''A violência nunca é o caminho para a paz'', afirma Francisco sobre a Síria

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09 Setembro 2013

Diante de uma multidão na Praça de São Pedro estimada em 100 mil pessoas reunidas para rezar pela paz na Síria, o Papa Francisco declarou vigorosamente que "a violência e a guerra nunca são o caminho para a paz!".

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 07-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francisco convocou esse dia especial de oração e de jejum como parte de uma pressão vaticana total contra uma intervenção militar na Síria, no mesmo momento em que os Estados Unidos e outras nações ocidentais estão debatendo a ideia de lançar ataques em retaliação pelo suposto uso de armas químicas pelo regime do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Além da celebração de quatro horas desse domingo, presidida por Francisco, o Vaticano também realizou uma reunião especial na quinta-feira para todos os embaixadores credenciados junto à Santa Sé para expor o caso contra o uso da força, uma rara medida que reflete a gravidade que o Vaticano atribui ao conflito sírio. Francisco também sopesou repetidamente de forma crítica uma nova rodada de violência na Síria, usando até o seu Twitter para pressionar sobre o caso.

Francisco também escreveu ao presidente russo, Vladimir Putin, antes da cúpula do G20 em São Petersburgo, para insistir que uma solução militar tentativa ao conflito sírio seria "fútil".

O Vaticano tem tanto uma agenda humanitária na Síria, preocupando-se que uma ofensiva ocidental poderia levar a um conflito regional mais amplo e inflamar o extremismo muçulmano, quanto uma preocupação pastoral de que a minoria cristã da Síria possa se tornar a principal vítima de tudo o que possa se seguir à mudança de regime na Síria, de forma semelhante ao que aconteceu depois a queda de Saddam Hussein no Iraque. Estimados em 10% da população total da Síria de 22,5 milhões, os cristãos já sofrem com uma crescente onda de antagonismo e de violência, e as lideranças cristãs do país têm se pronunciado abertamente em sua oposição à intervenção ocidental.

Nesse domingo, Francisco enquadrou o caso contra a violência em expansão na Síria em amplos termos espirituais e morais.

"Quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história!", disse Francisco no domingo.

"Nós aperfeiçoamos as nossas armas, a nossa consciência adormeceu, tornamos mais sutis as nossas razões para nos justificar", disse o papa. "Como se fosse uma coisa normal, continuamos semeando destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!"

O papa defendeu que a Cruz de Cristo é a refutação última da violência como solução para os problemas da humanidade.

"Como eu gostaria que todos os homens e mulheres de boa vontade olhassem para a Cruz!", disse. "Na cruz podemos ver a resposta de Deus: ali à violência não se respondeu com violência, à morte não se respondeu com a linguagem da morte".

Francisco defendeu que a paz "é possível para todos", evocando aplausos da multidão.

A única menção específica à Síria veio no fim do discurso de Francisco.

"Perdão, diálogo, reconciliação são as palavras da paz: na amada nação síria, no Oriente Médio, em todo o mundo!", disse.

A celebração de oração do domingo à noite na Praça de São Pedro começou com uma procissão com a Virgem Maria sob o título de "Salus Populi Romani", a "protetora do povo romano". Depois da recitação do rosário, intercalada com leituras de Santa Teresa de Lisieux, o papa proferiu as suas considerações.

A segunda metade da celebração teve uma marca eucarística, com a adoração ao Santíssimo Sacramento. Cinco casais, representando a Síria, o Egito, a Terra Santa, os Estados Unidos e a Rússia foram convidados a oferecer incenso diante do Santíssimo Sacramento.

A celebração concluiu com uma bênção eucarística do Papa Francisco.

Dentre os presentes na Praça de São Pedro na noite de domingo, estava uma delegação da Comunidade do Mundo Árabe na Itália, liderada pelo presidente do grupo, Foad Aodi.

"Para nós, o Papa Francisco é um ídolo. Queríamos que houvesse um líder como ele também para o mundo islâmico", disse Aodi, que acrescentou que a sua organização está preparando um dia muçulmano de oração "para confirmar o nosso apoio ao apelo de Francisco e para dizer 'sim' para a paz no Oriente Médio e 'não' para a guerra".

Embaixadores de vários países também estavam presentes, embora relativamente poucas das grandes potências ocidentais, como a França ou a Grã-Bretanha. (O novo embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Ken Hackett, ainda não chegou a Roma.)

A cerimônia do domingo à noite, no entanto, não foi um evento oficial em que a presença do corpo diplomático era esperada. Durante a reunião de quinta-feira, os embaixadores foram informados pela Secretaria de Estado do Vaticano que, se eles quisessem participar, seriam bem-vindos ao Vaticano, mas não havia nenhuma obrigação.

Em Washington, o cardeal Donald Wuerl celebrou uma Missa pela Justiça e Paz no domingo, em conjunto com a vigília liderada pelo Papa Francisco em Roma. O embaixador do papa nos Estados Unidos e outros dignitários da Igreja estavam presentes.

"Batemos nas portas dos corações humanos de todo o mundo", disse Wuerl, "mas particularmente na Síria e no Oriente Médio, pedindo que Deus os abra com a força do seu amor, para que esses corações possam mudar", disse Wuerl.

A missa se soma à significativa pressão da Conferência dos Bispos dos EUA contra a intervenção militar na Síria, incluindo uma carta ao presidente Barack Obama do dia 4 de setembro enviada tanto pelo cardeal Timothy Dolan, de Nova York, presidente da Conferência, quanto por Dom Richard Pates, bispo de Des Moines, Iowa, presidente do Comitê de Justiça e Paz Internacionais, assim como uma carta do dia 5 de setembro a todos os membros do Congresso e uma "ação de alerta" enviada a todas as dioceses norte-americanas.

As estimativas dos observadores da Igreja são de que ao menos 120 dioceses dos EUA organizaram uma oportunidade de oração pela paz nesse domingo, respondendo ao pedido do papa.

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