A Presidente das Avós da Praça de Maio reconhece erro ao criticar o Papa

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10 Novembro 2014

A presidente da organização argentina Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, assegurou nesta quinta-feira que “se alguém continua falando mal do Papa, continua mentindo”, e alegou que as críticas que, num primeiro momento, dirigiu ao Pontífice, estavam baseadas em “versões mal-intencionadas” que circulavam em seu país.

A ativista, de 84 anos, compareceu hoje ante a mídia em Roma, junto a seu neto, Ignacio Guido, recuperado no passado mês de agosto, depois de 36 anos de busca e com quem viajou a Roma para manter um encontro com o Pontífice.

A informação é publicada por Televisa, 06-11-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

A reunião se celebrou ontem, numa atmosfera marcada pela “forma cálida e por uma sinceridade magnífica”, e durante seu transcurso avó, neto e Papa abordaram temas concernentes à política internacional e argentina e inclusive falaram de futebol.

O fato é que o Pontífice e Ignacio Guido iniciaram um acalorado debate em defesa de suas respectivas equipes: o San Lorenzo de Almagro e o River, respectivamente.

Embora de soslaio, também trataram das críticas que De Carlotto lhe dirigiu nos momentos subsequente4s à “fumaça branca” que anunciou ao mundo sua eleição após o conclave de março de 2013 e que Francisco considera já “um tema do passado”.

“Quando recebemos a notícia estávamos reunidos na casa das Avós e todos dissemos: Ui!, porque sentimos muita alegria. A alegria de que é um Papa argentino, sim, foi muito bem recebida. Mas, aí surgiu que nunca havíamos escutado Bergoglio falar dos desaparecidos", recordou.

Suas críticas, com as quais chegou a pedir um “mea culpa” do Papa, se apoiavam, segundo explicou, em “versões mal-intencionadas” que circulavam então na Argentina.

A presidente das Avós da Praça de Maio assinalou que é “sadio, humano e natural” retificar e alegou que “se alguém continua falando mal do Papa, continua mentindo”, em alusão a essas versões sobre o papel de Bergoglio durante a ditadura argentina (1976-1983).

“Entre cristãos sabemos perdoar”, atalhou a titular da organização humanitária.

Sua visita não se deve a “razões institucionais”, tal e como recalcou, senão que visitou a Santa Sé na qualidade de “avó que recuperou o seu neto”.

Por esta razão, não solicitou ao Pontífice a abertura dos arquivos vaticanos para tratar de esclarecer alguns interrogativos da última ditadura militar.

O Papa queria conhecer a família dela, pelo que a matriarca se deslocou com uma comitiva de 18 membros “do clã” – gracejou -, entre os quais se encontrava Ignacio Guido Montoya.

Já em abril de 2013, quando o pontificado de Bergoglio rondava o mês de antiguidade, De Carlotto teve a possibilidade de saudá-lo durante uma das audiências gerais que preside cada quarta-feira na Praça São Pedro.
Naquela ocasião lhe pediu uma “colaboração explícita” da hierarquia católica argentina, com a qual sua organização mantém “na atualidade uma muito boa relação”.

Neste sentido, resenhou o papel do presidente da Conferência Episcopal Argentina, José Maria Arancedo, que gravou um anúncio televisivo junto às Avós, para pedir colaboração que ajude a identificar as 385 pessoas que ainda se estima que mantêm uma falsa identidade.

Sobre a abertura do arquivo vaticano, De Carlotto assegurou que “o caminho não está fechado”, mas deve transcorrer “pouco a pouco”.

Em relação a esta possibilidade se pronunciou o embaixador da Argentina ante a Santa Sé, Juan Pablo Cafiero, que recordou que o “motu proprio” do Papa de junho de 2013 prevê “assistência especial para causas humanitárias”.

Por esta razão o diplomata assinalou que, mediante uma petição judicial por parte da Argentina, se poderia acessar ao histórico arquivo do Vaticano.

Por último, também tomou a palavra o conselheiro político da embaixada argentina na Itália, Carlos Cherniak, que informou sobre uma “forte campanha” impulsionada na Itália para tratar de achar filhos desaparecidos que poderiam residir no país transalpino.

As Avós da Praça de Maio já encontraram 115 netos desaparecidos, mas atualmente se estima que ainda falta por ser conhecido o paradeiro de outros 385 que durante aquele período foram separados de suas mães e dados em adoção.

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