Papa batiza pai de uma vítima do naufrágio de Sewol

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18 Agosto 2014

O Papa Francisco abraça o recém-batizado Lee Ho-jin. Quem acompanha o papa na celebração é o padre John Chong Che-chon SJ, que assiste o papa na viagem como intérprete para a língua coreana.

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada no sítio da Rádio Vaticano, 17-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco batizou na manhã desse domingo, na nunciatura de Seul, o senhor Lee Ho-jin, pai de um dos jovens que morreram no naufrágio da balsa Sewol, em 16 de abril passado.

Lee pedira ao papa para receber o batismo das suas mãos durante um encontro com os parentes das vítimas ocorrido pouco antes da missa da Festa da Assunção, no World Cup Stadium de Daejeon.

A cada ano, são celebrados 100 mil batismos na Coreia, mas o batismo administrado na manhã desse domingo na Capela da Nunciatura assumiu uma dimensão especial: não é só sinal de graça para uma pessoa, mas também de consolação para um povo inteiro.

Apenas dois dias atrás, Lee Ho-jin, pai de um dos rapazes mortos no naufrágio do Sewol, que custou a vida de 303 pessoas, pedira ao Papa Francisco para ser batizado por ele, depois de um percurso espiritual de dois anos, que o aproximara cada vez mais da Igreja Católica.

Francisco, contou o padre Federico Lombardi, ficou impressionado com esse pedido inesperado, ao qual acolheu prontamente, depois de ter se consultado com o bispo da diocese de Daejeon. Justamente para expressar a sua proximidade aos familiares das vítimas do Sewol, uma tragédia que "paralisou" o país. O papa usou nesses dias uma batina branca uma pequena fita amarela, símbolo do apoio aos familiares que, desde o dia do desastre, pedem "verdade e justiça" para o governo de Seul.

O batizando, contou o padre Lombardi, estava acompanhado de um filho, de uma filha e do sacerdote que o apresentara ao papa em Daejeon. Seu padrinho foi um membro leigo da equipe da nunciatura. A celebração foi realizada de forma simples e foi guiada em coreano pelo padre jesuíta John Chong Che-chon, que auxilia o pontífice na viagem como intérprete para a língua local. O papa interveio pessoalmente para o ato do batismo com a infusão da água e a unção com o Sagrado Crisma. O recém-batizado escolheu o nome de Francisco.

O papa, afirmou o diretor da Sala de Imprensa vaticana, ficou feliz por poder participar assim – de um modo anteriormente não previsto – do grande mistério de administração do batismo de adultos da Igreja na Coreia. Em declarações à agência AsiaNews, Lee-Francisco declarou: "A Igreja está me confortando muito neste momento de tragédia para todos nós. Quero agradecê-la da forma que puder."

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