O desafio de sanear o Banco Vaticano

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Por: André | 03 Dezembro 2013

Depois da nomeação de Rolando Marranci como diretor-geral do IOR ou Banco Vaticano, o Papa Francisco prepara-se para uma semana crucial de encontros com os cardeais do já famoso G-8, os oito cardeais de todo o mundo nomeados por ele, para que o ajudem na reforma da cúria romana, ou seja, o principal instrumento que ajuda o Papa no governo da Igreja universal. Esta segunda reunião com os cardeais acontecerá entre os dias 03 e 05 de dezembro e supõe-se que o IOR, que esteve no centro de numerosos escândalos financeiros nos últimos anos, seja mais uma vez um dos temas do encontro.

A reportagem é de Elena Llorente e publicada no jornal argentino Página/12, 02-12-2013. A tradução é de André Langer.

Marranci, um financista especialista, que trabalhou 30 anos no Banco Nazionale del Lavoro da Itália, era vice-diretor do IOR desde julho passado, pouco depois da renúncia de Paolo Cipriani e Massimo Tulli, respectivamente diretor e vice-diretor até aquele momento. Pelo que tudo indica, nestes meses Marranci transformou-se em um bom colaborador do presidente do banco, o alemão Ernst von Freyberg, e próximo da equipe do Promontory, a consultora dos Estados Unidos que está se ocupando da certificação financeira das duas principais instituições financeiras do Vaticano, o IOR e a APSA (Administração do Patrimônio da Sé Apostólica), praticamente o ente que tem o controle, entre outras coisas, das propriedades da Santa Sé que, só em Roma, são inumeráveis.

O Papa Francisco – embora o Papa Bento XVI já tenha dado alguns passos – tem claro que o fundamental é que instituições como o IOR sejam transparentes e não berço de manobras financeiras pouco claras ou até ilegais, de que foram acusadas. As acusações começaram na década de 1980, com o escândalo do Banco Ambrosiano, com quem o IOR tinha relações privilegiadas. Naquele momento, disse-se que o Banco Vaticano, era de um Estado diferente da Itália e que respondia apenas às suas próprias leis, foi usado pela máfia siciliana para lavar e transferir para o exterior dinheiro de maneira ilegal da península. Agora, ao contrário, trata-se de obter, entre outras coisas, que o Banco Vaticano respeite a legislação europeia em matéria de operações financeiras, como fazem os demais países da região.

Mas, embora aconselhado por especialistas, o Papa Francisco não quer perder o controle da situação. Por isso, no dia 28 de novembro nomeou mons. Alfred Xuareb como delegado para as comissões que se ocupam do IOR e das finanças em geral da Santa Sé. Uma nomeação que alguns interpretaram como uma decisão do Papa para manter-se informado por meio de uma pessoa entendida e muito próxima a ele. Outro detalhe importante é que mons. Xuareb trabalhará em colaboração com a Secretaria de Estado, presidida por decisão do Papa pelo arcebispo Pietro Parolin, ex-núncio apostólico na Venezuela. Os cardeais do G-8, de qualquer maneira, para poder tomar outras decisões, estão aguardando que as comissões instituídas por Francisco, que estão realizando uma investigação sobre a estrutura financeira da Santa Sé, apresentem seu relatório final.

A reunião do Papa com o G-8 se ocupará também de outros temas difíceis, como as relações entre os chefes das congregações (ou virtuais ministérios da cúria romana) e entre estas e o pontífice. Relações que em tempos precedentes, e sob outros papados, nem sempre foram fáceis. Destas reuniões é possível que participe – ao menos de algumas – o próprio secretário de Estado Parolin junto com Francisco.

O Vaticano esclareceu que estas reuniões com o G-8 não têm como objetivo a reforma da Constituição Apostólica Pastor Bonus, elaborada por João Paulo II, mas que a intenção é escrever uma nova Constituição Apostólica onde as funções de entes e congregações do Vaticano sejam redefinidas. “Quer-se fazer mudanças reais, não apenas retoques”, esclareceu o porta-voz do Vaticano, o jesuíta padre Federico Lombardi. E mais de uma vez recordou a frase que o Papa Francisco disse poucos dias depois da sua eleição, em março de 2013, destacando que não gostava de uma Igreja “vaticanocêntrica”, mas que a quer “a serviço das Igrejas particulares”.

As Constituições Apostólicas de Paulo VI e de João Paulo II deram à Secretaria de Estado um papel central dentro da estrutura de governo da Igreja e o secretário de Estado viria a ser uma espécie de primeiro-ministro. Os prefeitos das congregações, por sua vez, equivaliam aos ministros no âmbito civil. Tudo leva a pensar que em uma nova Constituição Apostólica estes papéis serão redefinidos, e que a Secretaria de Estado vaticano poderia passar a se chamar, como já sugeriram vários especialistas, Secretaria Papal, um nome mais em sintonia com os objetivos do Papa Francisco.

Uma nova reunião do G-8 deverá acontecer por volta de 16-17 de fevereiro, pouco antes do primeiro consistório para a criação de novos cardeais, convocado por Francisco e previsto para o dia 22 de fevereiro do próximo ano. Tudo parece indicar que neste consistório, o Papa teria intenções de consagrar 14 novos cardeais, privilegiando os candidatos de vários países fora da Europa e não tanto os europeus ou italianos como, ao contrário, costumava fazer o Papa Bento XVI. Um modo de reequilibrar as forças e o poder dentro do colégio cardinalício, mas também dentro da cúria romana.

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