A Igreja católica começa a legitimar uma intervenção militar no Iraque

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Por: André | 19 Agosto 2014

Em poucos dias, dois altos responsáveis da Igreja católica pediram explicitamente à comunidade internacional uma intervenção militar para proteger as minorias iraquianas da fúria djihadista.

A reportagem é de Jean-Marie Guénois e publicada no jornal francês Le Figaro, 17-08-2014. A tradução é de André Langer.

 
Fonte: http://bit.ly/1pHmgMI  

Os dominicanos são especialmente afetados pela atual crise iraquiana. Essa ordem está presente há séculos neste país e está, portanto, muito bem informada sobre a real situação do que está acontecendo.

Em um apelo "urgente" e sem precedentes o mestre-geral dos dominicanos, que é, atualmente, o francês de Bruno Cadoré, considera que as Nações Unidas têm a "obrigação de intervir", dada a "situação terrível" atravessada especialmente pelos cristãos. A urgência humanitária é tal que passa, segundo ele, pelo "envio imediato de unidades militares especiais".

O mestre dos dominicanos reconhece os esforços da comunidade internacional para responder "às necessidades de segurança e humanitárias das pessoas deslocadas no Iraque", mas considera que "não é o suficiente para garantir a sua sobrevivência".

O que justifica este novo pedido dirigido especialmente "aos Estados membros das Nações Unidas". Para ele, essas unidades militares deverão ter "a capacidade necessária para deter a limpeza étnica e sectária em curso, garantir o retorno seguro dos refugiados às suas casas e levar os responsáveis à justiça".

Uma opção de último recurso

Esta é a segunda vez poucos dias que um alto funcionário da Igreja católica pede expressamente uma intervenção armada para proteger as minorias perseguidas pelos jihadistas.

Questionado em 14 de agosto pela Rádio Vaticano, o cardeal Fernando Filoni (foto) – atualmente no Iraque como enviado especial do Papa – de fato reconheceu que os refugiados "têm necessidade da solidariedade internacional, não apenas em termos humanitários, mas também de um ponto de vista político e militar".

Para a Igreja católica, a luz verde para os meios militares é uma opção de último recurso. Ela se baseia na legítima defesa, por uma razão humanitária, quando todos os outros meios de negociações diplomáticas, realmente esgotados, terminaram em fracasso.

Assim, por exemplo, o bispo Bernard Podvin, em nome da Conferência dos Bispos da França justificou, na quarta-feira, 13 de agosto, na Europe 1, o recurso à força militar: "não é um princípio básico na teologia da Igreja, é que a justiça deve ser forte. Quando a justiça é fraca, não é mais justiça (...) Utilizar a força, neste caso, está fundamentado”. Salvo que os ataques devem ser utilizados "em proporções que devem permanecer éticos", porque "não se trata de apelar à guerra por si só, nem pensar nisso".

Uma ajuda financeira significativa

No dia 10 de agosto, o Papa havia pedido publicamente uma "solução política eficaz em nível local e internacional para acabar com estes crimes e restabelecer a lei". Mas não chegou a pedir uma intervenção armada.

Atualmente na Coreia com o Papa Francisco, o padre Lombardi, porta-voz do Vaticano, informa diariamente a imprensa – o que é significativo da grande atenção dada pela Igreja e pelo Papa à crise – sobre o progresso da missão iraquiana do cardeal Filoni. Mas por questões de segurança, permanece evasivo sobre o itinerário e o programa desse emissário.

Lombardi indica simplesmente que o cardeal Filoni encontra-se com "refugiados" – haveria "um milhão, incluindo 100 mil cristãos", disse no sábado à noite em Seul –, mas também com todas “as autoridades políticas e religiosas" possíveis. Ele é também o portador de uma "ajuda financeira significativa" da parte do Papa Francisco "para os refugiados" e não apenas para os cristãos. O valor da ajuda não foi revelado.

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