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Por: André | 18 Setembro 2013

O Papa Francisco instituiu, com um “quirógrafo” de 24 de junho, uma comissão sobre o IOR, presidida pelo cardeal Raffaele Farina e que foi recebida pelo Pontífice em 10 de julho passado. Uma decisão necessária para tranquilizar a opinião pública católica, turbada pelas investigações e pelas novas revelações judiciais que jogam muitas dúvidas sobre as ações de muitos personagens que usavam o IOR para obter benefícios pessoais. E não se deve esquecer a renúncia do diretor geral, Paolo Cipriani, e de seu subdiretor, Massimo Tulli.

A reportagem é de Marco Tosatti e publicada no sítio Vatican Insider, 16-09-2013. A tradução é de André Langer.

A intenção é fazer uma radiografia de todas as atividades do Instituto, passo fundamental para a realização de uma reforma. A comissão é composta pelo cardeal Jean-Louis Tauran (membro do conselho cardinalício do IOR), pelo coordenador mons. Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru, pelo secretário mons. Peter Bryan Wells (que o Papa Francisco confirmou em seu posto como Assessor da Secretaria de Estado) e pela ex-embaixadora estadunidense junto à Santa Sé, Mary Ann Glendon. A tarefa da comissão é reunir “documentos, dados e informações” sobre as atividades do IOR e informar o Pontífice para permitir “uma melhor harmonização” do Instituto “com a missão da Igreja universal e da Sé Apostólica” e no contexto das “reformas” necessárias para o governo da Igreja.

Sacrossanta tarefa, e muito necessária, caso se levar em consideração a tendência de alguns prelados, de qualquer nível, que preferem o conteúdo das caixas de segurança ao sacrário. Mas embora se trate de um estado, o Vaticano encontra-se na Itália, onde a farsa sempre está à espreita, inclusive nas situações mais sérias. Um amigo, um prelado que trabalha no Vaticano há pelos menos 20 anos, me contou que teve que fazer reformas na sua casa – um apartamento que pertence ao Vaticano –, razão pela qual pediu a uma pessoa da secretaria da Congregação para que retirasse da sua conta no IOR cerca de 3.000 euros para pagar os gastos.

O funcionário foi ao “banco” e voltou com o dinheiro. Mas dois ou três dias depois, o bispo recebeu um telefonema, de um número desconhecido. Um homem, que não se identificou e disse somente “Comissão do IOR”. “Com quem falo?”, perguntou o prelado. “Comissão do IOR”, foi novamente a resposta. “Olha, tenho muito respeito por todas as comissões, mas, veja, qualquer um – inclusive um jornalista – pode me ligar e dizer: ‘Comissão do IOR’. Assim, diga-me, por favor, quem está falando?”. O bispo, perplexo, voltou a ouvir a mesma resposta: “Comissão do IOR, não importa...”. E o bispo se rende: “Está bem, diga-me”. “Por que retirou 3.500 euros? Para que servem?”. “Olha, eu não os roubei – respondeu o bispo – e tenho uma conta no IOR porque sou um pouco doido, e tudo o que tenho depositei no IOR. Se pudesse voltar atrás, faria outra coisa. Tudo, inclusive a pensão dos meus pais. Estou reformando a casa...”.

O interlocutor começa a perceber certa tensão no outro lado da linha: “Sim, claro, certo monsenhor... entendo, mas você já sabe, nesta época é preciso dizer...”. E o prelado respondeu: “Sabe o quê? Façam uma coisa, paguem diretamente o marceneiro. Ele é muito conhecido no Vaticano”. Tanto que o desconhecido interlocutor o identificou imediatamente: “Ah, claro! Rossi...” (nome fictício, ndr.). “Sim, exatamente esse que chamam na Secretaria de Estado... Paguem-no diretamente. Mas me explique uma coisa... se tivesse que comprar um sapato ou, no Natal, se tivesse que comprar presentes, tenho que declarar?”. A conversa terminou com uma caravana de desculpas e de frases amigáveis. Trata-se do Vaticano na época das comissões de investigação...

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