Manual para entender o massacre de Baga, na Nigéria

Mais Lidos

  • Basf é “efetiva empregadora” de trabalhadores encontrados em situação análoga à escravidão em Uruguaiana, RS

    LER MAIS
  • “Parece que ser um psicopata traz vantagens eleitorais”. Entrevista com Néstor García Canclini

    LER MAIS
  • Belo Monte: uma oportunidade para Lula e para o PT. Artigo de Eliane Brum

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

13 Janeiro 2015

Gustavo Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, escreve sobre o massacre de Baga, na Nigéria, impetrado por militantes do Boko Haram. A matéria é publicada no seu blog, 12-01-215.

Eis o texto.

O que ocorreu em Baga?

Militantes do Boko Haram massacraram habitantes desta cidade da Nigéria. Alguns especulam que 2.000 pessoas morreram. Outros relatos falam em dezenas ou centenas.

Por que não se sabe exatamente o número de vítimas?

Porque quase não há jornalistas na região e o acesso de habitantes à internet é precário. Fica difícil saber exatamente

O que é o Boko Haram?

Boko Haram, em hausa, uma língua local, quer dizer algo como “educação ocidental é pecado”. Foi fundado em 2002 para educar muçulmanos nesta região da Nigéria e em países vizinhos. A partir de 2009, se tornou uma organização violenta, responsável por centenas de atentados. Teria, inclusive, nos últimos anos, se aliado à Al Qaeda. Seus principais alvos são organizações ocidentais e cristãs. Neste ano, sequestrou centenas de meninas em um de seus ataques

Os muçulmanos condenam o Boko Haram?

Sim, as principais organizações islâmicas do mundo condenam abertamente este grupo terrorista

E o governo e o Exército da Nigéria, não faz nada?

O presidente Goodluck Jonathan condenou o atentado terrorista em Paris, mas, de forma grotesca e repugnante, não se manifestou sobre o massacre cometido pelo Boko Haram em Baga. Em fevereiro, ele enfrentará eleições e não quer ser responsabilizado pela sua incompetência no combate ao grupo terrorista. O Exército nigeriano também tem sido extremamente ineficiente. Note-se, inclusive, que, em abril de 2013, militares queimaram milhares de casas e mataram 200 pessoas em Baga. Sabe-se lá o porquê, argumentaram que estavam se vingando do Boko Haram ao matar a população civil.

Como é a divisão religiosa e étnica da Nigéria?

Conforme escrevi em um post no Estadão no passado, o país possui mais de 250 etnias. As principais são a Hausa (29%), Yoruba (21%) e Igbo (18%). Estas etnias se dividem em 50% de muçulmanos, que se concentram mais no norte do país, 40% de cristãos, mais ao sul, além de 10% de outras religiões. O Boko Haram, embora fale em nome dos muçulmanos, não conta com o apoio da maior parte da população islâmica, que condena os atentados

Por que houve mega manifestações em solidariedade aos mortos de Paris mas não ocorreu o mesmo com os de Baga?

Primeiro, o problema é não ter ocorrido manifestações envolvendo Baga. As de Paris eram necessárias e foi um momento mágico de união mundial contra o terrorismo (lamentável a ausência de uma figura do alto escalão americano e brasileiro).

Em segundo lugar, porque as pessoas em geral tinham informação do que ocorreu em Paris, mas não tinham de Baga.

Terceiro, há imagens do ataque em Paris, uma cidade que todos conhecemos pessoalmente ou de fotos e filmes. É mais familiar.

Quarto, o governo francês, ao contrário do nigeriano, ficou na vanguarda do combate ao terrorismo.

Quinto, porque de fato somos hipócritas e a morte de africanos, mesmo se comparada à de mortos no Oriente Médio, tem menos impacto.

Sexto, porque há poucos jornalistas especializados em África. Há vários que conheço que acompanham a Síria, Irã e Israel (eu sou um caso). Mas poucos que se especializam na África. Os órgãos de imprensa também dão pouco espaço para o continente africano

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Manual para entender o massacre de Baga, na Nigéria - Instituto Humanitas Unisinos - IHU