''Discussão forte e livre no Sínodo. O papa é a garantia para todos''

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12 Dezembro 2014

No Sínodo Extraordinário sobre a família que ocorreu em outubro, "todos os padres puderam falar, e todos ouviram", dando origem a uma "forte discussão", realizada com "grande liberdade" e sem "censura prévia".

A reportagem é de Jacopo Scaramuzzi, publicada no jornal La Stampa, 10-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esse fato foi ressaltado pelo Papa Francisco, que, na audiência geral dessa quarta-feira, anunciou que vai iniciar, concluído um ciclo de catequeses sobre a Igreja, a partir da próxima quarta-feira, em vista do Sínodo Ordinário no próximo ano, para o qual o Vaticano publicou nessa terça-feira os Lineamenta (o relatório final passado e novas perguntas para as dioceses de todo o mundo), um novo ciclo dedicado ao tema da família.

A oportunidade também serviu para contar a sua experiência da primeira cúpula com um estilo diferente daquele das "crônicas esportivas ou políticas" dos meios de comunicação, aos quais o pontífice também quis agradecer pela cobertura do Sínodo, para reiterar que "nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do sacramento do matrimônio", para enfatizar que os "documentos oficiais" da assembleia são três, "a mensagem final, o relatório final e o discurso final do papa" (portanto, não o relatório "post disceptanionem" intermediário) e para ressaltar que "tudo aconteceu cum Petro et sub Petro, isto é, com a presença do papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, e garantia da ortodoxia".

"Iniciamos uma nova etapa, um novo ciclo, e o tema será a família", disse Jorge Mario Bergoglio, "um tema que se insere nesse tempo intermediário entre as duas assembleias do Sínodo, dedicadas a essa realidade tão importante. Portanto, antes de entrar no percurso sobre os diversos aspectos da vida familiar, hoje desejo começar justamente da assembleia sinodal do último mês de outubro, que tinha este tema: 'Os desafios pastorais sobre a família no contexto da nova evangelização'. É importante lembrar como ela ocorreu e o que produziu. Durante o Sínodo, as mídias fizeram o seu trabalho – havia muita expectativa, muita atenção – e lhes agradecemos porque o fizeram também com abundância. Tantas notícias, tantas! Isso foi possível graças à Sala de Imprensa, que a cada dia fez um briefing. Mas, muitas vezes, a visão das mídias era um pouco no estilo das crônicas esportivas ou políticas: muitas vezes se falava de duas equipes, pró e contra, conservadores e liberais etc. Hoje, eu gostaria de contar o que foi o Sínodo".

Acima de tudo, "eu – continuou Francisco – pedi que os padres sinodais falassem com franqueza e coragem, e escutassem com humildade, que dissesse com coragem tudo o que tinham no coração. No Sínodo, não houve censura prévia, mas cada um podia – mais, devia – dizer aquilo que tinha no coração, aquilo que pensava sinceramente. 'Mas isso dará discussão.' É verdade, ouvimos como os Apóstolos discutiram. Diz o texto: saiu uma forte discussão. Os Apóstolos gritavam entre si, porque buscavam a vontade de Deus sobre os pagãos, se podiam entrar na Igreja ou não. Era uma coisa nova. Sempre, quando se busca a vontade de Deus, em uma assembleia sinodal, há diversos pontos de vista e há a discussão, e isso não é uma coisa ruim! Sempre que se fizer com humildade e com ânimo de serviço para a assembleia dos irmãos. Teria sido uma coisa ruim a censura prévia. Não, não, cada um devia dizer aquilo que pensava".

Depois do relatório inicial do cardeal Peter Erdö, "houve um primeiro momento, fundamental, no qual todos os padres puderam falar, e todos ouviram", "momento de grande liberdade, em que cada um expôs o seu pensamento com parrésia e com confiança".

De todos os modos, "nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio, isto é: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida. Isso não foi tocado".

Depois, chegou o relatório após a discussão, também este "realizado pelo cardeal Erdö", e "sobre essa primeira proposta de síntese" foi realizada a discussão nos grupos linguísticos ("Tudo foi dado para a transparência, para que se soubesse o que acontecia"), da qual surgiu, finalmente, o relatório final e a mensagem final.

"Alguns de vocês podem me perguntar: 'Os padres brigaram?'. Mas não sei se brigaram, mas que falaram forte, sim, de fato. E essa é a liberdade, é justamente a liberdade que existe na Igreja. Tudo ocorreu 'cum Petro et sub Petro', isto é, com a presença do papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, e garantia da ortodoxia. E, no fim, com uma intervenção minha, eu dei uma leitura sintética da experiência sinodal. Portanto – apontou Bergoglio –, os documentos oficiais que saíram do Sínodo são três: a mensagem final, o relatório final e o discurso final do papa. Não há outros".

O sínodo "não é um parlamento", reiterou o papa na conclusão, "é um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir: não houve confronto entre facções, como no parlamento, onde isso é lícito, mas sim um debate entre os bispos, que ocorreu depois de um longo trabalho de preparação e que agora prosseguirá em outro trabalho, pelo bem das famílias, da Igreja e da sociedade".

E, em vista do próximo Sínodo, "que o Senhor nos ilumine, nos faça andar rumo à maturidade daquilo que, como Sínodo, devemos dizer a todas as Igrejas. E sobre isso – concluiu o papa, dirigindo-se aos fiéis – é importante a oração de vocês".

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