As três mensagens de Bento XVI, ''monge de clausura''

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28 Outubro 2014

Três mensagens, duas especificamente destinadas à publicação, e uma terceira mais privada de apoio aos fiéis do Summorum Pontificum ligados ao rito antigo que, nestes dias, em Roma, celebram a sua peregrinação anual. Joseph Ratzinger, o papa emérito, voltou a fazer ouvir a sua voz. Em particular, para lembrar, com uma grande mensagem dirigida a professores e estudantes da Pontifícia Universidade Urbaniana, que a Igreja existe para a missão, e que o diálogo entre as religiões não a substitui.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 25-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Bento XVI escreveu uma carta ao delegado-geral da peregrinação do Summorum Pontificum, agradecendo pelo convite para estar presente nas celebrações no rito antigo – o pontifical de São Pedro será celebrado pelo cardeal Raymond Leo Burke – e dizendo: "Fico muito feliz que o Usus antiquus vive agora em uma plena paz da Igreja, mesmo entre os jovens, apoiado e celebrado por grandes cardeais. Espiritualmente, estarei com você. O meu estado de 'monge em clausura' não me permite uma presença exterior. Saio da minha clausura só em casos particulares, convidado pessoalmente pelo papa".

O papa emérito, depois, havia dirigido uma mensagem de saudação ao congresso internacional "O respeito pela vida, caminho para a paz", promovido pela Fundação Ratzinger, que foi realizado na Pontifícia Universidade Bolivariana de Medellín, na Colômbia, lembrando que "o compromisso com a paz – tão fundamental em um mundo dilacerado pela violência – começa com o respeito incondicional pela vida do homem, criado segundo a imagem de Deus e, assim, dotado de uma dignidade absoluta".

Mais articulada, por fim, é a mensagem que Bento XVI enviou à Urbaniana por ocasião da dedicação ao seu nome da Aula Magna restaurada. O papa emérito se perguntou se, de fato, a missão ainda é atual, até porque "hoje muitos, com efeito, são da ideia de que as religiões deveriam se respeitar mutuamente e, no diálogo entre elas, tornar-se uma força comum de paz. Nesse modo de pensar, na maior parte das vezes, dá-se por pressuposto que as diversas religiões são variantes de uma única e mesma realidade; que 'religião' é o gênero comum, que assume formas diferentes de acordo com as diferentes culturas, mas expressa, mesmo assim, uma mesma realidade. A questão da verdade, aquela que, na origem, moveu os cristãos mais do que tudo, é aqui colocada entre parênteses".

Uma concepção que "é letal para a fé. De fato, a fé perde o seu caráter vinculante e a sua seriedade, se tudo se reduz a símbolos, no fundo, intercambiáveis, capazes de remeter apenas de longe ao inacessível mistério do divino".

"Para nós, cristãos – escreveu Ratzinger –, Jesus Cristo é o Logos de Deus, a luz que nos ajuda a distinguir entre a natureza da religião e a sua distorção. No nosso tempo, torna-se cada vez mais forte a voz daqueles que querem nos convencer de que a religião, como tal, está superada. Só a razão crítica deveria orientar o agir do homem".

Na realidade, "ainda hoje, em um mundo profundamente mudado, permanece razoável a tarefa de comunicar aos outros o Evangelho de Jesus Cristo".

E há também um modo mais simples "para justificar hoje essa tarefa. A alegria exige ser comunicada. O amor exige ser comunicado. A verdade exige ser comunicada. Quem recebeu uma grande alegria não pode mantê-la simplesmente para si, deve transmiti-la. O mesmo vale para o dom do amor, para o dom do reconhecimento da verdade que se manifesta".

"Anunciamos Jesus Cristo não para obter para a nossa comunidade o máximo de membros possível; e muito menos pelo poder. Falamos d'Ele porque sentimos que devemos transmitir aquela alegria que nos foi dada".

Palavras que confirmam mais uma vez a famosa expressão frequentemente citada pelo Papa Francisco: "A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração"; e, portanto, não tem o problema dos números, não estuda estratégias de marketing, mas testemunha a beleza e a plenitude da vida cristã sem se preocupar em conquistar espaços de poder.

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