Kasper e a necessidade de ouvir as mulheres. Artigo de Lucetta Scaraffia

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05 Março 2014

O aspecto mais novo e interessante da entrevista com o cardeal teólogo é justamente este: afirmar a necessidade de ouvir as mulheres, cuja voz até agora não chegou às salas onde se tomam decisões importantes para a vida da Igreja.

A opinião é da historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade La Sapienza de Roma. O artigo foi publicado no jornal L'Osservatore Romano, 04-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"O papel das mulheres na Igreja deve ser reconsiderado", diz o cardeal Walter Kasper no jornal Avvenire do dia 2 de março, respondendo às perguntas que Stefania Falasca lhe fez em uma longa entrevista. O teólogo deseja que, nos próximos dois sínodos sobre a família, as mulheres sejam ouvidas desde a fase de preparação, porque, "sem as mulheres, a família simplesmente não existe". E é uma afirmação corajosa, porque até agora as mulheres haviam sido presenças marginais – como sempre – nessas reuniões também.

Mas o purpurado não para por aí: ele defende que as mulheres devem estar presentes na Igreja em todos os níveis, mesmo em postos de responsabilidade. "A Igreja sem as mulheres é um corpo mutilado", afirma, desejando a sua presença em posições de dirigência nos conselhos pontifícios, nos escritórios administrativos, nos tribunais.

O critério para escolhê-las deveria ser o mesmo que se deveria usar para os homens: competência e espírito de serviço. Mulheres assim escolhidas poderiam melhorar a Igreja, sanando o carreirismo e o clericalismo que imperam na Cúria.

Kasper lembra também todas as mulheres que desempenham um papel importante e muitas vezes heroico nas periferias, em missões remotas e perigosas, mulheres que teriam muito a dizer na Igreja: "O seu conhecimento poderia ser ouvido".

O aspecto mais novo e interessante da entrevista com o cardeal teólogo é justamente este: afirmar a necessidade de ouvir as mulheres, cuja voz até agora não chegou às salas onde se tomam decisões importantes para a vida da Igreja.