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05 Março 2014

Depois de um telefonema de meia hora e de uma correspondência, logo Carlo Petrini (foto) e o Papa Francisco vão se conhecer pessoalmente. Tudo começou quando Petrini enviou ao Vaticano o seu livro sobre a Terra Madre e um artigo sobre a viagem papal a Lampedusa: "Eu dava uma leitura antropológica a ela; ele, filho de imigrantes piemonteses que morriam no mar, como os negros hoje".

A reportagem é de Giuseppe Salvaggiulo, publicada no sítio Vatican Insider, 02-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma noite, em Paris, toca o celular. "Número privado. Eu penso: são os do jornal La Repubblica, que querem 40 linhas... 'Alô?'. 'Sou o Papa Francisco'". A conversa varia da economia às lembranças familiares. Francisco conta a história do pai emigrante, Petrini da avó católica, mas elétrica partidária do Partido Comunista Italiano: ao padre que lhe negava a absolvição, ela respondeu: "Fique com ela!". O papa ri. Petrini amplia a história, citando um ditado piemontês: "Chi fa come ’l prèivi a dis, a va ’n Paradis. Chi fa come ’l prèivi a fa, a ca dël diau a va" [Quem faz como o padre diz, vai para o Paraíso. Quem faz como o padre faz, vai para a casa do diabo]. E o papa: "Efetivamente, um pouco anticlerical...".

Depois do telefonema, Petrini adverte os amigos em Bra: "O papa me telefonou". "Imagine!", não acreditam nele. Então, ele telefona para Enzo Bianchi, prior de Bose, que lhe diz: "Você se dá conta? Nem o secretário de Estado do Vaticano fala meia hora com o papa".

Algumas semanas depois, Francisco escreveu a Petrini. Lembra a conversa e a anedota da avó, "que ainda me faz sorrir". Encoraja-o nas suas iniciativas "das quais há tanta necessidade". Vão conversar novamente no Vaticano. "Os elementos de sintonia – diz Petrini – são muitos. Porque esse é um papa na América Latina".

 

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