O Papa irá à Filadélfia: "A família, base da convivência"

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19 Novembro 2014

O Papa Francisco irá à Filadélfia em setembro de 2015 para participar do oitavo Encontro Mundial das Famílias. Anunciou-o ele mesmo no final do discurso que pronunciou nesta manhã ao reunir-se na Aula do Sínodo com as pessoas que participaram do Congresso internacional e inter-religioso sobre a complementaridade ente o homem e a mulher, promovido pela Congregação para a Doutrina da Fé, pelos Pontifícios Conselhos para a Família, para o Diálogo Inter-religioso e para a Promoção da unidade dos cristãos. “Cada vez é mais evidente – disse o Papa – que o declive da cultura do matrimônio está associado com um aumento da pobreza e com uma série de muitos outros problemas sociais que afetam desproporcionalmente as mulheres, as crianças e os anciãos”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada pelo Vatican Insider, 17-11-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Francisco falou sobre a “complementaridade”, afirmando que reflexionar a respeito quer dizer “meditar sobre as harmonias dinâmicas que estão no centro de toda a Criação. Esta é a palavra-chave: harmonia. Todas as complementaridades foram feitas pelo Criador para que o Espírito Santo, que é o autor da harmonia, faça esta harmonia”. E, - explicou, - a complementaridade entre o homem e a mulher neste contexto não deve ser confundida com “a idéia simplista de que todos os papéis e as relações de ambos os sexos estão encerrados num modelo único e estático. A complementaridade assume muitas formas, posto que cada homem e cada mulher aporta a própria contribuição pessoal ao matrimônio e à educação dos filhos”.

O Papa observou que em nosso tempo o matrimônio e a família estão em crise. “Vivemos numa cultura do provisional, na qual cada vez mais pessoas renunciam ao matrimônio como compromisso público. Esta revolução nos costumes e na moral amiúde desfralda a “bandeira da liberdade”, mas, na verdade tem provocado devastação espiritual e material em incontáveis seres humanos, especialmente entre os mais vulneráveis”.

A crise da família “tem originado uma crise de ecologia humana, posto que os ambientes sociais, como os ambientes naturais, necessitam ser protegidos”. “Somos lentos (somos lentos em nossa cultura, inclusive em nossa cultura católica), somos lentos no reconhecimento de que também nossos ambientes sociais estão em risco. É, pois, indispensável promover uma nova ecologia humana e fazer que vá adiante”

O Papa Bergoglio insistiu na importância dos “pilares fundamentais que regem uma nação: seus bens imateriais. A família segue sendo o fundamento da convivência e a garantia contra a cisão social. As crianças têm o direito de crescer numa família, com um papai e uma mamãe, que sejam capazes de criar um ambiente idôneo para seu desenvolvimento e sua maturação afetiva”. Francisco agradeceu aos participantes do congresso “pela ênfase” sobre os benefícios que o matrimônio pode oferecer aos filhos, aos próprios cônjuges e à sociedade.

O Papa também sublinhou outro aspecto importante do matrimônio, “o compromisso definitivo em relação com a solidariedade, a fidelidade e a amor fecundo responde aos desejos mais profundos do coração humano. Pensemos principalmente nos jovens que representam o futuro: é importante que não se deixem envolver pela mentalidade daninha do provisório e que sejam revolucionários com a valentia de buscar um amor forte e duradouro, quer dizer, de ir contra a corrente: isto é o que se deve fazer”.

No final, Francisco convidou a não “cair no embuste de ser qualificados com conceitos ideológicos. A família é um fato antropológico e, consequentemente, um fato social, de cultura, etc. Nós não podemos qualificá-la com conceitos de natureza ideológica, que só têm força num momento da história, para depois decair. Não se pode falar hoje de família conservadora ou de família progressista: a família é família! Não se deixem qualificar por este ou aquele conceito de natureza ideológica. A família tem uma força em si mesma”.

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