Edgar Morin e a vida das ideias. A cultura é um Grande Computador

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Por: Jonas | 17 Setembro 2013

Na manhã do último sábado, 14 de setembro, nas dependências da PUCPR, em Curitiba, ocorreu o quinto encontro sobre O Método” de Edgar Morin, um ciclo de estudos promovido pelo Cepat/CJ-Cias em parceria com a Pastoral da Universidade e com o Instituto Humanitas Unisinos. O professor convidado, Dr. Marcos Antônio Lorieri (foto), da UNINOVE, São Paulo, discorreu com propriedade a respeito dos elementos centrais presentes em O Método IV - As ideias: habitat, vida, costumes e organização. Este volume, segundo o próprio Morin, serve de introdução ao problema da reflexão no mundo contemporâneo.

Em O Método IV, uma das primeiras grandes constatações a que se chega é a de que as ideias existem, que possuem uma realidade objetiva. Os seres humanos são possuídos por elas, embora muitas vezes não se reflita sobre o peso que elas exercem diariamente na vida humana e na fabricação do social. Lorieri ressaltou que esta existência das ideias está associada à vida humana, não é independente dela, fazendo menção ao fato de Morin considerar que no dia em que morrer o último ser humano, as ideias também deixarão de existir junto com ele.

O professor Lorieri destacou as três esferas nas quais Morin considera que a vida humana se dá: a biosfera (na qual emerge o cérebro), a sociosfera (na qual emerge a cultura) e a noosfera (espírito/mente). Esta última está imbricada nas outras duas e possui um papel fundamental na humanização. A realização humana depende do cuidado com estas três esferas.

Como bem frisado por Lorieri, em O Método, Morin apresenta um sistema abrangente de ideias, no qual há uma Ontologia (Métodos I e II), uma Teoria do Conhecimento (Métodos III e IV), uma Antropologia Filosófica (Método V) e uma Ética (Método VI), havendo uma interligação de todos esses saberes. No caso de O Método IV, enfocando a realidade das ideias, são contemplados elementos como a vida do espírito, ideologias, imaginário, escolas de pensamento e sua diversidade, além da necessidade do exercício da tolerância. Este volume está dividido em três partes: a ecologia das ideias, a vida das ideias (noosfera) e a organização das ideias (noologia).

Para Morin, há uma intrínseca relação entre conhecimento e cultura. Para demonstrar esta relação, o pensador francês recorre à metáfora do Grande Computador (cultura), do qual cada pessoa (cada espírito/cérebro) é um terminal. Esse Grande Computador reconstitui-se e regenera-se a partir dos espíritos. Desta forma, assim como a cultura impacta sobre as ideias presentes nos indivíduos, estes também a produzem. Aqui, percebe-se a recorrente forma dialógica do pensamento de Morin, quando afirma que “os homens de uma cultura, pelo seu modo de conhecimento, produzem a cultura que produz o seu modo de conhecimento”.

Aos determinismos culturais, Morin denomina “imprinting”, responsáveis pela normalização, invariância e reprodução das ideias na vida e da vida dos indivíduos. Ao mesmo tempo, existem as reações a essa força dos determinismos culturais, que podem provocar enfraquecimentos do “imprinting”. Estes são os momentos de efervescências, a partir do quais se abre lacunas nesta normalização das ideias, provocando desvios, evolução do conhecimento e modificações nas estruturas de sua reprodução.

No fundo, aqui, Morin está lidando de forma mais reflexiva com a velha problemática das ciências humanas em entender as relações entre indivíduo e sociedade. Neste ponto, o professor Lorieri enfatizou que o movimento de contrários entre ideias, posicionamentos e convicções, gera um “calor cultural”, com movimentos de superação e abertura frente ao que está posto como hegemônico culturalmente para determinada sociedade.

O professor Lorieri também mencionou a preocupação de Morin com os sistemas de ideias, destacando que estes são simultaneamente fechados e abertos. Para se defenderem de agressões externas são fechados, e para se alimentarem de confirmações e verificações vindas do mundo exterior são abertos. Neste sentido, Morin considera que as teorias, por excelência, devem sempre ser sistemas abertos, com porosidade, ao passo que, de um modo geral, as doutrinas são sistemas fechados. Contudo, em ambos os casos há fechamentos e aberturas.

Com um tom suave e descontraído, mas, ao mesmo tempo, denso e profundo, o professor Marcos Antônio Lorieri tornou a manhã de estudo muito agradável. Embora já sabido que o tempo não seria suficiente para se trabalhar todas as temáticas presentes nesse extenso volume IV, ao final do encontro, certamente, ficou aceso o desejo de se aprofundar por estas veredas do conhecimento sobre a vida das ideias.  

O texto é de Jonas Jorge da Silva e as fotos são de Karen Albini, ambos da equipe do Cepat/CJ-Cias.

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