Papa pede aos jovens argentinos que “façam agitação” nas ruas e confessa se sentir "enjaulado"

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Por: Jonas | 29 Julho 2013

Em certos momentos, as palavras menos esperadas costumam ser as mais relevantes. Isso ocorreu nesta tarde, quando depois de deixar a favela, Francisco (foto) se dirigiu à Catedral do Rio de Janeiro, onde teve um encontro com cerca de 40.000 jovens argentinos. Diante dos rapazes e moças de sua pátria, e muito emocionado, Francisco apresentou as chaves da Igreja que pretende construir: “As Bem-aventuranças e Mateus 25 (parábola dos talentos e o Juízo Final). Vocês verão bem. Este é o regulamento com o qual seremos julgados. Não precisam ler outra coisa”.

 
Fonte: http://goo.gl/Pu3olm  

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada no sítio Religión Digital, 25-07-2013. A tradução é do Cepat.

As Bem-aventuranças e Mateus 25. Duas das leituras obrigatórias para qualquer um disposto a mudar o mundo, e a não se fechar atrás dos muros de uma igreja, sem sair à rua. Todo um programa de serviço, todo um programa de governo.

Contudo, não parou aí. Bergoglio, muito ambientado (chegou a interromper, em vários momentos, dom Arancedo, que o apresentou, para aplaudir os jovens por estar dentro, “e os que estão fora, molhando-se com a chuva”), ofereceu outras três chaves, outros três pontos que espera da juventude cristã.

A primeira, “que façam agitação”. “O que eu espero como consequência da Jornada Mundial da Juventude? Espero agitação. Aqui, haverá agitação, sim... Entretanto, quero agitação ao sair do Rio de Janeiro. Quero agitação nas dioceses, quero que saiam fora. Quero que a Igreja vá à rua. Quero que nos defendamos de tudo o que seja mundanismo, instalação, comodidade, clericalismo, de estar fechados em nós mesmos. Caso não saiam, tornam-se uma ONG. E a Igreja não pode ser uma ONG”, disse o Papa para uma multidão efervescente.

Tanto, que o Papa quase pediu perdão: “Que me perdoem os bispos e os padres se alguém, depois, apronte confusão para vocês”. Contudo, não parou: “este é meu conselho: obrigado pela agitação que podem fazer”.

Em segundo lugar, a luta pela dignidade de todos, especialmente dos “dois polos da vida, os jovens e os anciãos”. “Esta civilização mundial passou dos limites. É tal o culto que tem feito ao deus dinheiro, que estamos presenciando uma filosofia e uma práxis de exclusão”, denunciou Francisco, que criticou tanto a “eutanásia ativa”, como “a eutanásia cultural. Também há uma exclusão dos jovens. É uma geração que não tem a experiência da dignidade conquistada pelo esforço”.

Por isso pediu: “os jovens precisam sair, fazerem-se valer, tem que sair para lutar pelos valores”. E “os velhos”, que “abram a boca e nos ensinem. Transmitamos a sabedoria dos povos”.

“Não claudiquem, anciãos, em ser a reserva cultural de nosso povo, aqueles que transmitem os valores e a memória. E vocês (aos jovens) não se metam com os velhos, escutem”. Porque, “neste momento, vocês, jovens e anciãos, estão designados ao mesmo destino: a exclusão. Não se deixem excluir!”, bramou Francisco.

E em terceiro lugar, a autenticidade: “É um escândalo que Deus tenha se feito um de nós, que tenha morrido na cruz. A cruz continua sendo escândalo, mas continua sendo o único caminho. Por favor, não liquidem a fé em Jesus Cristo. A fé é inteira, não se liquidifica. É a fé no filho de Deus, feito homem, que morreu por mim”.

Em resumo, e isto ele repetiu em até três ocasiões, Francisco: “Façam agitação, não se deixem excluir, nem excluam, e não liquidem a fé em Jesus Cristo”. E, em seguida, a grande lição, o grande conselho. “As Bem-aventuranças... Leiam, que verão bem. Leiam Mateus 25 (os talentos). Que é o regulamento com o qual seremos julgados. Não precisam ler outra coisa”.

E, finalmente, uma confissão. “Tenho pena que estejam enjaulados, mas digo-lhes uma coisa. Eu, no momento, sinto ‘o que é estar enjaulado’. Compreendo vocês. Gostaria de estar mais próximo de vocês, mas compreendo que por razões de ordem não posso”, e outra vez o escândalo dos jovens que, como pediu o Papa, tem toda a pinta de “fazer muita agitação” a partir de agora.

O ato finalizou com o pedido de Francisco aos jovens: “Rezem por mim. Necessito da oração de vocês”, e a bênção da imagem da Virgem de Luján e a Cruz de São Francisco, que servirão para a missão por toda a Argentina. “Não se esqueçam, façam agitação. Cuidem dos dois extremos da vida (anciãos e jovens) e não liquidem a fé”, e o Papa se despediu, causando agitação.

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