Papa Francisco: “Não há lugar no ministério para quem abusa de menores”

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06 Fevereiro 2015

O Papa Francisco enviou uma carta aos presidentes das conferências episcopais e ordens religiosas do mundo todo, pedindo-lhes para cooperarem com todas as iniciativas para evitar o abuso sexual de menores e proteger os adultos vulneráveis com “justiça e misericórdia”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 05-02-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Ao exortar tais líderes religiosos a cooperarem com uma nova comissão vaticana que o assessora em assuntos envolvendo abusos sexuais, Francisco também afirmou: “Não há lugar no ministério para quem abusa de menores”.

A carta do papa, assinada em 2 de fevereiro, foi publicada pelo Vaticano nesta terça-feira. A publicação vem um dia antes de a nova comissão se encontrar pela primeira vez no Vaticano com todos os seus 17 membros.

Esta comissão, presidida pelo Cardeal Sean O’Malley, de Boston, estará reunida em Roma na próxima sexta-feira e no sábado. Anunciada em dezembro de 2013, Francisco adicionou novos membros a ela no último mês de dezembro e incluiu dois sobreviventes de abusos sexuais cometidos pelo clero entre os componentes.

Resta saber ainda qual o papel que a comissão irá desempenhar na burocracia central do Vaticano ou como o papa ou os prelados locais vão encarar as suas possíveis recomendações.

O porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, disse numa coletiva de imprensa nesta quinta-feira que ele não sabia se os membros da nova comissão papal pediram ao papa esta carta, mas isto parece pouco provável já que eles ainda teriam que se encontrar com todos os seus membros. Lombardi também falou que deseja conceder uma outra coletiva de imprensa sobre o trabalho da comissão durante os dias de encontro. Ela provavelmente acontecerá no sábado.

Embora a carta do papa não anuncie nenhuma iniciativa nova sobre os casos de abuso sexual, ela parece assumir um tom mais direto em comparação com os esforços vaticanos do passado.

Nela, o papa também afirma que a prioridade em evitar casos de abuso não é apenas para evitar escândalos públicos, mas para tornar a Igreja um lugar seguro para as crianças. Ele também pede aos bispos diocesanos e superiores das ordens religiosas para criarem programas de acompanhamento pastoral e se encontrarem com os sobreviventes dos abusos.

Ao mencionar um encontro que teve em julho passado com sobreviventes de abusos sexuais, o papa escreve que ele “ficou profundamente comovido pelo testemunho destas pessoas, com a intensidade de seus sofrimentos e com a solidez de sua fé”.

“Esta experiência confirmou ainda mais a minha convicção de que devemos continuar fazendo todo o possível para erradicar da Igreja a chaga dos abusos sexuais contra menores e abrir um caminho de reconciliação e cura em favor daqueles que foram abusados”, afirma o papa.

Ao se referir ao trabalho da nova comissão, Francisco diz acreditar que ele “pode ser um novo, válido e eficaz instrumento para ajudar a animar e promover o compromisso de toda a Igreja em todos os níveis (…) a implementar as ações necessárias para garantir a proteção dos menores e adultos vulneráveis e dar respostas de justiça e de misericórdia”.

“As famílias precisam saber que a Igreja não poupa esforços para proteger os seus filhos”, continua o pontífice na carta. “Elas têm que saber também que possuem o direito de dirigir-se à [Igreja] com toda a confiança, porque é uma casa segura”.

“Portanto, não poderá ser dada prioridade a outro tipo de considerações, de qualquer natureza que sejam, como por exemplo o desejo de evitar o escândalo, pois não há absolutamente lugar no ministério para aqueles que abusam de menores”, afirma.

“Aos bispos diocesanos e aos superiores maiores cabe a responsabilidade de verificar que nas paróquias e nas outras instituições da Igreja seja garantida a segurança dos menores e dos adultos vulneráveis”, escreve o papa.

Francisco também exorta as dioceses e ordens religiosas a “identificar programas de acompanhamento pastoral, que poderão utilizar a contribuição de serviços psicológicos e espirituais”.

“[Espero que] os pastores e os responsáveis das comunidades religiosas estejam disponíveis para o encontro com as vítimas e seus entes queridos”, afirma. “Tais ocasiões são preciosas para ouvir e para pedir perdão àqueles que sofreram muito”.

“Agora peço a sua total colaboração e atenção à Comissão para a Tutela dos Menores”, afirma o papa.
“O trabalho desta Comissão inclui a ajuda aos senhores e às suas conferências nacionais, através do recíproco intercâmbio das melhores práticas e de programas de educação, formação e instrução no que diz respeito à resposta a ser dada aos abusos sexuais”.

A carta de quinta-feira foi publicada pelo Vaticano em três idiomas: italiano, inglês e espanhol, e pode ser lida aqui.

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