Fome no mundo. Papa diz que Deus chamará a julgamento os que cometem pecados ambientais

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14 Mai 2015

O Papa Francisco advertiu “os poderosos da Terra” que eles serão julgados por Deus caso não conseguirem proteger o meio ambiente a ponto de garantir que o mundo alimente a sua população.

“O planeta tem alimento para todos, mas parece que falta a vontade de compartilhá-lo com todos”, disse Francisco durante uma missa que marcou a abertura da Assembleia Geral da organização católica caritativa Caritas Internationalis.

A reportagem é publicada pelo jornal The Guardian, 13-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Devemos fazer aquilo que podemos para que todos tenham o que comer, mas também recordar aos poderosos da terra que Deus os chamará a julgamento um dia e se manifestará se realmente procuraram prover o alimento para Ele em cada pessoa e se trabalharam para que o ambiente não seja destruído, mas possa produzir esse alimento”.

Estes comentários notáveis por parte do pontífice argentino vieram na dianteira da publicação de uma encíclica papal sobre os aspectos éticos dos problemas ambientais. Esta encíclica está sendo grandemente aguardada pelos proponentes de ações e políticas que busquem minimizar a questão do aquecimento global.

Uma encíclica é um manifesto de princípios fundamentais destinados a orientar o ensinamento católico sobre um determinado assunto. É publicado na forma de uma carta do papa aos bispos de todo o mundo.

Ambientalistas em geral acreditam que um sinal do Papa Francisco, de que a Igreja vê o aquecimento global como um perigo grave, possa influenciar a discussão mundial sobre a severidade do problema, o que o tem causado e o que pode ser feito.

O papa deverá discursar na Cúpula Especial da ONU para o Desenvolvimento Sustentável em setembro, e a comunidade internacional buscará alcançar um acordo universal sobre as alterações climáticas durante um encontro em Paris no mês de dezembro.

Os céticos sobre as mudanças no clima sugeriram ao papa que não tomasse partido neste debate, porém, até agora, todos os sinais são que o pontífice considera este problema como sendo um resultado da atividade humana e uma questão que pode ser amenizada via ação política.

A Caritas é uma confederação de 165 grupos católicos de caridade e ajuda. Tem atuação em 200 países em todo o mundo.

A cada quatro anos ela realiza uma assembleia geral. A edição deste ano – o primeiro durante o papado de Francisco – vai até sábado.

O arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, está cotado para assumir o cargo de presidente da organização, hoje ocupado pelo cardeal hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga. Este último deixa a função após trabalhar nela por dois mantados, limite máximo adotado pela Caritas.

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