Paraguai. A lupa sobre um bispo muito particular

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Por: André | 04 Julho 2014

Rodrigo Livieres, bispo da cidade paraguaia de Ciudad del Este, protegeu o capelão refugiado Aldo Vara, de Bahía Blanca (Argentina), e nomeou vigário-geral um sacerdote denunciado por abusos na Argentina e nos Estados Unidos. Francisco enviará dois prelados à diocese.

A reportagem é publicada no jornal argentino Página/12, 03-07-2014. A tradução é de André Langer.

O Papa Francisco enviará dois altos prelados para uma “visita apostólica” a Ciudad del Este. Não se trata de uma visita protocolar nem turística. A diocese da cidade paraguaia da Tríplice Fronteira, dirigida pelo bispo Rogelio Livieres, somou créditos para uma intervenção do Vaticano. Ao escândalo por ter ocultado o refugiado capelão do Exército argentino Aldo Vara, acusado de cumplicidade com torturas a presos e recentemente falecido, somou-se o de ter nomeado como seu vigário-geral Carlos Urrutigoity, acusado por abusos sexuais e expulso da comunidade lefebvriana São Pio X tanto em Moreno, Buenos Aires, como em Winoma, Estados Unidos; e, finalmente, porque depois que o arcebispo de Assunção, Pastor Cuquejo, pedisse uma investigação pela presença de Urrutigoity em Ciudad del Este, Livieres disse à imprensa que o arcebispo era homossexual.

O núncio apostólico em Assunção, Eliseo Ariotti, precisou em coletiva de imprensa que o cardeal Santos Abril y Castelló, arcipreste da Basílica Santa Maria Maior, em Roma, e o bispo auxiliar de Montevidéu, Milton Luis Tróccoli, estarão no Paraguai entre os dias 21 e 26 de julho.

Ariotti explicou que se trata de “uma visita que sempre se faz”. Mas consultado sobre se está relacionada com as denúncias de abusos sexuais, acrescentou: “É para averiguar não apenas o que aconteceu ultimamente, mas ver tudo o que está na casa de Ciudad del Este”.

O caso tomou corpo este ano quando foi denunciada a presença do refugiado Aldo Vara em Ciudad del Este e este jornal lembrou a presença do sacerdote argentino Carlos Urrutigoity, cuja proteção por parte de Livieres este jornal já havia revelado em fevereiro de 2009.

Somente em junho passado, a imprensa paraguaia ecoou a presença de Urrutigoity. Pouco antes, haviam sido publicadas denúncias por pedofilia contra ele nos Estados Unidos, após uma investigação da cadeia NBC, que retomava as acusações realizadas por abusos e assédio a seminaristas que o tinham como formador.

O bispo da diocese na Tríplice Fronteira, Rogelio Livieres, nomeou Urrutigoity como um dos seus vigários e encomendou-lhe um trabalho com jovens. O prelado defendeu com firmeza o sacerdote suspeito ao afirmar que era um “perseguido” e que não existe processo judicial que demonstre sua culpa. Mas as denúncias contra Urrutigoity surgiram da própria família eclesiástica. Andrés Morello, que havia sido reitor do seminário da sociedade lefebvriana São Pio X de La Reja, Argentina, expulsou Urrutigoity após a elaboração de um relatório em que assinalava que fustigava um jovem leigo com perguntas sobre castidade e tentações e o presenteou com uma cueca que pediu que provasse em sua presença; além de assediar outros seminaristas e colocar-lhes supositórios. Transferido para Winoma, Estados Unidos, as denúncias só mudaram de endereço. Foi expulso e, em 2005, foi bem recebido em Ciudad del Este, onde Livieres o nomeou formador no Seminário São José dessa cidade paraguaia.

A nomeação, claro, trouxe aparelhadas marchas, escrachos e reclamações de dentro da própria comunidade católica e de diferentes ONGs.

O eco da produção da NBC na imprensa paraguaia acentuou-se porque entre os entrevistados estava o arcebispo de Assunção, Pastor Cuquejo, que garantiu durante a entrevista que deveria ser reaberta a investigação para esclarecer o caso de Urrutigoity, o que direcionava as atenções sobre o bispo Livieres. A sugestão de Cuquejo despertou a ira de Livieres, que não apenas organizou, mas que, além disso, encabeçou uma manifestação em Ciudad del Este onde defendeu Urrutigoity e ao mesmo tempo expressou que o arcebispo de Assunção era homossexual.

“Para mim, mons. Cuquejo é homossexual, sempre foi”, ratificou depois à imprensa. “Não é que seja uma descoberta minha, mas é uma descoberta de muitas pessoas que lidam com ele e o conhecem”, defendeu Livieres durante uma entrevista no programa Señales, na televisão paraguaia.

As denúncias de proteção ao refugiado Aldo Vara, a nomeação como formador de seminaristas e como vigário-geral do acusado de abuso sexual Carlos Urrutigoity, e agora a troca elevada de tom com o arcebispo Cuquejo, fizeram com que o Papa Francisco decidisse enviar seus representantes ao próprio território, incluindo possível má gestão financeira da sede eclesiástica da Tríplice Fronteira.

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