As novas medidas do IOR e a revolta de bispos e irmãs

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17 Setembro 2013

"Ao contrário, é você que tem que me explicar que fim deram ao meu dinheiro!". "E por que eu deveria dizer como eu vou utilizar esses 100 euros que eu tenho que sacar? Eu faço o que eu quero, sem prestar contas a ninguém". "Mas com base em que direito você quer saber de onde vêm os 90 euros que foram creditados na minha conta?". "Vou mudar de banco, nunca mais vou pôr os pés aqui!...".

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 16-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há revolta no IOR (o Instituto para as Obras de Religião), o banco vaticano, entre os pequenos e médios correntistas que todos os dias se apresentam no banco para fazer saques, transferências, pagar contas. Em grande parte padres, irmãs, religiosos, bispos. Cardeais, poucos, porque ou têm uma conta em outras instituições, ou se servem dos seus respectivos secretários para as operações bancárias periódicas. Joseph Ratzinger, por exemplo, nunca teve uma conta no IOR nem como cardeal, nem como pontífice.

Há algumas semanas, por decisão da direção do IOR, os clientes que se apresentam nos guichês do banco são submetidos pelos empregados a uma série de perguntas. Um interrogatório de terceiro grau que os correntistas são forçados a responder, sob pena do bloqueio imediato a operação. Um interrogatório sem respeito pela privacidade diante de todos os clientes presentes.

Há aqueles que – como as freirinhas que não conhecem muito bem a língua italiana ou o padre que teme perder o saque que irá para a caridade – respondem, embora com grande constrangimento.

Mas não são poucos os que reagem furiosos aos empregados, que tentam acalmar os ânimos explicando que receberam ordens precisas da direção do IOR como parte da operação de "controle e limpeza" que o banco, há algum tempo, empreendeu para cumprir as regras sobre o combate à lavagem de dinheiro. Operação que iniciou em julho com o envio a todos os correntistas do banco de uma ficha com 11 questões relacionadas com a "identidade" da conta: do nome do titular (pessoa física ou jurídica) à atividade do correntista, origem do dinheiro (receitas imobiliárias, herança, salários, pensões, investimentos, doações...). Também deve-se especificar se as quantias são fruto de remuneração pelo ensino, publicações, conferências, atividades comerciais ou de profissional autônomo. As perguntas são acompanhadas de uma carta em que o IOR explica que se trata de um "pedido de informações adicionais para uma atualização da documentação de registro e informativa do próprio usuário".

No guichê, no entanto, não basta aos correntistas entregar a ficha preenchida. Antes de efetuar saques ou pagamentos mesmo que de pequenas somas, eles têm que se submeter às perguntas pessoais dos empregados, que querem saber praticamente tudo, fazendo questões e esperando respostas a despeito de todos os outros correntistas na fila: em particular, "por que vocês estão sacando essa quantia? O que precisam fazer?". Se um padre ou um religioso responde: "Eu tenho que dar para a caridade", brotam outras perguntas sobre "quem serão os beneficiários e por que a quantia deve ser dada exatamente a eles?".

Muitas vezes acontece que algum sacerdote destine mensalmente uma ajuda aos sem-teto que param na frente da paróquia, de modo que eles não sabem os nomes das pessoas que eles ajudam. "Ou você me diz quem é o beneficiário e por qual motivo você lhe dá esse dinheiro, ou eu escrevo aqui que você usa esses 80 euros por motivos pessoais", é a resposta curta e grossa do empregado do IOR.

"E você acha que está evitando a lavagem de dinheiro adotando esses métodos?", trovejou um bispo que queria sacar 300 euros. "Com o dinheiro que eu saco, eu faço o que eu quiser e não tenho que prestar contas a ninguém. São vocês do IOR que têm que me explicar como vocês utilizaram as minhas economias. A verdade é que vocês perderam credibilidade e agora – protestou o bispo – vocês tentam refazer uma virgindade com estes métodos vexatórios contra os pequenos correntistas. Nunca mais vocês me verão". Agora, no IOR, teme-se que outros sigam o seu exemplo.

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