O ''cenáculo'' do Papa Francisco

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18 Fevereiro 2015

Eles se chamam "Il Cenacolo di Papa Francesco". São um grupo de fiéis de diversos países, articulado em torno de três cardeais (Walter Kasper, Francesco Coccopalmerio e Gualtiero Bassetti), com um único objetivo: "Colaborar com o Papa Francisco, a partir da convicção da importância que o papel do papado tem neste momento como autoridade moral e personalidade influente na opinião pública mundial". O teólogo José María Castillo é membro fundador desse fórum, que também inclui o site Religión Digital como único meio de comunicação espanhol.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada no sítio Religión Digital, 15-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A iniciativa surgiu no verão passado, pensando na necessidade de se organizar para defender o papa e divulgar o seu pensamento contra os "lobos" que continuam atacando o pontífice. O presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, alvo fácil dos ultraconservadores, assim como o atual presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos asseguram a catolicidade do projeto.

Jornalistas, sacerdotes, teólogos, educadores somam-se a Il Cenacolo, que, nos próximos meses, delimitará as suas atuações. Para José María Castillo, esse grupo "é muito variado. Nele, há clérigos e leigos, mulheres e homens, profissionais da teologia, do ensino e dos meios de comunicação".

O organizador é o vaticanista Raffaele Luise, homem de longa experiência nos assuntos da Cúria e do papado. "Há no grupo três cardeais (W. Kasper, G. Bassetti, F. Coccopalmerio), alguns bispos, vários teólogos, correspondentes de redes de informação, escritoras e escritores. Pessoas que, em última análise, podem influenciar de forma mais eficaz na opinião pública", acrescenta Castillo.

O que se pretende ao criar esse grupo? "Duas coisas: primeiro, defender o papado e, concretamente, agora, o atual bispo de Roma, o Papa Francisco. Segundo, divulgar o seu pensamento, a sua ideia de Igreja, a sua teologia do povo e para o povo, a sua sensibilidade evangélica e a sua proximidade a todos os tipos de pessoas, sejam qual forem as suas ideias ou crenças".

Porque, acrescenta Castillo, o que importa, "mais do que defender os 'dogmas' e a 'ortodoxia' doutrinal, algo certamente importante, é acima de tudo defender a vida das pessoas, a dignidade dos seres humanos, os direitos de todos. Porque o Papa Francisco está profundamente convencido de que só mediante o Evangelho, feito vida em nós, a Igreja faz sentido e pode cumprir a sua missão no mundo".

"Se algo está se evidenciando desde que Bergloglio foi eleito papa – acrescenta o teólogo espanhol – é que, na Igreja, há muitas pessoas que estão com o papa enquanto o papa defende o que alguns querem que o papa defenda. Ou seja, são muitos os que querem um papa sob medida. E isso não é o que Jesus quis."

É tão forte a oposição contra o papa? Por quê? Castillo responde utilizando um texto de Johann Baptist Metz. "A fé dogmática ou confessional é o compromisso com determinadas doutrinas que podem e devem ser entendidas como fórmulas rememorativas de uma reprimida, indomada, subversiva e perigosa memória da humanidade. O critério do seu genuíno caráter cristão é a periculosidade crítica e libertadora e, ao mesmo tempo, redentora, com a qual atualizam a mensagem lembrada, de modo que 'os homens se assustem dele e, no entanto, sejam avassalados com a sua força'".

As profissões de fé e os dogmas, para Castillo, são "fórmulas mortas, vazias quando os conteúdos que trazem à memória não põem de manifesto essa periculosidade". Por isso, acrescenta, "compreende-se que há pessoas de poder que se opõem ao papa e até podem parecer uma séria ameaça para ele. Porque há pessoas de poder na Igreja, que alcançaram esse poder com a força da escalada. Estes não são os mais perigosos. Os mais preocupantes são aqueles que se baseiam não em favores recebidos, mas em 'dogmas e tradições', em que veem que se joga a sua própria salvação. Isso é grave. E preocupante".

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