Assinado, Albert Einstein. Carta esquecida em um cofre por décadas

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25 Mai 2015

O britânico Trevor Lipscombe, um dos principais biógrafos de Albert Einstein (1879-1955), acredita que uma carta encontrada no Colégio Anchieta e atribuída ao físico alemão é autêntica. O documento, dirigido aos alunos da escola de Porto Alegre e datado de 1951, foi encontrado dias atrás, em um cofre da instituição de ensino.

A reportagem é de Itamar Melo, publicada pelo jornal Zero Hora, 23-05-2015.

Diretor da editora da Catholic University of America e coautor de Albert Einstein: A Biography, Lipscombe analisou uma imagem da correspondência a pedido de Zero Hora. Segundo ele, há vários elementos que sugerem a autenticidade:

– Há boas razões para acreditar que a carta é genuína. As cartas de Einstein eram certamente datilografas e, pela imagem enviada, a assinatura parece ser a dele. Mas talvez o mais importante é que Einstein recebia muitas cartas de crianças de todo o mundo e com frequência achava tempo para respondê-las.

Segundo o acadêmico, essa disponibilidade era especialmente verdadeira durante os anos em que o Prêmio Nobel de Física viveu em Princeton, nos Estados Unidos – o que seria o caso da missiva conservada no Colégio Anchieta. O biógrafo afirma ainda que o conteúdo é típico de Einstein:

– A adorável frase “não siga o exemplo da galinha quando você pode ser a cotovia” tem a ludicidade que se acha com frequência nas cartas de Einstein aos jovens.

Mensagem semelhante é oferecida por R$ 24 MIL

A correspondência entre o criador da Teoria da Relatividade e crianças de todo o mundo era tão frequente que há até livros a reuni-la. Uma coletânea, Dear Professor Einstein (editada em Portugal como Querido Professor Einstein), organizada por Alice Calaprice, conta com um prefácio de Evelyn Einstein, neta do físico, que explica a importância que ele dava a esse contato com os estudantes: “Esta coleção é uma bela demonstração da estima que as crianças tinham por meu avô e da sua disposição para responder a algumas delas, embora ele fosse mais ocupado do que a maioria das pessoas. Ele respeitava as crianças e gostava da sua curiosidade e criatividade e, portanto, não queria ignorá-las. É claro para mim que, ao contrário da maioria das cartas de celebridades de hoje, são mesmo palavras dele nas cartas”, escreveu Evelyn.

Cartas de Einstein são um item bastante valorizado por colecionadores. Uma delas, manuscrita, datada de 1954 e abordando visões do cientista sobre a religião, foi arrematada em leilão por US$ 3 milhões há pouco mais de dois anos. Em sites, é possível encontrar várias dessas missivas à venda, pelos mais variados preços. Uma delas, com características similares às da que está em posse do Anchieta (uma página datilografada e assinada) é oferecida pelo equivalente a R$ 24 mil.

Esquecida em um cofre por décadas

A carta escrita por Einstein aos alunos do Colégio Anchieta permaneceu esquecida por um longo período, dentro de um cofre com documentos antigos, no centro esportivo da instituição. Uma conversa despretensiosa desencadeou o seu resgate. Durante um encontro com colegas, o diretor João Claudio Rhoden, que foi aluno quatro décadas atrás, lembrou-se de que no passado se falava na existência do documento.

A partir dali, iniciou-se a busca, motivada pela comemoração dos 125 anos do Anchieta. No começo do mês, a carta foi achada. Consistia de uma folha datilografada em alemão, com a assinatura manuscrita de Einstein. No mesmo envelope, foi encontrada uma foto do cientista. No verso, havia o selo de um fotógrafo radicado em Nova York, Marcel Sternberger, conhecido por retratar celebridades como Franklin Roosevelt, George Bernard Shaw, Sigmund Freud e o próprio Einstein.

– Há coisas que ficam tão bem guardadas que são esquecidas. Na comemoração dos nossos 125 anos, tivemos essa luz, e isso contagiou a comunidade – diz Dário Schneider, coordenador de unidade de Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Pesquisando arquivos, a direção do Anchieta descobriu que o documento foi trazido em mãos pelo jesuíta Gaspar Dutra, um ex-professor. Ele morou nos Estados Unidos, onde conheceu Einstein e pediu a mensagem. Depois da descoberta, a escola contratou a perita em grafoscopia Liane Pereira para certificar-se de que a carta era verdadeira. O primeiro passo da especialista foi buscar os chamados padrões – outros documentos com a caligrafia e a assinatura do físico alemão. Liane encontrou esse material em arquivos digitalizados. Também obteve, junto à Fundação Osvaldo Cruz, a imagem de uma assinatura feita por Einstein em visita ao Brasil. Depois de analisar o papel e a tinta, a perita fez a comparação entre os padrões e a caligrafia na folha encontrada na escola gaúcha.

O que diz a carta:

"Quem conheceu a alegria da compreensão conquistou um amigo infalível para a vida. O pensar é, para o homem, o que o voar é para os pássaros. Não toma como exemplo a galinha quando podes ser a cotovia. Para os estudantes do Colégio Anchieta, Brasil"

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