Questões polêmicas presentes no novo questionário para o Sínodo de 2015

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12 Dezembro 2014

Nos preparativos para o Sínodo dos Bispos sobre a família, ocorrido em outubro deste ano, um dos desenvolvimentos mais sensacionais foi a decisão do Vaticano em pedir aos bispos de todo o mundo que pesquisassem, nas bases da Igreja, a respeito de assuntos tais como o casamento homoafetivo, o divórcio e o matrimônio, e a coabitação fora do casamento.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada pelo sítio Crux, 09-12-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Algumas conferências episcopais fizeram um ótimo uso do questionário, até mesmo criando oportunidades via internet para que as pessoas submetessem suas reações, enquanto que algumas outras minimizaram o instrumento com base na preocupação de que levantar estas questões poderia correr o risco de se deixar uma falta impressão: a de que o ensinamento católico estaria ao alcance de qualquer um, sem muito esforço.

Aparentemente, o velho ditado “gato escaldado de água fria tem medo” não se aplica a um Sínodo dos Bispos.

Na terça-feira, o Vaticano divulgou os lineamenta, documento preparatório, para o próximo sínodo convocado pelo Papa Francisco para ocorrer em outubro de 2015, também focado na família. O documento contém 46 perguntas cobrindo grande parte dos mesmos assuntos presentes no documento anterior, anda que o texto tenha sido concebido para deixar claro que o básico da doutrina católica não está em dúvida.

Por exemplo, o termo “indissolubilidade” aparece no documento quatro vezes, ressaltando o ensinamento tradicional de que o matrimônio é permanente. Há também múltiplas referências à “grandeza e beleza” do “modelo de família formada por um homem e uma mulher (...) e aberta à procriação”.

Há referências claras à proibição da Igreja sobre o controle de natalidade, à condenação da “praga do aborto” e à promoção de “uma cultura eficaz de vida”.

O documento desta terça-feira foi apresentado em italiano, com uma nota dizendo que as tradições para as variadas línguas serão, em breve, enviadas às conferências episcopais. O texto pede que as respostas às perguntas sejam submetidas a Roma até abril de 2015.

No último Sínodo dos Bispos, três questões emergiram como os principais pontos de divisão:

• Quão acolhedor o catolicismo deve ser para com os homossexuais e às pessoas que vivem em uniões homoafetivas?

• Quão positivo deve o catolicismo ser em sua avaliação dos relacionamentos “irregulares”, tais como a união fora do casamento? Estes relacionamentos, embora não sejam os ideais, possuem valores positivos?

• Os católicos que se divorciam e se casam novamente fora da Igreja deveriam ter a permissão de participar na Comunhão?

Se as perguntas publicadas nesta terça-feira forem um indicativo, o debate sobre estes assuntos não está terminado.

Divórcio e matrimônio

Na questão da Comunhão para os divorciados e recasados, assim se lê na questão 38: “O acompanhamento pastoral e sacramental para os divorciados e recasados precisa ser mais estudado, avaliando-se a prática ortodoxa e tendo em mente a ‘distinção entre uma situação objetiva de pecado e as circunstâncias extenuantes”.

“Quais são as perspectivas nas quais podemos nos mover?”, pergunta. “Quais são os possíveis passos? Quais as sugestões que há para se acabar com os tipos de impedimentos que não se justificam ou que não são necessários?

A referência à “prática ortodoxa” é algo frequentemente citado pelos defensores do abrandamento da proibição à Comunhão. Em geral, as igrejas ortodoxas permitem só um casamento sacramental, mas abençoam uma segunda ou terceira união sob certas circunstâncias, caso o casamento inicial fracassar.

Em outras palavras, o texto não encerra a possibilidade de haver alguma mudança neste assunto.
Quanto às pessoas divorciadas, a questão 37 pergunta sobre como tornar o processo de obtenção de uma anulação – declaração de que um dado casamento jamais existiu sob o Direito Canônico – mais “acessível e simples, e possivelmente gratuito”.

Houve um forte consenso, no último Sínodo, sobre a reforma deste processo de anulação, e o Papa Francisco já até criou uma comissão para que os canonistas estudem as possibilidades.

Homossexualidade

Quanto à homossexualidade, a questão 40 pergunta: “Como uma comunidade cristã pode direcionar a sua atenção pastoral às famílias que contam com pessoas com tendência homossexual?”

“Evitando toda e qualquer discriminação injusta, de que forma ela pode acompanhar estas pessoas em suas situações à luz do Evangelho?”, lê-se no texto. “Como as exigências da vontade de Deus deveriam ser propostas nestas situações?

Esta questão é apresentada com a observação de que “o acompanhamento pastoral de pessoas com tendência homossexual, hoje, põe novos desafios, em parte devido à maneira na qual seus direitos estão socialmente propostos”.

Independentemente do texto apresentado, a presença desta questão sugere que o assunto estará também nos debates do Sínodo de 2015.

Relacionamentos “irregulares”

Quanto aos relacionamentos “irregulares, a questão 25 pergunta sobre como se pode mostrar às pessoas que se encontram nestas situações “uma atitude de acolhida e um acompanhamento de confiança, sem jamais renunciar a proclamação das exigências do Evangelho”.

A questão 22 assim diz: “O que pode ser feito para que, nas várias formas de união – nas quais é possível encontrar valores humanos –, os homens e as mulheres percebam o respeito, a confiança e o encorajamento para crescerem em bondade por parte da Igreja, e serem ajudadas a alcançar a plenitude do matrimônio cristão?”

Foi intenso o debate ocorrido no último Sínodo sobre o que significa dizer que pode haver valores positivos em tais situações, e a redação desta pergunta pode reascendê-lo.

Na verdade, estes três temas não constituem o cerne do questionário. Em grande parte, o instrumento se centra na forma como os pilares tradicionais da vida cristã – tais como os sacramentos, a Bíblia e a formação sacerdotal – podem ser melhores utilizados para apoiar os casais e as famílias.

A questão 23, por exemplo, pergunta: “Na formação dos padres e de outros agentes pastorais, como a dimensão da família pode ser cultivada? Como as próprias famílias podem se envolver?”
Uma nota escrita pela secretaria do Sínodo diz que estará a cargo das conferências episcopais decidirem como envolver “os diversos componentes das igrejas particulares, bem como instituições acadêmicas, organizações, grupos de leigos e outros organismos eclesiais” nas respostas a estas perguntas.

A nota também exorta os bispos a fazerem tudo o que for possível para evitar “começar do zero”. Em vez disso, eles devem levar em conta o que já aconteceu no Sínodo deste ano.

Uma coisa que aconteceu neste Sínodo, no entanto, foi um confronto intenso sobre estes três assuntos polêmicos aqui abordados, e há pouco neste novo questionário para sugerir que eles não irão estar em disputa no próximo Sínodo também.

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