Al Gore: "Eu poderia tornar-me católico" por causa do posicionamento do papa sobre o aquecimento global

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13 Mai 2015

Assim como Paulo na estrada de Damasco, Al Gore teve uma revelação que ele poderia tornar-se católico. Não porque teve qualquer revelação religiosa, mas por causa da preocupação do Papa Francisco com o aquecimento global.

A reportagem é de Michael Bastasch, publicada no sítio Daily Caller, 05-05-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

"Eu acho que o Papa Francisco é realmente uma figura bastante inspiradora", disse Gore durante um evento na Universidade da Califórnia, em Berkeley. "Um fenômeno. Eu estou impressionado com a clareza da força moral que ele encarna".

"Bem, eu já disse publicamente no ano passado, fui criado na tradição da Igreja Batista do Sul, mas eu poderia me tornar um católico por causa desse papa", disse Gore. "Ele é muito inspirador para mim. E eu sei que a grande maioria dos meus amigos católicos estão bastante emocionados porque ele está fornecendo esse tipo de liderança espiritual".

As observações de Gore chegam quando o Papa Francisco está preparando-se para disponiblizar uma encíclica sobre o aquecimento global. Espera-se que Francisco fale contra a queima de combustíveis fósseis para geração de energia e defenda a descarbonização das economias do mundo.

Um documento de uma reunião no Vaticano entre líderes e acadêmicos de várias partes do mundo, na semana passada, disse que "a exploração de combustíveis fósseis está cobrando um pedágio enorme do bem-estar humano".

"As forças de mercado por si só, privadas de valores éticos, não conseguem resolver as crises entrelaçadas da pobreza, da exclusão e do ambiente", relata o documento. "A mudança para um mundo sustentável não será para todos sem custo: as opções que enfrentamos não são vantajosas para todos".

Segundo o documento, "devemos estar preparados para aceitar uma redistribuição dos benefícios e dos encargos que acompanham as atividades humanas, tanto dentro das nações quanto entre as nações".

O Papado e as Nações Unidas uniram forças para que os países concordem em assinar um tratado climático global quando os delegados reunirem-se em Paris em dezembro. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que abordar o aquecimento global é "um imperativo moral urgente".

"É uma questão moral", disse Ki-moon. "É uma questão de justiça social, direitos humanos e ética fundamental".

"Se alguma vez houve uma questão que requer uma unidade de propósito, essa é a mudança climática", acrescentou. "A ciência nos diz que estamos longe de reduzir as emissões globais de forma a manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2° C. No momento, estamos a caminho de um aumento de 4 a 5° C. Isso alteraria a vida na Terra do jeito que a conhecemos".