Ainda polêmicas sobre o canal transoceânico: os Bispos convidam à clareza

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15 Janeiro 2015

“Improvisado” e “sem ser verificado tecnicamente”: com estes termos o presidente da Academia das Ciências da Nicarágua, Manuel Ortega Hegg, definiu a “modificação” no percurso do Canal transoceânico, para conectar o Pacífico e o Atlântico, anunciado dia 10 de janeiro pelo porta-voz da Comissão do Grande Canal, Telemaco Talavera. Segundo o porta-voz, o canal de fato não passará mais através da zona de El Tule, Rio San Juan (ver Fides 25/11/2014), cuja população havia vivamente protestado.

A reportagem foi publicada pela Agência Fides, 13-01-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Para Ortega Hegg, “as modificações devem ser baseadas sobre estudos ambientais, sociais e de engenharia. Isto demonstra que de certo modo há improvisação no projeto e reflete o fato de que não se esteja fazendo as coisas com a seriedade que requerem”. Segundo a nota enviada a Fides de uma fonte local, Talavera respondeu afirmando que “precisamente porque há seriedade e responsabilidade, informamos mudanças, com o fim de reduzir o impacto ambiental e social”. Também algumas personalidades políticas expressaram perplexidade ante o fato de que em apenas dois governos se tenha modificado o percurso do canal, na hipótese de que isso sirva somente para silenciar os protestos da população.

Sua Excia. Mons. Rolando Alvarez, Bispo de Matagalpa, disse esperar do governo a comunicação oficial do percurso definitivo para a construção do Grande Canal: “Esperamos ver qual será o percurso final específico do projeto, de modo que para todos seja clara a situação”.

Os Bispos da Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) escutaram as explicações dos peritos sobre o impacto que teria a construção do canal, junto à Academia das Ciências da Nicarágua. Sua Excia. Mons. Silvio Baez, Bispo auxiliar de Manágua, sobre sua observação no Twitter referiu a respeito: “Nós não somos contrários ao Canal. Mas, se for feito como proposto agora, será um desastre”.

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