucaristia poderia se limitar ao preceito pascal.

Sobre a questão mais debatida, ou seja, sobre o valor a ser atribuído ao segundo casamento, muitos teólogos explicaram que não é possível falar de sacramento, porque o sacramento continua sendo único, mas se pode reconhecer "o alto valor humano e espiritual do novo vínculo". Como escreve o cardeal Kasper: "Onde está presente uma fé que se torna operosa no amor e se faz sentir na penitência pela culpa que houve na ruptura do primeiro matrimônio, um segundo matrimônio passa a fazer parte também da dimensão espiritual da vida eclesial".

Certamente, em outubro, a última palavra será do Sínodo e, depois, do papa. Mas, enquanto isso, dentro dos muros vaticanos, novas soluções existem e são postas claramente no papel, no rastro de uma Igreja que seja da acolhida e da misericórdia.

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