Cardeal Pell e as resistências curiais: ''Há antagonismos em alguns ambientes''

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11 Julho 2014

Depois da primeira entrevista em que ele explicava o sentido da reforma da economia e da administração vaticana, antecipando todos os seus conteúdos, publicada no jornal Il Sole 24 Ore, em fevereiro, o cardeal australiano George Pell concede uma nova entrevista exclusiva no dia seguinte à coletiva de imprensa de apresentação da reforma.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 10-07-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em um diálogo com o vaticanista norte-americano John Allen, publicado no jornal The Boston Globe, Pell afirmou que a reforma desejada pelo Papa Francisco vai "na direção certa" e admitiu a existência de uma "resistência", devida principalmente à velha guarda italiana que sente o seu poder se esvaindo: "Há tristeza e um pouco de antagonismo em alguns ambientes, isso é certo", disse o superministro da Economia.

Depois de explicar que a ideia central da reforma é a de "introduzir padrões de contabilidade modernos, fortalecer a transparência" e aumentar a "coordenação", para "gerar mais receita com custos mais baixos", tornando-se um modelo de boa gestão financeira, de modo a tirar as finanças vaticanas "das páginas de fofocas", o purpurado australiano deixou claro que "não vamos gerar menos receitas para as obras da Igreja".

Pell também explicou que "todo o sistema é projetado para incluir controles e contrapesos e uma divisão de poderes". Ele, por exemplo, deve responder ao Conselho de Economia.

"Nós não estamos tentando centralizar o sistema", disse, respondendo à objeção dos que acreditam que o superministério coloque poder demais em poucas mãos.

"Nós temos agora a autoridade para implementar esses sistemas – acrescentou – e continuaremos a fazê-lo enquanto o Papa Francisco estiver conosco."

Entre os passos que deverão ser dado até o fim do ano, está a transformação da APSA em banco central e tesouraria, e há a instituição do VAM, o Vatican Asset Manager, uma nova figura chamada para se ocupar dos investimentos de toda a Santa Sé. Também é preciso nomear o auditor geral (e independente) das contas.

Sobre o VAM, Pell disse que ainda não sabe se o escritório se localizará no IOR, na APSA ou em outro lugar: "De Franssu disse que é um trabalho em andamento. Com o passar do tempo, o escritório de gestão de bens irá gerenciar as reservas do Vaticano, ou seja, fundos não necessários para as operações do dia a dia. (…) A ambição é que, ao reunir os vários fundos, teremos uma soma maior de base e conseguiremos obter melhores retornos".

O cardeal, depois, explicou que o novo presidente do IOR, que, por enquanto, também faz parte do Conselho de Economia, também está trabalhando para estabelecer o escritório que fará os investimentos.

Sobre a escolha de Jean-Baptiste de Franssu para a liderança do IOR, Pell disse: "Ele tem uma longa experiência na gestão de bens e conhece o mundo bancário". E ele também é uma pessoa "carismática", já envolvida no processo de reforma vaticana, como membro da Comissão Referente sobre os Problemas Econômicos e Administrativos da Santa Sé (Cosea). "Ele será um dos principais promotores do novo escritório do Vatican Asset Manager".

Quanto às acusações que apareceram em alguns jornais italianos sobre a existência de um "lobby maltês", composto por Joseph Zahra, pelo italiano Francesco Vermiglio e pelo próprio De Franssu, que teria interesses na gestão dos investimentos vaticanos, Pell foi direto: "Coisas de Alice no País das Maravilhas, são acusações superficiais (...). De Franssu e Zahra não têm interesses econômicos comuns de qualquer espécie e eles até nunca se encontraram antes de atuarem juntos em uma comissão de estudo criada no ano passado. São dois homens envolvidos, que doaram enormes quantidades de tempo gratuitamente para a Igreja".

O cardeal não descarta que essas alegações tenham sido geradas pelos ambientes que "não gostam da mudança" e, talvez por aqueles que "lamentam o fato de que nos últimos anos o banco e o Vaticano em geral" tornaram-se mais transparentes.

Perguntado sobre por que o purpurado australiano chamou ao Vaticano, para liderar a gestão da Secretaria de Economia, o seu gerente de negócios da diocese de Sydney, Danny Casey, uma nomeação que provocou alguns descontentamentos, Pell respondeu: "Casey tem credenciais notáveis para o papel particular que lhe foi dado". Mas também assegurou que será usada uma empresa de recrutamento para identificar outros profissionais para serem colocados em outras posições.

"Nunca vimos uma injeção de lideranças leigas nos altos escalões da Igreja como estamos vendo agora com as finanças. Isso é extremamente saudável, porque é uma área em que nós, clérigos, não temos necessariamente qualquer expertise."

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