O papa e Raúl Castro: um face a face ''familiar'' de 55 minutos

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10 Mai 2015

Um face a face "familiar". Um diálogo coloquial e descontraído. Assim foi a audiência concedida pelo Papa Francisco ao presidente de Cuba, Raúl Castro Ruz, na manhã desse domingo, no Vaticano. Os dois, em estrita solidão, conversaram por 55 minutos. Falaram da viagem apostólica à ilha em setembro próximo, e o mandatário cubano agradeceu pela intervenção pontifícia no "degelo" com os Estados Unidos.

A reportagem é de Andrés Beltramo Alvarez, publicada por Vatican Insider, 10-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pouco depois das 9h20min locais, o líder católico chegou à Plaza del Hongo, na entrada posterior da Sala Paulo VI. Ele se transferiu caminhando da sua residência, a pouco distante Casa Santa Marta, acompanhado apenas pelo seu mordomo, que segurava uma pasta de couro preto para ele.

Imediatamente depois, deslocaram-se até ali o responsável pelas Relações com os Estados da Santa Sé, Paul Richard Gallagher, e o sostituto da Secretaria de Estado, Giovanni Angelo Becciu. Com eles, também esteve Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia, que recebeu Castro na porta. Os diplomatas saudaram apenas no início e depois se retiraram.

"Bem-vindo!" foi a palavra com a qual o papa recebeu o seu convidado. De lá, ambos se deslocaram até o escritório privado, onde permaneceram até depois das 10h25min.

"O clima da conversa foi extremamente cordial, familiar, foi uma premissa para a próxima viagem. O presidente falou da acolhida e da expectativa do povo cubano para a ida do papa. O presidente Castro, antes de sair, dirigiu-se à delegação cubana, composta por cerca de 10 pessoas. Dirigindo-se aos jornalistas, ele disse que também tinha vindo para agradecer ao Santo Padre pela sua contribuição para a melhoria das relações com os Estados. Na conversa privada, falaram longamente e sem intérpretes. Isso fala do clima de familiaridade estabelecido", explicou aos repórteres o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Federico Lombardi.

Depois do face a face, ocorreu uma breve troca de presentes. O presidente deu ao bispo de Roma uma medalha comemorativa dos 200 anos da Catedral de Havana, da qual só 25 foram fabricadas. Além disso, também lhe entregou um quadro, obra do pintor cubano Kcho, representando uma grande cruz realizada com barcaças e a cujos pés pode-se ver um homem rezando.

O artista, especialmente interessado em questões sociais, em 2014, apresentou uma mostra no Palácio da Chancelaria de Roma e, nessa ocasião, enviou uma carta a Francisco, à qual o pontífice respondeu.

"Ele teve a inspiração a partir da viagem do papa à (ilha italiana de) Lampedusa, da sua preocupação com os problemas dos migrantes e dos refugiados. Também se baseou no fato de o papa ter chamado a atenção mundial para o problema dos migrantes", acrescentou Lombardi.

Por sua parte, Jorge Mario Bergoglio entregou um medalhão com a imagem de São Martinho de Tours e, ao fazer isso, explicou ao presidente que ele costuma presenteá-lo com muito prazer aos chefes de Estado que o visitam, porque a imagem mostra o santo cobrindo um pobre com o seu manto. "É preciso cobrir os pobres, mas também se ocupar com a sua promoção", afirmou.

Ele também deu uma cópia da sua exortação apostólica Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho) e explicou que o texto "tem uma parte religiosa e uma parte social", acrescentando outra frase: "Aqui está uma das declarações que o senhor tanto gosta".

O líder católico, depois, cumprimentou a delegação cubana, composta por cerca de 10 pessoas, incluindo o vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrizas Ruíz; o chanceler, Bruno Rodríguez, e o embaixador junto à Santa Sé, Rodney Alejandro López Clemente. Ele acompanhou o seu hóspede até a porta, onde ambos se despediram.

Mais tarde, ao sair da Sala Paulo VI, Francisco dirigiu algumas palavras aos jornalistas, que ainda estavam no lugar. Abençoou-lhes, pediu-lhes para que rezassem por ele e concluiu, brincando: "Certamente, eu estraguei o domingo de vocês!".

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