Maradiaga explica a participação da Cáritas na Expo 2015

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Por: André | 27 Fevereiro 2014

Se um evento como a Expo pretende ser realmente universal, deve dar voz também aos pobres. Sobretudo quando se elege um tema como o desafio de alimentar um mundo em que 842 milhões de pessoas ainda passam fome. O cardeal Oscar Andrés Maradiaga, presidente da Cáritas Internacional e arcebispo de Tegucigalpa, apresentou nestes termos a decisão do organismo eclesial de participar da Exposição Universal, que acontecerá em Milão de 1º de maio a 31 de outubro de 2015.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli e publicada no sítio Vatican Insider, 24-02-2014. A tradução é de André Langer.

É a primeira vez que representantes da sociedade civil participam de uma Expo, razão pela qual a Cáritas Internacional quis aproveitar esta oportunidade. E, sobretudo, insistir no tema específico do evento de Milão: “Alimentar o mundo, Energia para a vida”, tão próximo dos desafios que as Cáritas de todo o mundo devem enfrentar cotidianamente. Assim, pois, levará à festa milanesa as experiências de sua rede de 164 organizações ativas em mais de 200 países (muito mais do que os 142 países que, até agora, aceitaram o convite para participar da Expo 2015).

Não é tanto uma questão de números que importa a Maradiaga: “Estaremos na Expo porque acreditamos que é importante fazer ver que por trás dos slogans estão as pessoas – explicou –, e que a pobreza não é composta apenas por números, mas por rostos concretos que exigem respostas”. O arcebispo de Tegucigalpa citou os sinais tangíveis deixados como herança pelas diferentes exposições universais: a Torre Eiffel, o Atomium de Bruxelas ou o “Guernica” de Picasso, exposto em Paris em 1937 para refletir sobre o sofrimento provocado pela violência. Depois indicou que espera que esta edição da Expo possa deixar uma marca deste tipo: “A falta de alimentos – explicou – faz parte de um círculo vicioso que deve ser cortado pela raiz. Não se deve eliminar os pobres, mas as causas da pobreza e da fome. Não poderia esta exposição universal ser recordada como um evento que uniu toda a criatividade humana para combater a fome no mundo? Não poderia ser a primeira a promover a ideia de que somente vivendo e agindo como uma só família humana solidária, justa e responsável, haverá energia para a vida e, mais ainda, alimentos para todos?”

Entre os problemas que poderiam ser enfrentados, o presidente da Cáritas Internacional recordou o escândalo do desperdício de alimentos, citando alguns dados italianos: hoje, cada família joga fora 198 gramas de comida por semana; em termos econômicos significa 8,7 bilhões de euros desperdiçados nas casas, enquanto, talvez a poucos metros de nós, inclusive em nossas cidades, há pessoas que passam fome. É para mudar justamente esses mecanismos que a Cáritas criou a campanha “Uma só família humana, alimentos para todos”, que desde dezembro do ano passado este organismo promove em todo o mundo. Uma iniciativa que pretende gestos concretos de solidariedade para com os que passam fome e ações de pressão política sobre os governos para a definição de políticas sérias sobre o direito à alimentação. O caminho desta campanha terminará no dia 19 de maio de 2015, quando os delegados das Cáritas de todo o mundo se encontram em Milão para expor os frutos da iniciativa durante um momento especial programado entre os eventos da Expo.

O encontro mundial dos delegados será uma de tantas iniciativas que a Cáritas Internacional realizará durante os seis meses do evento de Milão, no qual participará também a Santa Sé com um pavilhão próprio. “Queremos que envolva verdadeiramente inclusive as periferias nesta reflexão”, explicou o vice-diretor da Cáritas Ambrosiana, Luciano Gualzetti, que se ocupa da coordenação da preparação dos eventos.

A presença da Cáritas Internacional foi recebida com satisfação por parte dos organizadores da Exposição Universal: “É uma dessas presenças que prometem concentrar realmente sua atenção sobre os conteúdos do evento”, comentou Stefano Gatti, da Società Expo2015. E o convite para que o Papa Francisco participe? “Não falei com ele – respondeu Maradiaga –, mas espero que possa aceitá-lo. Sua presença seria uma oportunidade maravilhosa para reforçar o compromisso na luta contra a fome”.