1º de abril de 1758 – Cardeal Saldanha é apontado como visitador dos jesuítas portugueses

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07 Abril 2014

Em 1758, quase morrendo e sob pressão de Pombal, o Papa Bento XIV apontou o cardeal Francisco Saldanha como visitador da Companhia de Jesus em Portugal.

A nota é publicada por Jesuit Restoration 1814, 01-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Bento XIV estava em seu leito de morte quando o Marquês de Pombal (Carvalho) expulsou o confessor jesuíta do palácio apostólico e ordenou uma investigação sobre os jesuítas. Pombal alegou que havia um suposto desejo dos jesuítas pelo poder e uma ganância por ouro e terras, citando suas aventuras no Paraguai como prova.

O papa, sob pressão, ordenou uma investigação canônica e nomeou o cardeal Francisco Saldanha para a visitação. Saldanha só tinha entrado no Colégio dos Cardeais devido ao patrocínio de Pombal e por isso, mesmo que de boa índole, considerava-se em dívida com Pombal. Ele começou sua visita no dia 2 de maio, na casa provincial de São Roque, em Lisboa, quando reuniu a comunidade e imediatamente partiu. No dia seguinte, de volta a Roma, o papa veio a falecer.

Pombal e Saldanha fizeram bom uso do vazio de poder criado pela "sede vacante". Era um vazio considerável, já que o próximo papa seria eleito somente dois meses depois. O papa tinha dado poder a Saldanha para corrigir de imediato eventuais pequenos males que encontrasse localmente, mas se alguma coisa significativa fosse descoberta esta deveria ser mantida em segredo, e todas as informações deveriam ser reportadas somente ao papa, de modo que o papa pudesse considerá-las quando desejasse.

Ignorando essas restrições, cerca de 15 dias depois, Saldanha emitiu um édito acusando todas as comunidades jesuítas de serem centros de operações comerciais escandalosas. Pombal usou isso para colocar pressão sobre o Patriarca de Lisboa para remover as faculdades de pregação e confissão de todos os jesuítas que trabalhavam sob sua jurisdição.

O núncio papal - Fillipo Acciaioli - estava no local e testemunhou essa farsa e a falta de qualquer tentativa séria de investigação. Em um momento de deliciosa sátira, ele felicitou Saldanha pelo édito, chamando-o de um excelente documento, "com exceção de uma ligeira omissão"... as provas. Sem provas, de acordo com Acciaioli, o documento só poderia ser classificado como uma calúnia. Seus comentários satíricos não puderam proteger os jesuítas. O rei sentiu-se livre para declará-los rebeldes e traidores, e Saldanha divulgou uma carta pastoral advertindo os fiéis a não se envolverem com os jesuítas.

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