ONU: Negros ainda sofrem racismo estrutural, institucional e interpessoal

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20 Dezembro 2013

A Conclusão é do Grupo de Trabalho da ONU sobre Afrodescendentes que encerrou visita de 10 dias ao país nesta sexta-feira; mas especialistas admitem que Brasil tem feito mais nos últimos 10 anos para promover maior inclusão da população negra.

A reportagem é de Letícia Autran, publicada no sítio Unic-Rio, 19-12-2013.

Um grupo de cinco especialistas da ONU afirmou que os negros do Brasil ainda estão sofrendo com racismo.

A declaração é do Grupo de Trabalho sobre Afrodescendentes da organização que encerrou uma visita oficial, de 10 dias, ao país nesta sexta-feira.

Sociedade Civil

Eles se reuniram com representantes de governos e da sociedade civil no Recife, em Salvador, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

As peritas Mireille Fanon-Mendes-France e Maya Sahli falaram a jornalistas, na sede do Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro.

Mireille Fanon-Mendes-France lembrou a precária situação das prisões brasileiras e a situação dos presidiários negros. Ela citou a falta de oportunidades para a população afrodescente no Brasil nas áreas da educação e de trabalho.

Cotas Raciais

Mas elas reconheceram o trabalho que o país tem feito, especialmente nos últimos 10 anos, para gerar mais inclusão socioeconômica para a população negra.

As especialistas disseram ainda que o Brasil faz uma autocrítica da situação de desvantagem dos afrodescendentes e tem buscado formas através de cotas raciais e outras iniciativas para levar mais chances aos negros.

A equipe da ONU destacou o Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, como um passo positivo. As peritas disseram que a sociedade civil é consciente sobre os desafios da área, ainda que haja um longo caminho a percorrer.

Estruturas de Poder

O grupo lembrou que as pessoas com ascendência africana formam mais da metade da população brasileira, mas que permanecem subrepresentadas ou invisíveis na maioria das estruturas de poder, nos meios de comunicação e no setor privado.

Ao ser perguntada por um jornalista no que havia melhorado desde 2005, data do último relatório, sobre o processo de inclusão de afrodescendentes no Brasil, uma das especialistas afirmou que viu poucos progressos na área da educação.

Segundo ela, todas as crianças deveriam ter acesso à escola de qualidade. Ela afirmou que as taxas de evasão de alunos afrobrasileiros é motivo de preocupação.

Relatório em 2014

O Grupo de Trabalho sobre Afrodescendentes notou ainda a situação de desvantagem para os negros nas áreas de moradia, saúde e infraestrutura.

As peritas citaram a questão dos sem-teto e sem terra, como também a falta de políticas de habitação que afetam os negros brasileiros principalmente em favelas e quilombos.

O relatório final sobre a visita do grupo ao Brasil será entregue ao Conselho de Direitos Humanos em setembro de 2014.