A revolução de Francisco também passa pela diplomacia

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19 Mai 2015

As duras críticas do Papa Francisco à globalização e a desigualdade mostraram-no, há muito tempo, como um líder que não teme mesclar a teologia e a política. Agora também está mostrando o poder diplomático do Vaticano. No ano passado, o Santo Padre ajudou a mediar num acordo histórico entre Cuba e os Estados Unidos, após meio século de hostilidades. Anunciou o primeiro acordo formal entre o Vaticano e o Estado da Palestina – um tratado que dá peso legal ao reconhecimento da Santa Sé ao Estado palestino de fato, apesar da perturbação de Israel. O Sumo Pontífice crispou os ânimos, no mês passado na Turquia, ao chamar de “genocídio” o massacre de 1,5 milhões de armênios em começos do século vinte, um fato que Ankara nega.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 17-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Após o introvertido pontificado de seu predecessor, o Papa Bento XVI, Francisco retornou de certa maneira à diplomacia ativa do Vaticano que praticava o Papa trota-mundos João Paulo II, cuja contribuição ao fim da Guerra Fria é reconhecida por muitos. Grande parte de seus esforços se concentrou em melhorar as relações entre os diferentes credos e proteger os cristãos perseguidos no Oriente Médio, uma prioridade da Igreja Católica. Sua diplomacia, no entanto, está menos alinhada com um um bloco como esteve durante os 27 anos de pontificado de João Paulo II, num mundo que é, hoje, cada vez mais fraturado geopoliticamente, onde não há dois blocos claros em disputa.

Isto se vê reforçado porque se trata do primeiro Papa latino-americano do mundo, uma região cuja turbulenta história, estendida em pobreza e uma relação de amor e ódio com os Estados Unidos lhe deram antecedentes políticos totalmente diferentes aos de qualquer um de seus predecessores europeus. “Sob este Papa a política externa do Vaticano olha para o Sul”, disse Massimo Franco, um reconhecido analista político italiano e autor de vários livros sobre a Santa Sé.

Franco disse que o Santo Padre se havia cuidado de apoiar um lado em temas como a Ucrânia, onde nunca definiu a Rússia como um agressor, porém sempre se referiu ao conflito entre o Governo e os rebeldes respaldados por Moscou como uma guerra civil.

Este enfoque procura garantir que Francisco mantenha sua credibilidade em países como a Síria, Rússia ou Cuba, todas elas nações nas quais o Sumo Pontífice sente que pode ajudar da melhor maneira os cristãos locais a manterem um rumo independente.

Muitos católicos conservadores estão descontentes com a atenção que o Papa deu a assuntos como a injustiça econômica e seu tom relativamente tolerante com temas sociais sensíveis como a homossexualidade e o status das pessoas divorciadas, pelo que posturas marcadas em temas diplomáticos delicados poderiam provocar mais divisão na Igreja. Nesse ponto enfrentará uma prova em setembro, durante sua próxima visita aos Estados Unidos, onde alguns católicos conservadores são abertamente hostis ao seu pontificado.

Depois de ajudar a propiciar o acordo do ano passado para restaurar as relações diplomáticas entre Havana e Washington, Francisco recebeu críticas de vários conservadores estadunidenses, incluindo Marco Rubio, um candidato à nomeação presidencial do Partido Republicano. Rubio, filho de imigrantes cubanos e católico praticante, evitou exortar diretamente o Papa Francisco, mas disse que o Santo Padre deveria “assumir a causa da liberdade e a democracia” em Cuba. Esse tipo de críticas veladas de um político que normalmente seria considerado um férreo aliado da Igreja reflete o incômodo que alguns católicos sentem com a mudança que Francisco introduziu numa das instituições mais conservadoras do mundo.

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