Divórcio e novo casamento: pesquisa mostra aberturas no panorama católico

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27 Junho 2014

A atitude da Igreja Católica em relação aos divorciados que se casam novamente é um ponto doloroso há vários anos. Doloroso para as pessoas que, depois de um fracasso, têm um novo projeto de casal que desejam confiar a Deus e que veem lhes ser negado o sacramento do matrimônio e às vezes até mesmo apenas uma bênção.

O comentário é de Monique Hébrard, publicado no sítio da Conférence Catholique des Baptisé(e)s Francophones (CCBF), 22-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Doloroso para aqueles católicos praticantes "divorciados recasados", às vezes comprometidos na paróquia, que, além disso, não são aceitos à eucaristia e ao sacramento da reconciliação.

Doloroso para os padres que estão divididos entre o seu dever de obediência às leis da Igreja e o seu coração de pastor, desejoso de viver a misericórdia de Cristo com todos aqueles que acolhem. Será uma das questões candentes do próximo Sínodo sobre a família, convocado pelo Papa Francisco.

A Conferência Católica dos Batizados/as Francófonos/as (CCBF) interrogou uma amostra de 75 padres e diáconos de várias dioceses francesas, que optaram por celebrar abertamente momentos de oração, muitas vezes em uma igreja.

Certamente, não se trata de um segundo casamento sacramental, mas de uma celebração, cuidadosamente preparada com os esposos, e que não apresenta nenhum problema canônico. Mas alguns padres são obrigados a fazer isso um pouco na clandestinidade, por medo das reações dos seus coirmãos, e outros se recusam a qualquer celebração com casais que o solicitam.

Os padres e os diáconos que responderam a essa pesquisa não são "militantes" de uma tendência liberal da Igreja, mas sim pastores, homens "no campo", atentos às pessoas. Alguns até já receberam pedidos para a bênção de casais de pessoais homossexuais e lhes responderam positivamente.

Ao término dessa investigação, baseada na experiência de padres e de diáconos, podemos nos perguntar por que a Igreja, em vez de permanecer na vagueza e no não dito, não pode dizer oficialmente que tais celebrações podem ser realizadas para todos aqueles que desejam confiar a Deus o seu amor.

É por isso que a CCBF tenta expressar isso em alto e bom som.

Ela convida os padres e os diáconos que ainda se interrogam sobre a conveniência ou a viabilidade de tal abordagem a se unirem àqueles que a praticam há muito tempo.

Ela convida todos os casais divorciados que acreditam estar condenados a permanecer no limiar da sua igreja a ousarem entrar nela novamente para pedir uma bênção do seu relacionamento.

Ela convida todos os batizados a darem prova de benevolência em relação aos casais divorciados e a fazerem conhecer as bênçãos que podem sustentar a sua nova união.

* * *

Resultados da pesquisa da CCBF

Amostra das 75 pessoas entrevistadas:

Padres: 54
Diáconos: 15
Padres religiosos: 6

Menos de 45 anos: 4
Entre 45 e 60 anos: 7
Entre 60 e 75 anos: 31
Mais de 75 anos: 30
Sem resposta: 3

Nota: esses números refletem a pirâmide etária do clero.

Todos (com exceção de três, que dizem não terem tido a oportunidade) fazem celebrações a pedido de divorciados que se casam novamente:

Desde 1960: 1
A partir dos anos 1970: 11
A partir dos anos 1980: 8
A partir dos anos 1990: 24
A partir dos anos 2000: 18
Sem data indicada: 11

Como vocês nomeiam essa celebração?

O vocabulário, as palavras usadas mostram-se de grande importância.

- Oração: 40. Eles a unem a outras palavras: tempo de, reunião de, assembleia de, oração por um amor, oração de ação de graças etc.
- Celebração: 14. Incluindo seis que definem como "celebração do amor".
- Bênção: 11
- Cerimônia: 3
- Acolhida do amor: 2
- Matrimônio: 2

Em que lugar?

- Em uma igreja ou capela: 51 (alguns especificam uma igreja diferente daquela do município do casamento civil, e três especificam que não a realizam no presbitério).
- Em um lugar não litúrgico: 34 (lugar da recepção, salão de festas, casa dos cônjuges ou de amigos, jardim ou ao ar livre).

Mas se nota uma notável flexibilidade, e muitas vezes se cede ao desejo dos esposos.

Antes ou depois do casamento no cartório?

As opiniões se dividem igualmente. Alguns têm princípios firmes. Outros se adaptam à demanda. Cinco receberam um pedido para uma celebração na igreja muito tempo depois de um novo casamento civil.

Vocês pedem uma autorização do bispo, do pároco da paróquia?

- Não, nenhuma permissão: 47
- Sim, ao pároco do lugar, se não for na minha paróquia: 20
- A maioria estima que não é preciso pedir uma permissão, especialmente se são párocos. "Eu sou grande o suficiente para assumir as minhas responsabilidades."
- Se não celebram na sua paróquia, eles "falam sobre isso", "colocam a par", "consultam por educação"... A menos quando "eu não aceito celebrar fora da minha paróquia para não constranger os coirmãos". "E se o pároco se recusa, eu o faço em um jardim." "Aqueles que têm medo são os tradicionalistas que denunciam ao núncio."
- Nenhum dos entrevistados disse pedir uma autorização ao bispo, mas uma dezena o informa ou simplesmente segue as diretrizes diocesanas, se tiverem sido dadas para essas celebrações.

A sua prática tem evoluído?

Não: 24
Sim: 21
Sem resposta: 30

Aqueles que responderam "sim" se distinguem entre aqueles que evoluíram no sentido de uma atitude mais liberal e aqueles que, ao contrário, se tornaram mais relutantes.

Os primeiros evoluíram para uma maior flexibilidade e adaptação à demanda das pessoas e para uma maior transparência, em especial em relação aos locais, inicialmente mais discretos (casa, depois sala neutra) e agora em uma igreja.

Algumas citações:

- "Passei do 'padre que decide' a uma construção junto com o casal por alguma coisa de mais verdadeira."

- "No começo, eu fazia com que assinassem um engajamento pela duração. Agora, não faço mais."

- "Sempre busco que o casal viva o máximo possível na verdade consigo mesmo, comigo, com a Igreja, com Deus."

- "Passei da intimidade à celebração pública. Não me escondo mais."

Os segundos (menos numerosos) têm uma maior exigência de preparação, especialmente porque se conscientizaram de que era necessário evitar armadilhas.

Uma dezena reflete ou refletiu junto com outros padres e/ou com o bispo.

Um padre relata:

Em 1995, diante do primeiro pedido, falei a respeito com meus coirmãos que me desaconselharam. Mas, quando vi a decepção do casal, decidi não recusar nunca mais. Depois da anulação do matrimônio de Carolina de Mônaco, com o apoio da paróquia desgostosa, decidi fazer a mesma cerimônia de um matrimônio, a sem a fórmula do consentimento.

Um padre grita o seu sofrimento de pároco. Um trecho:

Sou pároco, em contato com situações humanas às vezes difíceis de decifrar e de desembaraçar. Os cristãos com quem me encontro vivem exatamente as mesmas situações familiares e matrimoniais que todos os nossos contemporâneos: casais divorciados, recasados, famílias e crianças dispersas, famílias múltiplas vezes recompostas (...)

Certamente, podemos lamentar, mas não podemos ignorar. Para alguns deles, a descoberta de Cristo, do Evangelho e da fé é experimentada como uma renovação interior poderosa e sem barreiras, como 'o Espírito Santo sopra onde quer!' (Jo 3, 8). Quando sou testemunha, quando vejo a transformação interior que a vida do Espírito Santo opera neles, não posso deixar de exclamar, como Pedro: 'Será que podemos negar a água do batismo a estas pessoas que receberam o Espírito Santo, da mesma forma que nós recebemos?' (At 10, 47).

Porém, é isso que acontece, e, se não é a água do batismo porque já fomos imersos, é o perdão, a Eucaristia, a crisma, o casamento... E é isso que acontece cada vez mais, em que as perguntas em que as situações são qualificadas como 'não conformes' pela autoridade da Igreja parecem aumentar. A teologia sacramental que herdamos foi concebida com a intenção deliberada de criar uma interdependência entre, por exemplo, os sacramentos da iniciação e o do matrimônio, de tal forma e a tal ponto que um fracasso no sacramento do matrimônio impede e proíbe, por toda a vida, um caminho sacramental na fé ou a esperança de chegar a um percurso de catecumenato.

Certamente, essa construção teológica se baseia no Evangelho, mas também se poderia conceber outra que, basando-se  no mesmo Evangelho, mostrasse que a misericórdia permite superar o fracasso, e que o Espírito Santo faz a sua obra, Ele que é especialmente destinado 'aos doentes e aos pecadores'. Acredito que ele não se deixa monopolizar nem recuperar por qualquer um dos nossos discursos. No seu imobilismo rígido, a Igreja Católica manifesta uma ausência de misericórdia e de compaixão que contradiz a mensagem de amor que ela se pretende testemunhar.

Talvez é normal que, hoje, eu chegue a temer a chegada de um novo catecúmeno para o qual, para a sua grande surpresa, será preciso muito rapidamente que eu o triture e o interrogue sobre a sua situação familiar para evitar que ele comece um caminho com a sinalização errada? Agora, eu me pergunto se o 'direito' da Igreja não deveria mais adequadamente, hoje, se chamar de 'proibição' da Igreja, já que um número crescente de pessoas se encontram cada vez mais proibidas do que autorizadas por esse código.

'Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores' (Mt 9, 13), e assim somos todos nós! Muitos hoje querem responder a esse chamado, a se deixar transformar pelo olhar de amor de Cristo que nos eleva (Lc 18, 9-14). 'Deus quer que todos os homens sejam salvos' (1Tm 2, 4). A Igreja Católica afirma que os sacramentos são sinais eficazes da salvação de Deus (SC 5-6). Seremos nós esse canal? Será a Igreja de Cristo uma testemunha do desejo, da vontade de Deus por todos os homens?"

Que dificuldades vocês encontraram nessas celebrações?

Do total, 57 notificaram:

- 20: dificuldade de explicar e de fazer com que os cônjuges admitissem que não se tratava de um matrimônio, dificuldade de explicar a posição da Igreja.
- 10: exigência de tempo para discernir e para fazer com que esse tempo fosse vivido como uma abertura espiritual.
- 20: risco de ambiguidade e de confusão, apesar das precauções e das explicações. Impressão de ter sido enganado pelos cônjuges, que não observaram o contrato.
- 7: dificuldades provenientes do clero; rejeição dos párocos, dos padres que desabafaram ou criticaram os seus coirmãos. Disparidade de acolhida. Clandestinidade.

Que perguntas vocês faziam a si mesmos?

A prática dessas celebrações levanta inúmeras questões:

Sobre a atitude da Igreja:
- "Quais são as razões profundas para o bloqueio da hierarquia eclesial?"
- "Por que os bispos franceses não fazem nada?"
- "Quando a Igreja acolherá todos os seus filhos?"
- "Precisamos de irmãos que não sejam inquisidores."
- "Antes de Latrão, como os cristãos se casavam?"

Sobre a falta de misericórdia:
- "Frieza da Igreja e a sua preocupação de regulamentar. Onde estão a acolhida e a ternura de Cristo diante do sofrimento?"
- "Como conjugar indissolubilidade e misericórdia?"
- "Quando um casal pede uma celebração, a Igreja deve estar presente. Quando ela se faz próxima e mantém um discurso evangélico, em vez de moralizador, ela pode oferecer luz e cura."
- "Caminhar com as pessoas, sem apostar tudo em um reconhecimento de nulidade que faz com que se revire o passado e gera sofrimento."

Sobre a clandestinidade por causa da lei da Igreja e sobre o olhar de alguns coirmãos:
- "Por que eu tenho a impressão de agir à margem?"

Sobre a relação com o sacramento do matrimônio em geral:
- "Não seria melhor propor uma bênção a todos os casais e o sacramento bem preparado no momento propício?"
- "Todos os casamentos celebrados religiosamente são sacramentais?"

Qual é a sua atitude se essas pessoas lhes perguntam se podem receber a comunhão?

Essa pergunta foi interpretada de duas formas diferentes:

- 17 entenderam que se tratava da comunhão durante a celebração do novo casamento. Nesse caso, oito disseram que o pedido não lhes foi feito, três recusaram, e três aceitaram.

Os outros entenderam que se tratava do acesso à comunhão em geral:

- 16 disseram aos esposos que decidissem de acordo com a sua consciência; "iluminada", esclareceu a metade dos entrevistados.
- 9 pensam que é evidente que eles podem comungar: "Não sou eu quem convida, é o Senhor"; "Deixai vir a mim as criancinhas"...
- 7 colocam condições: "Evitar o escândalo", casal sólido, caridade pelo cônjuge anterior, compromisso com a fé e a Igreja, "nunca uma resposta rápida; conversa para avaliar o sentido da sua demanda... mas muitas vezes eu considerei que não seria possível justificar aos seus olhos a posição da Igreja, sem escandalizar a sua fé."
- 3 notam que é preciso prestar atenção para não desvalorizar o matrimônio.

Que evoluções vocês desejam?

É difícil colocar essas respostas em estatísticas. Elas são de uma grande riqueza. No entanto, podemos dizer que seis desejam que nos aproximemos das práticas ortodoxas; seis desejam uma liturgia reconhecida oficial e canonicamente; cinco desejam o levantamento das proibições de acesso aos outros sacramentos (batismo, eucaristia, reconciliação); quatro desejam que a comunhão seja autorizada depois de um período penitencial.

Muitos desejam uma conformidade da Igreja ao Evangelho:

- "Que Roma não traia os gestos e as palavras do seu Senhor."

- "Que ela reconheça o que anuncia: Deus é todo amor."

- "Que a minha Igreja releia o Evangelho e esqueça um pouco o direito canônico para acolher as pessoas de hoje."

- "Um retorno finalmente ao fundamental: os feridos da vida são os primeiros convidados para a ceia do Senhor."

- "Eu conheço os argumentos para excluí-los da comunhão, mas não estou convencido. A misericórdia deve predominar."

- "Que a Igreja reconheça o direito ao fracasso e, portanto, a possibilidade de um novo projeto sacramental."

- "Eu não admito que se recuse a reconhecer uma pobreza e um fracasso e, portanto, um novo começo vivido com o desejo de Deus."

- "O Sínodo deve escavar a fundo o problema do fracasso e da misericórdia."

- "A Igreja me irrita quando se contenta em se referir à lei. É preciso estar com as pessoas, carregar com elas as pessoas o seu passado, sob o risco de errar."

- Quando a Igreja aceitará responder às pessoas em carne e osso e esquecerá um pouco as leis estabelecidas para uma época dada?"

- "Espero o fim de um Direito Canônico que nos julga a partir do passado, para uma pastoral que acolha a cada um a partir do seu presente."

- "Que a Igreja instituição leve em conta a voz do povo: todos os sínodos diocesanos têm abordado a questão. Eu espero o próximo Sínodo (...) mas tenho medo de que não se chegue a nada mais do que a uma maior facilidade para a obtenção da declaração de nulidade."

- "Já seria bom que não se retrocedesse"; mas também: "A necessidade de uma melhor abordagem da história do matrimônio e da família, da sexualidade na formação do clero."

Você aceitaria fazer celebrações para casais homossexuais?

Em geral, as respostas refletem uma abertura, mas também uma séria necessidade de reflexão:

- 7 já fizeram esse tipo de celebração.
- 39 a fariam quando a situação se apresentasse. "Por ter assistido aos protestantes em um momento de oração, eu me conscientizei do amor que unia duas pessoas do mesmo sexo." "Você não escolhe a sua maneira de amar. Por que esse amor vivido não pode vir de Deus?".
- 8 rejeitam categoricamente.
- 12 estão indecisos, não se sentem prontos, temem o dia em que a situação se apresentar; um admite que as suas ressalvas são mais culturais do que teológicas e acrescenta: "Quando o momento chegar, veremos o que o Espírito vai me inspirar." "Eu me faço a pergunta, eu que abençoo barcos e casas!" "Eu tenho uma forte relutância diante do casamento para todos, mas, mesmo que isso me incomode, devo julgar no lugar de Jesus? O que Jesus faria nesse caso? Então, muito sinceramente, não vejo como poderia recusar."

Seja qual for a posição, a maioria tem muita prudência: oração em vez de bênção, discrição, reflexão com as partes interessadas, pedido de uma reflexão com "especialistas da Igreja". "Eu não empregaria a palavra 'bênção', mas estou pronto a lhes dedicar um tempo de oração, porque acredito que cada pessoa é amada por Deus e que Deus nunca rejeita aqueles que querem se colocar sob o seu olhar."

Roteiro de uma celebração

39 padres e diáconos enviaram um breve resumo do roteiro que eles elaboraram; 23 enviaram um ou mais roteiros detalhados da celebração.

Alguns links para documentos para continuar a reflexão (todos em francês):

Síntese das celebrações propostas para os divorciados em segunda união
Celebrações presididas por leigos
Síntese da posição oficial da Igreja Católica
Posicionamento de Dom Müller
Posicionamento de Dom Kasper
Posicionamento de Dom Di Falco
La réconciliation pour les fidèles divorcés remariés. Paul de Klerck. Revue théologique de Louvain.
Un deuxième mariage sacramentel. Paul de Clerck. Revue théologique de Louvain.
Reflexão sobre a acolhida aos divorciados. Diocese de Luçon.
Benediction d’action de grâce – une nouvelle chance. CCBF de Yvelines
Célébrer un remariage. Exemplos de desdobramentos de uma bênção para os divorciados em segunda união

Nota da IHU On-Line: Veja a íntegra do documento em preparação para o Sínodo, publicado ontem pelo Vaticano, em português, aqui.

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