Em Medjugorje, o barômetro papal volta à estaca zero

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21 Novembro 2013

A devoção a Nossa Senhora é um dos pilares da espiritualidade de Jorge Mario Bergoglio. A sua primeira saída do Vaticano depois da sua eleição a papa foi para venerar o ícone da Salus populi romani, na Basílica de Santa Maria Maior. Na vigília de oração pela paz no dia 7 de setembro na Praça de São Pedro, ele colocou no centro de tudo o próprio ícone mariano. No Brasil, foi comovedor o seu abraço à efígie de Nossa Senhora, no santuário de Aparecida. No dia 13 de outubro ele fez vir de Portugal à Praça de São Pedro a estátua de Nossa Senhora de Fátima.

A nota é de Sandro Magister, publicada no blog SettimoCielo, 15-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas, nesse último caso, Francisco também produziu uma decepção muito forte entre os milhares de devotos que haviam acorrido de todo o mundo certos de que o papa consagraria o mundo ao Imaculado Coração de Maria, conforme pedido pelas aparições. Ao invés, ele se limitou a uma fórmula genérica, lida em voz baixa, sem falar de consagração e sem mencionar Fátima, nem o coração de Maria, nem as aparições, nem as mensagens

A única vez até agora em que o Papa Francisco falou de aparições marianas foi há poucos dias, no dia 14 de novembro, homilia matinal em Santa Marta. E foi outra ducha fria.

Ao comentar o Evangelho de Lucas, o papa contrapôs à "sabedoria" o "espírito de curiosidade", "quando nós queremos nos apoderar dos projetos de Deus, do futuro, das coisas, conhecer tudo, tomar tudo nas mãos".

E continuou: "O espírito de curiosidade é mundano, nos leva à confusão". Isso é o que acontece quando "nos dizem: eu sei um vidente, uma vidente que recebe cartas de Nossa Senhora, mensagens de Nossa Senhora. Mas a Nossa Senhora é mãe, não um chefe dos correios, para enviar mensagens todos os dias".

É difícil não conectar essa reprimenda de Francisco contra videntes e mensagens à "questão disputada" das aparições marianas de Medjugorje.

Nos últimos dias, tem circulado um texto de uma diretriz enviada no dia 21 de outubro pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller, aos bispos dos Estados Unidos, através do núncio apostólico do país, Carlo MariaViganò.

Eis o texto.

Reverendo Dom Jenkins,

Escrevo-lhe a pedido de Sua Excelência Reverendíssima Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que pede que os bispos dos Estados Unidos sejam avisados, mais uma vez, dos seguintes fatos (com referência à minha carta de 27 de fevereiro de 2013, com o mesmo número de protocolo). Sua Excelência deseja informar os Bispos de que um dos chamados videntes de Medjugorge, o senhor Ivan Dragicevic, estará presente em alguns encontros em algumas paróquias do país, durante as quais ilustrará fatos referentes ao fenômeno de Medjugorje. Também foi antecipado que o senhor Dragicevic terá as "aparições" durante esses encontros.

Como o senhor bem sabe, a Congregação para a Doutrina da Fé está investigando alguns aspectos doutrinais e disciplinares do fenômeno de Medjugorje. Por essa razão, a Congregação afirmou que, com relação à credibilidade das "aparições" em questão, todos devem aceitar a declaração, datada de 10 de abril de 1991, dos Bispos da ex-República Iugoslava, que diz: "Com base em pesquisas que foram realizadas, não é possível afirmar que houve aparições ou revelações sobrenaturais". Segue-se, portanto, que os clérigos e os fiéis não podem participar de encontros, conferências ou celebrações públicas em que a credibilidade dessas "aparições" seja dada por certa.

Portanto, com o objetivo de evitar escândalos e confusão, o Arcebispo Müller solicita que os Bispos sejam informados sobre o caso o mais breve possível. Aproveito esta oportunidade para apresentar os meus sentimentos de profunda estima e permaneço

Sinceramente Vosso em Cristo

Carlo Maria Viganò
Núncio Apostólico

Como se pode notar na carta a palavra "aparições" sempre escrita entre aspas e se reitera a ausência de certeza. Sobre Ivan Dragicevic, fala-se como de "um dos chamados videntes". E se manifesta evidente a incredulidade nas "aparições", preanunciadas durante a sua turnê norte-americana.

Não é nenhum segredo que Müller age de acordo com o Papa Francisco, como fez recentemente a propósito da comunhão aos divorciados em segunda união.

A última palavra da Igreja sobre Medjugorje ainda não foi dita. Mas com o atual papa, o barômetro volta para a estaca zero.

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