''A proximidade do papa, seu Evangelho vivido, é um modelo para todos''

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02 Abril 2014

"Veja, é preciso se dar conta da repulsa que existe, mas não se vence o mal limitando-se às análises. Vence-se o mal com o bem. O papa está nos dizendo isto: abram os olhos para as coisas belas que existem." Dom Galantino já deixou claro que, para a visita de Francisco a Cassano all'Jonio, "não haverá lugares privilegiados para quem quer que seja, não venham me pedir isso". A primeira fila é para os doentes e os pobres.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 30-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele vive em um seminário e, de dia, responde diretamente ao telefone do arcebispado: "Alô, sou o padre Nunzio". Não é de se admirar que Bergoglio o tenha escolhido como secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

O papa confirmou-lhe que em breve visitará a diocese da Calábria – provavelmente em junho –, e é clara a importância da sua chegada na cidadezinha do pequeno Cocò Campolongo, morto e queimado junto com o avô pela 'Ndrangheta, a criança que Francisco lembrara em janeiro no Angelus. "Essa fúria contra uma criança tão pequena parece não ter precedentes na história da criminalidade."

Ainda mais depois do encontro histórico há uma semana com os parentes das vítimas da máfia, e as palavras voltadas aos boss, os chefes da máfia: "Peço-lhe de joelhos, convertam-se, ainda há tempo para não acabar no inferno". O bispo lembra "o impacto simbólico fortíssimo do longo abraço entre o papa e o padre Ciotti", o fundador da associação Libera que, naquele dia, foi encontrá-lo na CEI.

"O estilo de proximidade do papa, o Evangelho vivido, é um modelo para todos", diz ele. Um mês atrás, Cassano também sofreu a tragédia do padre Lazzaro Longobardi, o sacerdote morto a pauladas depois de ter descoberto roubos de dinheiro na casa paroquial. "Os episódios que recentemente ensanguentaram o nosso território são apenas a ponta clamorosa de um transtorno que aguarda respostas", escreveu o bispo à sua diocese.

Mas a Igreja, explica Galantino, "não pode se limitar a contar vítimas ou a celebrar funerais". É preciso seguir o caminho de Francisco: "Na noite anterior, eu participei de um encontro com os jovens. Vi o seu entusiasmo e compromisso: era preciso olhá-los no rosto. Esses jovens não merecem ser traídos por nós. Se eles fossem apoiados por uma política menos míope, interessada e obtusa, e também por uma Igreja com pontos de vista mais amplos, menos repetitivos, as coisas estariam melhores".

O papa disse que irá pedir "desculpa" por mais este compromisso pedido ao bispo. Galantino sorri: "Nós é que vamos pedir desculpa, com os fatos: aos pobres, aos não crentes, aos nossos jovens...".

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