Sequestro de Padre Dall'Oglio na Síria, cinco meses de silêncio

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Por: Caroline | 06 Janeiro 2014

Já se passaram exatos cinco meses após o sequestro do padre jesuíta Paolo Dall'Oglio (foto), fundador da comunidade monástica de Deir Mar Musa, que há trinta anos vive a sombra do regime de Damasco. Ele ficou ao lado dos rebeldes e, em troca, recebeu a expulsão do país.

A reportagem é de Francesca Paci, publicada por Vatican Insider, 02-01-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte:http://goo.gl/13Ecbj

Desobedecendo as recomendações dadas pelo Vaticano, Abuna Paolo, como é conhecido entre os seus, já voltou várias vezes a Síria após sua expulsão em junho de 2012, até ser sequestrado na cidade de Raqqa enquanto, pelo que tudo indica, articulava com os guerrilheiros do Estado Islâmico do Iraque (ISIL) a liberação da equipe da “Orient TV”, a emissora da dissidência com base no Curdistão do Iraque, com os quais havia colaborado. “Estamos trabalhando fundo nisto, tanto a nível diplomático quanto com colaboradores institucionais e não institucionais”, disse a Unidade de Crises da Farnesia, a central operativa que nos últimos anos devolveu ao lar 37 sequestrados italianos (mas restam ainda os prisioneiros padre Paolo e Giovanni Lo Porto).

Em certo momento, após meses de silêncio acerca do paradeiro do jesuíta de 59 anos, o secretario da Frente Nacional Síria, uma das milhares de siglas da oposição, denunciou sua execução, noticia que pouco depois foi desmentida através de “fontes seguras” advindas do ativista e diretor do Arab Reform Initiative, Salam Kawakibi. Na realidade, como repete a família Dall'Oglio, o que mais pode ajudar para que o sequestro seja resolvido com sucesso é falar o menos possível dele, ainda mais se considerarmos suas coordenadas geográficas.

Raqqa, localizada na região nordeste da Síria que se estende entre as cidades de Aleppo e a fronteira com a Turquia e o Iraque, não é uma localidade qualquer dentro do quebra-cabeça da guerra civil síria, que já custou à vida de mais de 110 mil pessoas. Desde que foi conquistada por rebeldes, há nove meses, a cidade de transformou em uma espécie de Kandahar, o reduto talibã no Afeganistão, onde, logo na entrada, há uma placa de boas-vindas ao “Estado Islâmico do Iraque e Síria” e que, implicitamente, anuncia a feroz lei islâmica a qual são submetidos os cidadãos. O mérito da vitória sobre aqueles que eram leais ao regime não pertence aos opositores armados do Exército Livre Sírio (quase inexistente em Raqqa), mas as milícias anti-regime yihadistas, entre as quais estão inclusos Isis e Jabhat an-Nusra, os quais, para declarar a primeira província “livre”, nem tiveram que entrar em excessivos combates.
 
Segundo a reconstrução feita pelo jornal libanês 'al Akhbar', Raqqa, que até o final de 2012 era tão tranquila que deu abrigo a meio milhão de refugiados de Idlib, Deir ez-Zor e  Aleppo, e a Assad ao visitar l'Eid al-Adha, havia caído “misteriosamente” – em poucas horas – com seus governantes saindo em retirada, sob os tiros dos adversários. A partir daquele momento a cidade se converteu em um inferno, com execuções sumárias de alauitas, cristãos e ativistas liberais acusados de espionagem; com as rivalidades internas entre o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) e outras milícias jihadistas do Fronte al Nusra; os golpes recorrentes da artilharia do governo; os confrontos com milícias curdas, a respeito dos quais Paolo Dall'Oglio tentava, a tempo, negociar uma trégua.
 
Os novos senhores de Raqqa, que em sua maioria não são sírios, têm uma agenda diferente dos rebeldes do início da guerra, contra os quais ainda lutam algumas vezes, e, como comprovam suas atuações militares, não sofrem de falta de dinheiro. Caso o padre Paolo esteja em suas mãos, o tempo pode ser curto. Um destino amargo para o jesuíta que há poucos meses colocou no papel sua fé no diálogo inter-religioso através do livro "Apaixonado pelo Islã, crente em Jesus”, uma abertura tão avançada aos muçulmanos que criou antipatias, não rara, entre seus irmãos.

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