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Por: Jonas | 06 Março 2015

“A comunicação é, antes de tudo, uma relação sociocultural que não pode se restringir aos meios de comunicação e a suas tecnologias, que transcende o aspecto estritamente técnico e do desenvolvimento de habilidades para se localizar, sobretudo, no espaço das relações entre sujeitos emoldurados em contextos sociais e culturais”, escreve o jornalista Washington Uranga, em artigo publicado por Página/12, 04-03-2015. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A política e a comunicação se cruzam na cena da vida cotidiana atual. A partir dos âmbitos políticos e acadêmicos se insiste na incidência que tem o sistema de meios de comunicação como fator, quase determinante para alguns, nas decisões políticas dos cidadãos. É uma afirmação que, embora não possa se contradizer absolutamente, ao menos deve ser tomada com prudência. Ficou demonstrado em muitas ocasiões que os cidadãos possuem suficiente critério próprio para atuar com autonomia a respeito das opiniões insistentemente reiteradas pelos meios de comunicação e seus editorialistas.

Também se fala da influência das redes sociais. Em 2008, o então candidato Barack Obama utilizou as redes sociais como importante trampolim para chegar à presidência dos Estados Unidos e, a partir daí, o uso das tecnologias começou a ser considerado de maneira diferente. Sobretudo, porque além de conseguir apoio político, Obama obteve 500 milhões de dólares em pequenas doações que contribuíram para o financiamento de sua campanha.

Circulam outras mostras no mesmo sentido e, sobretudo, por causa da importância que se atribui às redes no lançamento de expressões públicas e na construção de convocações. Tais exemplos vão desde a contribuição das redes sociais nas revoltas do Oriente Médio até as manifestações na Europa. No local há alguns exemplos que abonam esta ideia da incidência.

Segundo muitas opiniões – mesmo quando ainda os estudos sobre a matéria não trazem conclusões terminantes -, as redes sociais potencializam os fenômenos presentes em diferentes espaços da sociedade, mas não surgem do nada. O que não existe, nem que seja de maneira incipiente, não pode ser criado pelas tecnologias da comunicação.

Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, afirma que “seria tremendamente arrogante para uma empresa tecnológica reivindicar um papel nos movimentos de protesto. Talvez, o Facebook pôde contribuir e apresentar ferramentas, mas seu papel foi muito menos relevante do que disseram os meios de comunicação”, sustenta.

Uma pergunta possível é: pode o sistema massivo de meios de comunicação e as chamadas redes incidirem de maneira decisiva na opinião política dos cidadãos? A resposta mais aceita pelos especialistas destaca que a maior influência está dada no estabelecimento da agenda, mas não na determinação das posições políticas. Ou seja, condiciona-se a respeito do que se fala e de que maneira se fala. Porém, não da mesma maneira em que se opina. E isso se torna mais evidente na hora dos pronunciamentos eleitorais. É verdade que não se pode votar em quem não se conhece. No entanto, as pessoas não votam em quem mais aparece, ou em quem é destacado pelos “formadores de opinião”, mas, sim, votam a partir de suas próprias convicções. E tais convicções são forjadas em experiências pessoais que são complexas e atravessadas pelas vivências socioculturais.

Por quê? Certamente porque a comunicação – como fenômeno complexo e multidimensional – é um processo social e cultural de produção, troca e negociação de formas simbólicas entre os indivíduos e os atores sociais. E esta construção está acima, não à margem, dos dispositivos tecnológicos. A comunicação é, antes de tudo, uma relação sociocultural que não pode se restringir aos meios de comunicação e a suas tecnologias, que transcende o aspecto estritamente técnico e do desenvolvimento de habilidades para se localizar, sobretudo, no espaço das relações entre sujeitos emoldurados em contextos sociais e culturais.

Não se trata de negar a influência dos meios massivos de comunicação e das redes, mas, sim, de relativizar sua incidência, evitar simplificações e complexificar a análise que se faz do fenômeno da comunicação em todas as suas dimensões. Porque também – e especialmente – se comunica face a face, no encontro com o outro, no sistema educacional, no âmbito da ação política, social, nos movimentos religiosos. E assim se poderia continuar. Em todos esses lugares se constroem sentidos, formas de entender e de nos entender, que também influem na maneira de construir o pensamento político e o posicionamento no marco da sociedade e da cultura.

Em outras palavras, os meios de comunicação, as redes e suas tecnologias possuem muita importância na política atual. Ninguém pode negar. Porém, ao mesmo tempo, o comunicacional é muito mais do que meios de comunicação e tecnologias porque está necessariamente integrado à cultura, à complexidade do social e do político. E nisso também exerce um papel as histórias pessoais e coletivas, as marcas dos momentos vividos, a memória, as experiências e as práticas cotidianas de cada um dos atores e dos coletivos aos quais cada um pertence.

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