Tom defensivo desnecessário poderá permear documento dos bispos dos EUA sobre cidadania

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17 Junho 2014

Os bispos dos Estados Unidos decidiram que irão alterar a sua declaração mais recente sobre responsabilidade política, porém não irão reescrevê-la totalmente.

A análise é do padre jesuíta Thomas Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos EUA, de 1998 a 2005, e autor de O Vaticano por dentro (Ed. Edusc, 1998). O artigo foi publicada no National Catholic Reporter, 13-06-2014. A tradução é de Cláudia Sbardelotto.

Eis o texto.

Na sua reunião de primavera na semana passada em Nova Orleans, os bispos dos Estados Unidos decidiram que irão alterar a sua declaração mais recente sobre responsabilidade política, porém não irão reescrevê-la totalmente.

O documento original que contém essas declarações foi emitido pela Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB) antes das eleições presidenciais de 1976. O documento mais recente, Faithful Citizenship (Cidadania Fiel), foi escrito em 2007, mas foi deixado inalterado às vésperas da eleição de 2012 por causa de divergências entre os bispos sobre o seu conteúdo.

O presidente da USCCB, Dom Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, explicou que ele ofereceu três opções para a comissão administrativa: não fazer nada; manter o documento de 2007, escrevendo uma nova nota introdutória, como fizeram em 2011; ou reescrever o documento por completo.

"Algumas das questões políticas que são discutidas no documento [de 2007] ou diminuíram ou desapareceram", explicou. "Outras questões importantes surgiram desde então, e elas não são significativamente abordadas". Além disso, observou, "o documento de 2007 não leva em conta o magistério dos últimos anos de pontificado do Papa Bento XVI e nada dos ensinamentos do Papa Francisco".

Os membros da comissão administrativa da USCCB preferiam um meio termo entre a segunda e a terceira opção de Kurtz. "A ideia é emitir uma nova nota introdutória, reemitir o documento de 2007, mas também fazer uma revisão limitada do documento", disse ele. Os bispos aceitaram essa proposta com o que pareceu ser uma votação unânime.

Não ficaram claras quais mudanças serão feitas no documento. O cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston, explicou que seu grupo de trabalho tinha ficado responsável apenas por chegar ao processo proposto, não por fazer o trabalho em si.

O presidente Kurtz vai nomear um novo grupo de trabalho para realizar essa tarefa, que será apresentada aos bispos na reunião de novembro de 2015.

A julgar por tudo o que aconteceu na reunião, é provável que as mudanças vão enfatizar as preocupações dos bispos sobre o casamento gay e a liberdade religiosa.

O bispo auxiliar de San Francisco, Robert McElroy, observou que o tratamento do tema da consciência no documento de 2007 estava muito bom, mas reclamou que "o papel do mal intrínseco tem uma centralidade" e precisa ser "completado por um exame e apresentação da doutrina da Igreja sobre pecado estrutural e mal estrutural e a busca do bem". Caso contrário, "os ensinamentos do Papa Francisco não serão corretamente apresentados".

O cardeal DiNardo discordou. "O principal ponto de muitos dos escritores do comitê foi a de que essa seção do documento é a mais forte e, portanto, deve ser deixada em paz", disse ele.

Mais tarde, na coletiva de imprensa, o cardeal foi perguntado se o novo projeto pode tirar o enfoque no aborto em favor da preocupação com os pobres. "Não é tanto dizer que vamos dar menos ênfase ao aborto", ele respondeu, mas que "nós queremos ter a certeza de que falamos com insistência sobre o papel da pobreza, a economia e o que acontece nessas questões. Mas esses assuntos não vão tirar o nosso compromisso importantíssimo com a vida humana. Isso não é negociável".

Na quinta-feira, o último dia das sessões públicas, os bispos ouviram palestras sobre "A nova evangelização e a pobreza", com Helen Alvaré, professora de direito na Universidade George Mason, e W. Bradford Wilcox, professor de sociologia na Universidade da Virgínia, que apresentou o tema "O casamento e a economia".

A palestra de Alvaré poderia ter sido intitulada mais precisamente de "Evangelização e caridade", uma frase que ela usou várias vezes. Ela nunca falou de justiça, só de caridade, como se evangelização e justiça não tivessem nada a ver uma com a outra.

Além disso, ela estendeu o significado de "pobres" para incluir o ateu J-Ax, o rapper multimilionário que treinou a freira cantora italiana. Quando todo mundo se torna parte do pobre, o termo se torna sem sentido.

Ela também contou uma história sobre um grupo de religiosas na praia, que, por estarem usando o hábito religioso, foram abordadas por adolescentes que conversaram com elas sobre o problema da promiscuidade sexual em suas escolas.

Muito bem. Bom para elas. O que eu achei censurável foi a sua referência a essas religiosas como as "freiras na praia", uma referência clara às "freiras no ônibus" (Nuns on the bus). Se ela e os bispos não entendem que as "nuns on the bus" são algumas das melhores evangelizadoras na Igreja atual, então eles não entendem nada sobre evangelização.

Eu estava esperando coisa pior com o professor Wilcox por causa do seu artigo de opinião no The Washington Post. Na verdade, fiquei impressionado.

Ele expôs os dados que mostram que a classe alta (medida pela educação) tem casamentos mais estáveis do que as classes média e baixa. Essa diferença era mínima há 50 anos. Ele observou que os liberais usam condições econômicas para explicar os problemas de famílias pobres, enquanto os conservadores enfatizam razões culturais e políticas. Sua conclusão, com a qual eu concordo, é que ambas as explicações estão corretas.

Uma abordagem equilibrada foi demonstrada quando ele descreveu que a tarefa da Igreja não é somente pregar os benefícios de casamentos íntegros, mas também de ser uma voz em favor da justiça econômica em praça pública.

Ainda precisamos ver aonde os bispos vão com tudo isso. Agora, eles se sentem assediados por seus oponentes nas guerras culturais. Eles se preocupam - e esta é uma preocupação legítima - que seus adversários vão usar o governo para forçá-los a deixar o trabalho de caridade pelo fato de este exigir ações que eles sentem que são contrárias aos seus valores. Esse tom defensivo bem pode permear as alterações que estarão no Faithful Citizenship.

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