Cardeal Pell criticado por buscar impedir que vítimas de abusos processem a Igreja

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13 Fevereiro 2015

A Igreja desapontou sistematicamente sobreviventes de abusos na Austrália, segundo uma comissão que investigou o caso da Arquidiocese de Sydney.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (11 de fevereiro), uma comissão de investigação criticou enfaticamente a adesão da Igreja ao protocolo intitulado Towards Healing [“Em direção à cura”, em tradução livre]. Este protocolo apresenta diretrizes sobre como ligar com as acusações de abusos na Igreja e foi produzido pelos bispos australianos.

A reportagem é de Liz Dodd, Mark Brolly, publicada por The Tablet, 11-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Numa série de casos investigados, descobriu-se que a Igreja não agiu de acordo com estes princípios. Num caso, ela impôs a obrigação do silêncio a uma vítima e, em outro, falhou em fornecer assistência e orientação espiritual.

O relatório também disse que a Arquidiocese de Sydney e o Cardeal George Pell deliberadamente combateram as acusações de uma vítima, John Ellis, para dissuadir outros a tomar medidas legais.

O texto informa que o Cardeal Pell, nomeado em fevereiro de 2014 pelo Papa Francisco para liderar a nova Secretaria para a Economia e arrumar as finanças do Vaticano, admitiu isto numa audiência pública no mês seguinte.

John Ellis foi abusado na década de 1970 quando tinha idade entre 13 e 17 anos pelo Pe. Aidan Duggan, sacerdote de Sydney de naturalidade escocesa. Quando uma ação sob as diretrizes do Towards Healing não teve sucesso, Ellis processou na justiça, em 2004, o Pe. Duggan, o Cardeal Pell (este na qualidade de arcebispo de Sydney) e o organismo jurídico da Igreja local. O Pe. Duggan veio a morreu em 2004.

Mas a ação na justiça também não teve sucesso, com o Tribunal de Apelações considerando que nem o Cardeal Pell nem a pessoa jurídica poderiam ser responsabilizados pela conduta criminosa de Duggan, pois a Igreja não era uma entidade legal e porque Pell não era arcebispo de Sydney na época do abuso.

Os críticos disseram que este caso acabou criando um escudo de proteção à Igreja para com as ações judiciais, mas as autoridades religiosas têm sustentado que se tratou simplesmente de uma defesa jurídica, em de que não se pode ser responsabilizado pela má conduta de outras pessoas, a menos que se é direta ou indiretamente responsável por supervisionar o seu comportamento.

Num relatório condenatório relativo à forma como a Igreja lidou neste caso, os membros da comissão consideraram que a Igreja “desapontou profundamente” o abusado por agir injustamente e sem compaixão por suas necessidades pastorais.

O texto acusou a Igreja de colocar-se numa posição onde ela pode se proteger em vez de proteger o que sofreu abusos.

“A arquidiocese concluiu, erroneamente, que o Pe. Duggan não havia abusado o sr. Ellis. Esta conclusão permitiu que o Cardeal Pell instruísse os advogados arquidiocesanos a manter a não confissão de abuso de Ellis”.

“A arquidiocese aceitou o conselho dos seus advogados para defender-se, de todas as formas, da acusação de John Ellis. Um motivo que levou o Cardeal Pell a aceitar este conselho foi o de encorajar outros acusadores potenciais a litigar as acusações de abuso sexual infantil contra a Igreja”, lê-se no relatório.

“A Comissão Real concorda que a arquidiocese, os administradores e o Cardeal Pell, na qualidade de arcebispo, não agiram de forma justa do ponto de vista cristão na condução da litigância contra o sr. Ellis”, concluiu.

A Igreja gastou mais de 1 milhão de dólares australianos combatendo esta acusação e o forçou o acusador, John Ellis, a se submeter ao que o relatório chamou de um “exame angustiante e desnecessário”.

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