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Por: Cesar Sanson | 21 Julho 2014

O conflito em Gaza teve o dia mais sangrento neste domingo, com pelo menos 87 palestinos mortos em ataques israelenses, a grande maioria na mesma área.

A reportagem é publicada por BBC Brasil, 20-07-2014.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que as mortes no distrito de Shejaiya, no leste de Gaza, são um "massacre". Testemunhas relataram que corpos estavam espalhados pelas ruas.

Mais de 425 palestinos morreram desde o início da operação israelense, há 13 dias, segundo autoridades médicas. A maioria são civis, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). São mais de 3 mil feridos.

O Exército israelense disse que 13 soldados foram mortos em uma emboscada na madrugada, elevando para 18 o número de oficiais mortos na ofensiva. Os militares eram da Brigada Golã, segundo o Exército.

Uma trégua humanitária havia sido acertada, mas durou menos de uma hora. Uma equipe da BBC na região relatou troca de tiros menos de uma hora após o início do cessar-fogo temporário. Ambos os lados trocaram acusações pela quebra da trégua.

Apesar da ofensiva israelense, militantes continuam a lançar foguetes contra Israel, e um deles atingiu a cidade de Ashkelon.

'Famílias devastadas'

A correspondente da BBC Yolande Knell, em Gaza, disse ter visto cenas de pânico com milhares de moradores deixando a área de Shejaiya, foco dos ataques de Israel. Paramédicos disseram que equipes de resgate ainda não conseguiram chegar à região leste do distrito.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em entrevista à BBC Árabe que Shejaiya é um "reduto do terror" e base de lançamento de foguetes contra Israel.

No hospital Shifa, o principal de Gaza, havia um congestionamento de ambulâncias na entrada. "O hospital está completamente lotado. Para muitos de nós, estas são as piores cenas que já tivemos, não só pela quantidade de pacientes e o colapso da nossa capacidade, mas também pela dor e agonia", disse o médico norueguês Mads Gilbert, que tem atuado na emergência desde a noite passada. "Havia crianças com dores enormes. Famílias totalmente devastadas estavam trazendo crianças mortas e se jogando ao chão, gritando".

O Exército israelense disse em comunicado que "forças adicionais" se juntaram ao "esforço de combater o terror" em Gaza. O coronel Peter Lerner, porta-voz do Exército israelense, disse que a ofensiva terrestre estava sendo ampliada para "restabelecer a segurança e a estabilidade dos moradores e cidadãos de Israel".

A ONU alertou para o fim do estoque de suprimentos para ajudar mais de 50 mil palestinos que se abrigam em escolas da entidade em Gaza. Uma autoridade da ONU disse que o número de pessoas deixando suas casas é maior do que o esperado, com as fronteiras de Gaza com Israel e Egito fechada para palestinos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deverá se reunir com Abbas no Catar como parte de esforços na região para que israelenses e palestinos "encerrem a violência e encontrem um caminho", disse a entidade.

Soldados israelenses invadiram Gaza na quinta-feira após 10 dias de uma grande ofensiva aérea e naval que não conseguiu interromper o disparo de foguetes contra Israel por militantes palestinos que atuam no território.

Israel diz que a operação terrestre é necessária para atingir a rede de túneis do Hamas. Esforços diplomáticos para um cessar-fogo não chegaram a um acordo. O Hamas rejeitou um cessar-fogo mediado pelo Egito na semana passada, alegando que qualquer acordo com Israel deve envolver um fim ao bloqueio à Gaza.

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