Pesquisa investiga trabalhadores expostos a agrotóxicos

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14 Agosto 2014

Elaborar orientações e subsídios para o desenvolvimento de ações de vigilância em saúde do trabalhador a populações expostas a agrotóxicos, visando contribuir para a efetivação dessas ações pelos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) rurais. Esse foi o objetivo do estudo desenvolvido pelo aluno do Mestrado Profissionalizante em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Roque Manoel Perusso Veiga, sob orientação do pesquisador Carlos Minayo Gómez.

A reportagem é publicada pela Agência Fiocruz de Notícias, 13-08-2014.

O foco da pesquisa foi o Cerest do município de Primavera do Leste (MT), um dos berços do agronegócio no país, que detém altas extensões de plantio em áreas de soja, milho e algodão e utiliza de forma maciça agrotóxicos. “Isso vem trazendo consequências danosas à saúde da população brasileira, além de causar danos à natureza pela degradação dos recursos naturais não renováveis, destruição da flora e fauna e poluição das águas, solos e do ar”, alerta o aluno.

O Brasil é um dos líderes mundiais em consumo desse pesticida, ocupando o primeiro lugar desde 2008, consumindo quase 1/5 de todo o agrotóxico produzido no mundo, e respondendo na América Latina por 86% dos produtos comercializados

Para Veiga, esse processo de desenvolvimento de ações de vigilância em saúde do trabalhador deve ser contínuo, inclusive a capacitação e qualificação dos profissionais das unidades e de toda a rede de serviços do Sistema Único de Saúde, a identificação dos trabalhadores expostos a agrotóxicos e a qualificação das ações de promoção, prevenção, diagnóstico, atenção e vigilância em saúde. A pesquisa utilizou como norte as Diretrizes da Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.

De acordo com Veiga, as questões de vigilância em saúde no Brasil estão diretamente vinculadas aos modelos e práticas sanitárias que o país vem tentando implantar nos últimos 30 anos. “A proposta de vigilância à saúde supera os modelos assistenciais vigentes, implicando uma redefinição do sujeito, do objeto e das formas de organização dos processos de trabalho.”

A saúde pública brasileira, a partir dos anos 1980, impulsionada pelo Movimento da Reforma Sanitária, explica o aluno, vem construindo caminhos para mudanças na prática sanitária vigente, com ênfase na atenção curativa, especializada, médica e medicamentosa e centrada no hospital, para uma atenção que priorize a proteção e a promoção da saúde e a prevenção dos agravos e enfermidades, cuja porta de entrada do sistema e organizadora do sistema é a Atenção Primária à Saúde.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, relata o estudo, ao dar ênfase à atenção curativa, os cuidados em saúde são mal direcionados, visto que os recursos são concentrados nos serviços curativos a elevado custo, negligenciando o potencial da prevenção primária e da promoção da saúde, que, se bem praticados, poderiam reduzir até 70% da carga da doença. Quanto aos agrotóxicos, a pesquisa informa que o Brasil é um dos líderes mundiais em consumo desse pesticida, ocupando o primeiro lugar desde 2008, consumindo quase 1/5 de todo o agrotóxico produzido no mundo, e respondendo na América Latina por 86% dos produtos comercializados.

O autor

Intitulada Bases para a implementação de ações de vigilância em saúde do trabalhador em setores do agronegócio, a dissertação do aluno Roque Manoel Perusso Veiga foi defendida no dia 12/05. Ele possui graduação em matemática pela Faculdade Estadual de Filosofia Ciências Letras de Cornélio Procópio (2004), com licenciatura em ciências pela mesma faculdade. Atualmente é assistente técnico do Ministério da Saúde.

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