Duas mulheres concorrerão à presidência do Chile

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Por: Jonas | 29 Julho 2013

Três dias após Pablo Longueira anunciar sua saída da corrida presidencial, por causa de uma severa depressão, seu partido nomeou uma substituta para enfrentar, no dia 17 de novembro, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet. No sábado, a ministra do Trabalho, Evelyn Matthei, foi proclamada por unanimidade pela União Democrática Independente (UDI) e se tornou a primeira mulher na história da direita chilena que disputará o Palácio La Moneda.

A reportagem é de Rocío Montes, publicada no jornal El País, 20-07-2013. A tradução é do Cepat.

O anúncio foi realizado pelo presidente do coletivo, Patricio Melero. “Estamos convencidos que ela reúne os requisitos para trazer unidade e a possibilidades de triunfo. Por isso, fazemos esta nomeação com humildade, mas também na certeza de que ela saberá dar a todos a plena garantia de equilíbrio no trabalho com os candidatos ao Parlamento”, destacou o chefe da UDI, partido que reúne a direita conservadora chilena e que, apontando para os setores populares, tornou-se a primeira força política do país sul-americano.

A decisão da UDI, que ocorre em meio a intensas negociações com seus parceiros da Renovação Nacional (RN), para não chegarem divididos nas eleições, coloca duas mulheres na corrida para liderar o Governo, a partir de março de 2014: Bachelet e Matthei, duas líderes que compartilham espantosas semelhanças biográficas. Não apenas são de uma mesma geração – a socialista tem 61 anos e a candidata da UDI, 59 – como também se conhecem desde a infância, graças à amizade de seus respectivos pais, os dois generais da Força Aérea do Chile (FACh).

Alberto Bachelet Martínez permaneceu seis meses no cárcere do golpe de Estado de setembro de 1973, acusado de conspirar contra a instituição por permanecer fiel ao presidente Salvador Allende. O militar foi vítima de brutais torturas que provocaram sua morte numa prisão, no dia 12 de março de 1974. Fernando Matthei Aubel, de 88 anos, atualmente aposentado, durante a ditadura de Augusto Pinochet, foi ministro da Saúde, membro da Junta Militar e comandante chefe da FACh.

Em agosto de 2012, antes que a ex-diretora da ONU Mulheres retornasse para assumir a candidatura de centro-esquerda, gerou-se um forte debate sobre a presumível responsabilidade do general Matthei na morte de seu companheiro Bachelet, durante a investigação judicial pelo assassinato. A própria viúva, no entanto, desestimulou uma ligação: “O general (Fernando) Matthei sempre foi amigo nosso, é muito apreciado por mim e eu tenho a certeza de que não esteve na Academia de Guerra, no tempo em que meu marido esteve ali (detido e torturado)”, destacou a mãe da ex-presidente, Ángela Jeria.

A candidata à presidente da UDI é conhecida por seu caráter forte e é considerada a “dama de ferro” da direita chilena. Engenheira comercial, casada, com três filhos, foi militante da RN até 1992, quando decidiu renunciar por um polêmico caso em que enfrentou o atual presidente Sebastián Piñera. Ex-deputada, ex-senadora e atual titular do Ministério do Trabalho, ganhou todas as eleições das quais participou e durante sua gestão no Governo era a mais conhecida do gabinete.

A candidata da UDI tem um histórico polêmico. Em outubro de 2012, parlamentares socialistas a acusaram de tê-los tratado com insultos e, três meses depois, ela foi gravada no momento em que alimentava uma dura troca verbal com a deputada independente Marta Isasi. Matthei foi a primeira a enfrentar diretamente Bachelet, após a socialista anunciar sua recolocação, no final de março, e a culpou de orquestrar a acusação constitucional contra o ex-ministro de Educação, Harald Beyer, que levou a sua saída do Executivo. A senadora Isabel Allende, filha do derrubado Presidente, em junho passado, destacou que a secretária de Estado não reunia “condições psicológicas” para ser ministra.

A batalha que deverá empreender contra Bachelet não será fácil. A ex-mandatária é a grande favorita para as eleições do dia 17 de novembro. Nas prévias da oposição, do dia 30 de junho, obteve 73,1% das preferências frente aos outros três candidatos e alcançou 1,5 milhão de votos, o que representou 53% dos votos, tanto das internas de seu setor, como da direita.

Além disso, Matthei deverá fazer frente aos seus parceiros da RN, cuja carta presidencial, Andrés Allamand, foi derrotado por Longueira, nas disputas internas da direita. Neste partido, a nomeação da ministra, realizada em meio aos acordos para chegar a um único nome do grupo, causou um profundo incômodo e foi classificada como uma imposição. “Eles querem chegar ao primeiro turno com dois candidatos e isto será ruim para Aliança”, destacou o senador e vice-presidente da RN, Francisco Chahuán, antes de entrar numa reunião crucial, onde serão definidas as ações seguintes. O panorama é tão incerto que não está descartado que os dois grupos cheguem divididos nas eleições de novembro.

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