“Que a América Latina seja forjada pelos pobres e humildes”, pede Francisco

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Por: André | 16 Dezembro 2014

Perturba os juízos mundanos. Destrói os ídolos do poder, da riqueza e do êxito a todo custo. Denuncia a autossuficiência, a soberba e os messianismos secularizados que afastam de Deus. Esse é o poder do “cântico de Maria”, a Virgem de Guadalupe, que se manifestou ao indígena Juan Diego. Esse mesmo cântico ressoou na sexta-feira, dia 12, na Basílica de São Pedro, em forma de melodias latino-americanas. O Papa Francisco honrou a padroeira mexicana e pediu para confiar nela diante das ameaças das atitudes “pusilânimes” e “mundanas”.

 
Fonte: http://bit.ly/12EgK5l  

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez e publicada no sítio Vatican Insider, 13-12-2014. A tradução é de André Langer.

Foi uma celebração eucarística em espanhol, com momentos em português, inglês, italiano e até em nahuatl, que atingiu seu ápice quando a cantora argentina Patricia Sosa cantou o Cordeiro de Deus. Ela esteve acompanhada pelo violão, charango e piano, tocado por Facundo, filho de Ariel Ramírez, genial compositor argentino que há 50 anos compôs a Missa Crioula.

O Papa degustou compenetrado a mescla de sons litúrgicos entre o coro da Capela Sistina e os músicos de seu país natal. E, na sua homilia, pronunciada em espanhol, disse que a América Latina ainda é o “continente da esperança”, como gostava de dizer João Paulo.

Recordou que Deus, segundo seu estilo, “escondeu suas coisas aos sábios e entendidos” e as revelou “aos pequenos, aos humildes e aos simples de coração”, como era o índio Juan Diego, a quem apareceu em 1531.

“Hoje nos sentimos movidos a pedir uma graça. A graça tão cristã de que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e pelos que sofrem, pelos humildes, pelos que têm fome e sede de justiça, pelos compassivos, pelos que têm o coração limpo, pelos que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo, porque deles é o Reino dos céus. Seja a graça de ser forjado por eles que, ainda hoje, são relegados à categoria de escravos, de objetos de aproveitamento ou simplesmente desperdício pelo sistema idolátrico da cultura do descarte”, clamou.

E acrescentou: "E nós fazemos este pedido porque a América Latina é o continente da esperança, porque esperamos dela novos modelos de desenvolvimento que conjuguem a tradição cristã e o progresso civil, a justiça e a equidade com a reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com a sabedoria, o sofrimento fecundo com alegria esperançosa. Só é possível guardar essa esperança com grandes doses de verdade e amor, fundamentos de toda a realidade, motores revolucionários de autêntica vida nova".

Francisco destacou que são os povos e nações da “nossa Pátria Grande”, a “Pátria Grande Latino-Americana” que comemoram com alegria a festividade de sua padroeira, Nossa Senhora de Guadalupe, cuja devoção se estende do Alasca à Patagônia.

Assegurou que ao apresentar-se a Juan Diego no Monte Tepeyac, Nossa Senhora correu para abraçar os novos povos americanos, que estavam então em uma dramática gestação. Então se converteu em um “grande sinal que apareceu no céu”, era “uma mulher vestida de sol” que assumiu em si a simbologia cultural e religiosa dos povos originários, convertendo-se na mais importante missionária.

“A Santa Mãe de Deus visitou estes povos e quis ficar com eles. Deixou estampada misteriosamente a sua imagem no manto de seu mensageiro para que a tivéssemos bem presente, convertendo-se em símbolo da aliança de Maria com estes povos, a quem confere alma e ternura. Por isso, nós, hoje aqui, podemos continuar louvando a Deus pelas maravilhas que operou na vida dos povos latino-americanos”, disse.

Precisou que somente Cristo é “o libertador” de todas as escravidões e misérias derivadas do pecado, ele é a pedra angular da história e foi o grande descartado.

“Ele nos chama para viver a verdadeira vida, uma vida humana, uma convivência de filhos e irmãos, já abertas as portas da nova terra e dos novos céus. E quando este programa tão audaz nos assusta ou a pusilanimidade mundana nos ameaça, que Ela volte a falar ao nosso coração e nos faça sentir sua voz de mãe, de mãezinha, por que está com medo, por acaso não estou aqui, eu que sou sua mãe?”, apontou.

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